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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O arrependimento constante

Mesa da palavra
Comentário à Missa do próximo domingo
3 de Março de 2013 - III Domingo da Quaresma

O arrependimento deve fazer parte de qualquer vida humana. Mas, acima de tudo, deve fazer parte da vida de qualquer pessoa que confesse a sua fé em Jesus Cristo.
Este sentimento humano e cristão é fundamental para identificar-se uma pessoa que vive a dinâmica da proposta apresentada pelo Evangelho de Jesus. Afinal, o que será o arrependimento? – O arrependimento, segundo o dicionário, é o acto ou efeito de arrepender-se; contrição; mudança de opinião. Porém, a palavra arrependimento, conjuga-se a partir do verbo arrepender-se, que significa sentir mágoa, pesar ou mágoa por faltas ou erros cometidos; mudar de parecer ou de propósitos; desdizer-se; retratar-se. Estes elementos permitem-nos melhor assemelhar o desafio de Jesus.
O Cristianismo não inventou o arrependimento, porque o arrependimento é um sentimento humano nem nenhum homem precisa necessariamente da fé para viver o dinamismo do arrependimento. Porém, a convicção de Jesus e a densidade das suas palavras, revelam-nos que mediante a proposta cristã o arrependimento torna-se uma vivência essencial para identificar os que acolhem o desafio da fé na pessoa de Jesus.
Mas, não menosprezamos que o arrependimento deve ser um valor para libertar, salvar e convidar a ser melhor na prática quotidiana para que não tenha razão a denúncia do «Arrependimento Imoral» de Freud quando diz: «O homem a quem o arrependimento, após o pecado, impõe grandes exigências morais, expõe-se à acusação de ter tornado a sua tarefa demasiado fácil. Não praticou o que é essencial na moral, a renúncia; com efeito, o comportamento moral ao longo da vida é exigido em função dos interesses práticos da humanidade. O homem citado recorda-nos os bárbaros das grandes ondas migradoras, que matavam e depois faziam penitência, e para os quais fazer penitência acabou por se tornar uma técnica facilitadora do assassínio» (Sigmund Freud, in 'As Palavras de Freud').
Porém, o mais importante será sabermos que não há pecado nenhum, que mediante o arrependimento, resista à misericórdia de Deus. E também se reconhece a partir da parábola da figueira estéril, que a realidade do pecado torna a vida um peso estéril que não produz nada de bom para ninguém. Por isso, o arrependimento torna-se uma força necessária a todos os homens e, de modo especial, a todos os cristãos, como ideal de conversão eficaz para a descoberta da verdade das palavras e das atitudes em toda a vida.
Muita gente poderá pensar e confessar o seguinte: não mato nem roubo, por isso, não tenho nada para me arrepender. Não é bem assim. Matar e roubar são situações muito graves, mas existem outra, quem sabe se menos graves, mas que não deixam de ser prejudiciais para o bom entendimento entre as pessoas e cortam também a relação com o Deus do amor. Por isso, o cuidado com o nosso interior deve ser uma constante para que sejamos sempre mediação da verdade e da sinceridade para que plantemos no mundo os valores que conduzem à felicidade e à paz para todos. É isto o Reino de Deus construído pelo «fazer» positivo de cada pessoa.

1 comentário:

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

Padre José Luís, Amigo e Irmão, o mundo actual precisa de um grande arrependimento. Uma conversão rápida pq se não vamos desembocar pelas ribanceiras abaixo. Quando vi na televisão que há um magnata que pagará milhões de dólares para que um casal possa fazer a"escalada" para Marte. E haver, segundo últimas notícias, mil milhões de seres humanos que estão na pobreza mais extrema. Que pouca vergonha é esta!Onde está o rasto da nossa humanidade? Saramago não viu nenhum interesse na ida do homem à Lua. E eu ratifico-o. Dizia ele, vamos para a Lua e deixamos o nosso Planeta com milhões dos seus habitantes à fome, sem assistência médica, sem alimentos, sem água potável,sem saneamento básico, sem moradia, sem trabalho, sem ensino, sem divertimentos etc etc. Todo aquele dinheiro daria para matar a fome a esse milhão de seres humanos que carecem de alimentos para sobreviverem.A fim e ao cabo o Evangelho dá-nos um Projecto de Vida interessantíssimo.O Cristianismo não admite inimigos. Somos todos irmãos e irmãs, pq filhos e filhas do mesmo PAI/MÃE,para quem todos os direitos e deveres do Mundo e da Criação, nos seus mais elementares benefícios, são de todos e de todas.O direito ao "maná do mel e do leite" Para mim, o arrependimento está inerente a esta urgente mudança de vida, que modifique esta loucura egoísta e agiotista de uns quererem ser donos e deuses. E o sistema capitalista sente-se dono da Terra.Destruindo todos os seres. Arrependemo-nos de nada fazer, Senhor, para que todos sejam "UM" como TU foste com o PAI/MÃE de modo a que homens e mulheres sejam felizes e herdeiros, já neste Mundo,dos teus benefícios. E que sejamos todos felizes. Mas só em TI, Senhor Jesus!