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domingo, 21 de novembro de 2010

Papa Bento XVI admite uso do preservativo para travar a sida

20.11.2010 - 17:51 Por António Marujo, com agência
Pela primeira vez na história um Papa admitiu a utilização do preservativo “para reduzir “em certos casos” os riscos de contaminação” do vírus da sida, segundo um livro de entrevistas que será lançado na terça-feira. Excertos foram publicados este sábado no jornal do Vaticano.
O Papa Bento XVI mantém que não considera o preservativo “uma solução verdadeira e moral”, mas admite a sua utilização em casos concretos: “Num ou noutro caso, embora seja utilizado para diminuir o risco de contágio, o preservativo pode ser um primeiro passo na direcção de uma sexualidade vivida de outro modo, mais humana.”A afirmação do Papa surge no livro Luz do Mundo, uma entrevista ao jornalista alemão Peter Seewald, que será publicado terça-feira em Itália e vários outros países. Dia 2 de Dezembro estara à venda em Portugal (ed. Lucerna/Principia). O livro aborda temas como a pedofilia, o celibato dos padres, a ordenação das mulheres e a relação com o Islão, entre outros, o Papa Bento XVI cita o uso de preservativos por prostitutas. “Pode haver casos isolados, como quando prostitutas utilizam um preservativo.
Isso pode ser um primeiro passo para uma moralização, o início da tomada de consciência de que nem tudo é permitido e de que não podemos fazer tudo o que queremos”, afirmou o Papa. “Mas este não é o caminho para se vencer a infecção do HIV. Até agora, o Vaticano bania todas as formas de contracepção, além da abstinência, mesmo como prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.
in Público

Nota da redacção: Estamos perante uma declaração revolucionário e surpreendente. E não venham com tretas. É a primeira vez que alguém com a autoridade que tem na Igreja Católica pronuncia palavras deste género em relação ao uso do preservativo como elemento para combater o Sida. Ainda esta semana num ambiente bem clerical, ousei pronunciar que entre vários cravos que a Igreja tem para arrancar - para ter uma relação mais saudável com o mundo actual - referi que o cravo dos contraceptivos a par da sexualidade seria um deles. Levei outra vez em cima com a doutrina que a Igreja sempre proclama nestas ocasiões, não aceita os contraceptivos para não incentivar à banalização da sexualidade, como se essa banalização já não estivesse bem presente na vida dos homens e mulheres da actualidade. E perante mais este dado, mais razões se encontram para que o preservativo seja uma forma de combate do Sida. Muito bem. A meu ver estamos perante uma revolução e um passo muito forte em frente. Agora que hão-de dizer aqueles e aquelas que sempre foram mais papistas que o Papa nesta questão? Estou para ver e dá-me um certo gozo estas coisas do discurso que se altera consoante a palavra do chefe. Os partidos políticos são assim, mas na Igreja Católica também não é menos. No fundo, o Papa apenas confirma o que Ele bem sabe que já acontece na vida dos povos. Em África não é novidade para ninguém que os religiosos nas comunidades não raras vezes são responsáveis pela distribuição de preservativos para evitar a propagação do contágio. Se assim não for que será do futuro dos povos. Um bem haja ao Papa, porque o seu pronunciamento sobre esta questão, mesmo que tímido, fará muito bem a muitas populações que travam um duro combate contra o Sida e que bem fará este pronunciamento para alívio de consciências a tantos irmãos e irmãs que perante o avanço cruel do Sida que mata indiscriminadamente populações inteiras, especialmente em África. Mais ainda serve ainda o pronunciamento do Papa para que várias pessoas na Igreja sejam reintegradas e não sejam mais olhadas de soslaio (alguns leigos cardeais, bispos, teólogos, padres, e outros), porque ousaram defender esta posição sobre o uso preservativo como elemento para combater o Sida pela via sexual. Em Domingo de Cristo Rei não podíamos ter melhor notícia. Dêmos graças ao Espírito Santo. Por fim, seja como for, de facto, não se pode deixar de saudar este pronunciamento histórico, que só peca por tardio.

JLR

4 comentários:

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

Padre José Luís, foi melhor, mesmo cauteloso, que o Papa permitisse, em certos casos, o uso do preservativo do que estivesse sp a proibí-lo .Desta vez olhou bem para a frente e humanizou-se. Foi melhor que continuar a enfiar a cabeça na areia. E, tal como diz, o P.José Luis abrir-se a outros caminhos e ser mais de integração do que de exclusão. A Igreja de Jesus é assim: de abertura. E a novidade está de perdoar e não condenar os homens e mulheres, que têm muitas vezes comportamentos anómalos. Sem dúvida que foi o Chefe da Igreja Católica que se pronunciou. Mas, agora, vamos esperar por outras evoluções. Tudo a seu tempo. Pq ainda acredito que o Espírito Santo não abandona a sua Igreja.

Susana disse...

As pessoas que aprentam frias e distantes, por vezes são as mais sensíveis e sensatas em relação a temas existenciais e sérios.
As declarações do Santo Padre são um exemplo disso. A vida das pessoas, a sua qualidade de vida é uma questão demasiado séria para ser tratada de ânimo leve pelo representante máximo da Igreja Católica no mundo.
Susana Ramos

Jortas disse...

A sexualidade faz parte do Homem, a Igreja nunca o negou, apenas colocou algumas regras que a vivência em sociedade impõe por si própria. O Papa apenas veio dizer que o uso do preservativo não é o último recurso perante um valor maior: A vida.
Não perceber isto é andar alheado do mundo.
Vivemos uma época de mudança de valores, mas alguns são eternos e ainda bem!

tukakubana disse...

Será que os números dos infectados em África, por exemplo, sensibilizou? Será que os números crescentes na Europa e na América, o tráfico de Mulheres e Crianças para a prostituição, sensibilizou? E qual é o problema, num casal, de usar o preservativo como forma de controlo, não será mais saudável que a pílula cujas causas e efeitos ainda hoje se desconhecem?Ou pensarão que cada vez que um casal tem sexo -nascemos com ele e com tudo o que acarreta!-, se católico, terá de se benzer? Temos de olhar aos tempos, à educação, às doenças e aos valores. Hoje temos o HIV, ontem foi sífilis, o que será amanhã... Felizmente tivemos e temos vozes na Igreja que compreendem os seus fiéis, que conhecem os seus problemas e limitações; que não se calem!