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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O fundamentalismo não é religioso, é idolatria

O Papa Francisco no avião de regresso a Roma depois da sua estadia em África… Destaco mais esta ideia das suas declarações abordo do avião aos jornalistas que o acompanharam na viagem. Trata-se desta actual e pertinente ideia relacionada com o fundamentalismo, que permitiu que o Papa colocasse os pontos nos is e definiu que ninguém, no domínio da religião, pode atirar pedras contra ninguém... Quem desejar tomar conta de todos os assuntos tratados pode ver AQUI
Eis o assunto espinhoso: o fundamentalismo religioso que ameaça todo o planeta, como demonstra os recentes ataques em Paris. O fundamentalismo, explica o Papa, é «uma coisa ruim», uma «doença» que «existe em todas as religiões». «Até nós católicos temos alguns – muitos – que acreditam que possuem a verdade absoluta e seguem em frente sujando os demais com a calúnia, a difamação, e fazem o mal». Portanto, é necessário «combater» o fundamentalismo religioso, simplesmente porque «não é religioso, falta Deus, é idolátrico».
O fundamentalismo judeu e islâmico inquieta e entristece. O cristão-católico irrita e revolta. Basta ver Jesus e o Seu Evangelho.
Neste ambiente, andou um destacado antigo bispo de Portugal a participar em celebrações tridentinas. O Tridentismo é uma forma de ressuscitar o conservadorismo anacrónico e é também fundamentalismo contra as reformas do Papa Francisco. Custa muito ver que gente inteligente, que se diz adepta da Ecclesia semper reformanda, que dizem pregar o Evangelho da inclusão de Jesus de Nazaré contra todas as formas de exclusão, afinal, também embarca no requinte e na riqueza exagerada que este conservadorismo sempre manifesta. Uma campanha perigosa.
Há cinco ou seis séculos atrás, o fundamentalismo católico fez-se com as cruzadas contra os infiéis e foi também a negra inquisição que dividia a sociedade em bons e maus, santos e bruxos e combatia esse maniqueísmo com métodos bárbaros. Eis algo que nos envergonha hoje e são sempre elementos de arremesso duro no debate sobre a história da Igreja Católica. Porém, resta salvaguardar que não eram todos os cristãos e todos os grupos de cristãos que assumiam a violência como método principal de conversão e de evangelização do mundo. São muitos os santos e mártires que nesse tempo souberam acolher a mensagem do Evangelho como semente de amor.
Mas, todas as tentativas de retrocesso revestidas de fanatismo que por aí andam, porque contradizem a vontade de Cristo, não passam de uma roupagem idolátrica e anacrónica, que não salva senão os comodismos pessoais dos interesseiros deste mundo e enche o ego de quem gosta de encher o vazio que o assiste com a roupagem da pompa e da circunstância.

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