
Entre esta duas
cenas a atenção do filme centra-se na luta de Abraham Lincoln pelo
fim da escravidão, mostrando todo um jogo político para tentar passar no
congresso o projeto de emenda (a famosa 13ª emenda) à constituição que defende que todos os homens
são iguais perante a lei.
Spielberg, ousou mexer no nome mais importante da
história da política norte-americana e coloca-o oferecendo cargos em prol de
votos a favor da emenda, algumas vezes salta-nos a ideia de que parece haver corrupção
e manipulação de consciências, mas ao mesmo tempo ilumina-nos o quanto é nobre
o fim em causa, acabar com a injustiça da opressão e dar lugar à liberdade de
que todos os seres humanos são iguais perante a lei.
É difícil não pensarmos
nos casos actuais de manipulação de votos e de imensos casos de corrupção que
sujam o mundo da política atual. Mas, a meu ver há uma nuance significativa. Esta
distribuição de cargos e a profundidade dos diálogos levados a cabo pelo
presidente para conseguir votos a favor da emenda, têm em vista o interesse de um povo,
de uma sociedade, um fim nobre, coisa que está muito longe dos interesses
pessoas de grupos e de famílias instaladas nas mordomias do poder político. O jogo político de hoje não é favor do povo, mas sujo em benefício de meia dúzia contra a maior do povo. Com Lincoln o povo conta, com a maioria dos políticos atuais o povo são números ou matéria prima para levar adiante as maiores injustiças em seu benefício.
Outro dado deste
presidente é a sua convicção de que «um povo unido pode fazer os maiores sacrifícios». Penso que sim, mas quando esse povo tem à cabeça gente série,
verdadeiros líderes que não atuam unicamente em proveito próprio e em proveito
dos seus apenas. Líderes que têm valores nobres como os da igualdade, da liberdade, da justiça e da paz. Os diálogos onde participa o presidente estão cheios destas palavras.
Um filme
importante e que se reveste de uma actualidade deveras impressionante. Porque, o
que estamos a viver hoje tem muito que ver com estas inquietações. Está em
causa a liberdade, a justiça foi mais que violentada, a igualmente também sofre
imenso e a paz não pode ser possível perante tudo isto que nos conduz a sacrifícios soberbos que passamos, que são bons para uns, mas para outros
continua a irresponsabilidade e as mordomias que as leis desiguais lhes
conferem.
A solidão do poder
em Lincoln, tem que ver com uma luta séria contra a injustiça. Hoje, a solidão
do poder tem que ver com o autismo e com a luta a todo o custo para manter o poder com unhas e dentes, mesmo que isso vote ao pior do sofrimento a maioria de um
povo.
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