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sábado, 28 de março de 2015

Passeio pelo mundo

Singelo poema para o fim de semana. Sejam felizes sem prejudicar ninguém...
As sombras abatem-se sobre os desejos
que se frustram perante o sangue derramado
numa crueldade que envergonha todos os deuses
dos povos antigos.
Logo ficamos silenciados perante todo o poder
da palavra que teimosamente soletrava no poema
uma canção.
Que alguns homens cantaram
ao som do vento que vinha do norte e do sul
desordenado cambaleando
como tantas vezes são os sentimentos
que dizemos em tantos nomes desconexos
no sem sentido dos passos
perdidos naquelas tardes da infância pelas ruas
quando fizemos de uma vontade
um passeio pelo mundo.
Nisto muitos pensaram sobre a fome
que pode ser uma solidão ou antes
a singela preocupação de nunca termos
as palavras certas quando o criador
anseia pela visão da mensagem.
Sim. Que deixa de ser nossa
se as coordenadas gramaticais
se ausentam desviadas do pensamento
dizendo arrogantemente deixa-me
em paz sem dono e sem rumo
na possessão privada da morte
e da arrogância da injustiça.

José Luís Rodrigues

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