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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A verdade ou falatório de sarjeta...


Igreja Católica

A denúncia de assédio sexual contra o bispo D. Carlos Azevedo está envolta num tremendo mistério. Se for apenas o que tomamos conhecimento pela comunicação social, estamos perante um linchamento de uma pessoa e perante uma situação que a todos deve fazer pensar muito. Porque um dia destes qualquer um pode ser acusado de assédio sexual só porque fez um aperto de mão. Não creio, que o teor das denúncias, se resumam apenas a isto que é dito por todo lado sobre o assédio do bispo que é quase nada. 
Coisas estranhas
O alegado assédio sexual passou-se nos anos 80, só em 2010, o padre denunciante lembrou-se de fazer a denúncia. A Nunciatura não ouviu o acusado, pelo contrário, foi intermediária provavelmente da promoção do bispo acusado, que o levou para o Vaticano, para assumir um importante cargo no domínio da cultura. O comunicado da Comissão Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa não diz nada, nas entrelinhas diz muito e entala ainda mais o bispo acusado. O Patriarcado, na pessoa do Cardeal D. José Policarpo, que se pressupõe conhecer muito bem o Bispo D. Carlos Azevedo, calou-se, empurra a questão com a barriga e diz que o assunto não é seu, mas da Nunciatura. Um imbróglio atabalhoado que entala uma pessoa sem piedade nenhuma.
A seguir fiquei atónito com as declarações de outro bispo D. Januário Torgal Ferreira. São de uma irresponsabilidade horrível e uma falta de lealdade que está nos píncaros da proteção que nestas situações deve existir na camaradagem e na condição de ser colega ou até quiçá amigo. A seguir as declarações do Padre Carreira das Neves também revelam uma imprudência inqualificável. Resumem-se as declarações de um de outro a isto, nada que não se esperasse, confirmou-se o que se falava à boca pequena, que havia assédio sexual e homossexualidade.
Se o assédio consiste numas carícias, palavras, ideias, insinuações, sugestões e alguma prática sexual entre adultos, pressupõe-se tolerância de parte a parte e se algo foi forçado então devia ser considerado crime à integridade física e como tal devia ter sido denunciado à justiça dos tribunais logo de imediato e não ter ficado tanto tempo à espera não se sabe do quê. Não tendo sido denunciado à altura dos factos e só passados tantos anos, há aqui algo de muito esquisito e levanta-me sérias suspeitas de que estamos perante brigas e ciúmes passionais, que resultam em vinganças. Face a isto estamos perante algo que é muito grave vindo de quem vem, figuras eminentes de quem se espera carácter impoluto.
Luta de galos permanente
A seguir tendo em conta as graves declarações de D. Januário Torgal Ferreira, as do Padre Carreira das Neves, o comunicado da Conferência Episcopal, o silêncio da Nunciatura e do padre denunciante, fico com a ideia e penso que uma grande maioria da opinião pública, de que a Igreja Católica em Portugal é um albergue de gente que se alimenta do falatório de uns contra os outros onde não falta a calúnia, a vingança e o desprezo pelo bom nome das pessoas. Dá a ideia que parece existir uma luta de galos que não tem em conta os meios para alcançar os seus fins. D. Carlos Azevedo é um investigador, um intelectual da Igreja Portuguesa, é normal que num clero anormal, porque pobre de cultura, surjam investidas contra os cultos e os que vão construindo um percurso enorme quanto ao seu contributo para o desenvolvimento intelectual da sociedade e da Igreja. A confirmar-se isto, é chegado o tempo de colocar padres e bispos num mega retiro a refletir sobre a vida pouco digna a que está votada a nossa Igreja, que devia antes centrar-se no Evangelho de Jesus de Nazaré, que acolhe os pecadores com a maior das aberturas e com misericórdia incondicional.
Já me tinha dado conta há muito tempo que dentro do clero católico reina a inveja e o rebanho de cordilheiros multiplica-se como cogumelos. O clero na sua maioria hoje, alimenta-se de uma pobreza intelectual e espiritual impressionante. Se tivéssemos gente de alto gabarito intelectual, dedicados à investigação, à leitura e ao estudo não ficaria tempo para a intriga, para a inveja, o falatório de sarjeta e este tipo de denúncias maldosas e vingativas que não se importa com o bom nome das pessoas e das instituições.
Mudança urgente
Não pretendo com isto branquear o que quer que seja. Mais serenidade nas coisas e mais ponderação poderiam salvar-nos a todos destas vergonhas abjetas. Todos devem concentrar-se na vida que se deseja com paz e felicidade, tudo o resto é acessório. E o desprezo que alguns hierarcas vão pregando contra a sexualidade e apontando o celibato como o único ideal de salvação redunda nesta tristeza. 
Por isso, urge que a Igreja Católica venha para a praça e diga claramente, a sexualidade é um bem querido por Deus, faz parte da humanidade inteira, não é um pecado como absurdamente às vezes é defendido, todos os homens e mulheres têm direito a viverem a sua sexualidade como muito bem entenderem dentro das normas elementares do respeito e da saúde. Sem esta mudança urgente nunca deixarão de existir vítimas que dentro e fora da Igreja vão sofrendo o calvário dos desvios tenebrosos que conduzem ao crime ou à desgraça da difamação por qualquer gesto que indicie comportamentos pouco dignos. Esta mudança não é para amanhã é para ontem. 

5 comentários:

Pramos disse...

Bom dia!
Execelente.
PR

rouxinol de Bernardim disse...

«Honi soit qui mal y pense!»

Linchamento execrável, vingança atroz, miserabilismo mental...

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

Que maravilha de texto. É exactamente isso que penso e subscrevo. Não se manda pessoas do "trono" para a sarjeta.A sua posição é a do Evangelho, a dos outros que citou é a da "intriga" e da "inveja".

Cisfranco disse...

Tenho as mesmas dúvidas que o sr tem e gostei o ler.

Amar para além da morte disse...

A maior parte dos "bons cristãos" pensa e diz que não sabe do que se confessar, que não tem pecados graves, porque não mata nem rouba...
Para mim,a difamação é um claro atentado contra o 5.º Mandamento, é MATAR, sim! Portanto, eu acrescentaria à vingança, à calúnia, à inveja e aos outros conceitos contidos no texto, outro: o homicídio (pelo menos, moral).
Nunca mais desaparecerá da cabeça de D. Carlos Azevedo a sombra da dúvida, dentro e fora da hierarquia, dentro e fora da Igreja.
É preciso coragem para denunciar as denúncias mal formadas e mal intencionadas, seja ou não este o caso!