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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

JOÃO BÉNARD DA COSTA

Alguns permaneceram – e permanecem – católicos. Quase todos deixaram de o ser. Alguns tiveram ainda posições de relevo, como leigos, na Igreja Católica. Quase todos ficaram nas margens d'Ela. “Na expectativa” (en úpomoné, palavra grega donde o termo vem) como um dia disse estar Simone Weil, cujo luminoso ascetismo também tanto nos marcou? Não posso falar por outros. Falo apenas por mim. Agora que tanto narrei, revejo aquele de nós que mais cedo caiu – Cristovam Pavia, que se atirou para debaixo de um comboio em 1968, aos 33 anos – e releio um poema dele. Acabo como comecei com versos. E são estes:
Voltarei à penumbra fresca da igreja
Ancestral, silenciosíssima e vazia,
Aonde está pousado o teu altar:
Doce mãe Maria...
E ajoelhar-me-ei,
E fecharei os olhos sem pensar...
- Que a minha oração nada mais seja:
Basta descansar.
(final de Nós, os vencidos do catolicismo, edições Tenacitas, 2003 / o poema de é do livro 35 Poemas e tem por título A Nossa Senhora)
Foto de Cristovam Pavia

1 comentário:

tukakubana disse...

Belo e profundo pensamento, tão comum aos católicos conscientes e que pretendem e querem ser puros de coração.