Convite a quem nos visita

sábado, 31 de outubro de 2015

A cortina do mundo

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém.
Subimos destemidos
as montanhas do mundo
quando os amigos
quiseram sentir a paz e o vento.

Mas entre dois gumes
Estava a luz e o som
cortantes da serra
na ponta dos pinheiros
que os homens antigos
plantaram sobre a mão
entrecortada dos poios toscos.

Chegados ao cume da última visão
mostraram os deuses a cortina
horizontal do nevoeiro denso
e branco deste pensamento
que o poema atesta
pelas palavras desconexas
que a minha vontade
lança sobre a folha despojada
do vazio amigo que morre
na conjugação de cada letra.

Não digo mais além do que vi
mesmo quando tantos outros
tenham orquestrado a maldade
porque inventaram vis
os trilhos solitários
que nos conduzem ao céu
depois do frio e da morte.
José Luís Rodrigues

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O nosso país ensandeceu, mas o mundo também

Agora há estudos que garantem quais são as certezas de tudo e para tudo. Nada de andar a cometer exageros, porque os estudos estão feitos e põem-nos em sentido.  
O mais relevante foi destapado anteontem e pôs alguma humanidade com as calças na mão, sim alguma porque a maior fatia da humanidade não sabe o que é comer pão quanto mais carne.
As carnes transformadas e as carnes vermelhas provocam o cancro. Gostava de saber se alguns destes estudiosos não são donos ou exploradores de algum viveiro de peixe… Logo me cheirou isto a carne esturricada. Mas, como anda tudo doido, não faltará muito a hora em que na embalagem do chouriço e da alheira, no pernil de porco e nas peças da vaca, venha escrito «comer carne mata», exactamente, como vem escrito nos maços de cigarros.
Mas há mais estudos. Ontem, não sabendo hoje que fonte me escarrapachou a notícia de que as mulheres precisam de ter mais do que um marido. Seria interessante sabermos o perfil destes estudiosos e se entre eles não haverá defensores da poliandria ou poligamia… Anda tudo maluco e parece ser normal.
Agora temos esta situação sem estudo, que se saiba. A política maluca que nos desgoverna sabe como ninguém da seguinte notícia, que se não víssemos e não ouvíssemos custaria muito a crermos. Os doentes terão de estar completamente dependentes ou com uma esperança de vida reduzida a três anos para ter acesso a uma pensão de invalidez. São estas as condições do novo regime especial de proteção que entra em vigor a 1 de janeiro de 2016 e que foi publicado no passado dia 20 em Diário da República.
Mau demais. Haverá dinheirinho para quem tenha já agendado a sua morte no prazo de três anos. No mínimo bizarro e ridículo. Mas também não deixaremos de considerar ser profundamente ofensivo para quem sofreu o infortúnio de ter de conviver com alguma mazela que lhe travou a mobilidade e a qualidade de vida.
Anda ou não este país e o mundo completamente perdidos da cabeça?

Meu Deus

Toma-me pela mão;
seguir-te-ei decididamente,
sem muita resistência.
Não me furtarei
a nenhuma das tempestades
que se abaterão sobre mim
nesta vida;
Suportarei o embate
com o melhor de minhas forças.
Mas dá-me, de vez em quando,
um breve instante de paz.
E não acreditarei,
em minha inocência,
que a paz que descer sobre mim
é eterna;
Aceitarei a inquietude
e o combate que se seguirão.
Gosto de demorar-me
no calor e na segurança,
mas não me revoltarei
quando tiver de enfrentar o frio,
desde que me guies pela mão.
Seguir-te-ei por toda parte
E tentarei não ter medo.
Onde quer que eu esteja,
tentarei irradiar um pouco de amor,
desse verdadeiro amor ao próximo
que há em mim. (…)
Não quero ser nada especial.
Quero tão somente tentar
tornar-me aquela que já está em mim,
mas ainda busco seu pleno desabrochar.
Etty Hillesum (1914 – 1943): Jovem holandesa de família judaica, a mística foi voluntária no campo de passagem de Westerbork, quando começou a escrever o seu diário, em 1941. Durante os dois anos em que esteve nos campos de concentração, até à sua morte em Auschwitz, Etty expressava no seu diário as suas angústias e o seu encontro com Deus, demonstrando uma experiência espiritual, relatando o seu testemunho e compartilhando a dor dos horrores do Holocausto. Teve a oportunidade de salvar a si própria, mas decidiu compartilhar o destino do seu povo.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

A Igreja Católica ligada às máquinas

Três figuras, três protagonistas do Sínodo. O Papa Francisco.
Walter Kasper, o chefe dos alinhamentos do sector reformista.
Gerhard Müller, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé,
guardião da ortodoxia e referência do sector conservador.
A Igreja Católica é uma «família» profundamente doente nos tempos que correm. Os laivos de frescura do Papa Francisco não serão eternos e passado o seu efeito virão tempos árduos para a Igreja Católica. Não basta um para fazer a Igreja, mesmo que esse um seja o Papa.
O Papa Francisco colocou o tema da família no centro da reflexão logo no início do seu pontificado. Escutaram toda Igreja. Fizeram uma série de perguntas a todos os católicos e a humanidade de boa vontade. Uma iniciativa inédita e surpreendente.
Fez-se dois Sínodos. Debateram. O diálogo foi aberto até ao máximo. Escutaram testemunhos diferentes. Ouviram as mulheres (poucas, mas algumas lá estiveram e falaram). Alguns casais estiveram presentes (18 casais - se não estou em erro). A maioria dos presentes eram homens, machos celibatários sem nenhuma experiência do que é uma família. Não são pais que nunca deixaram de dormir por causa de um filho que não dorme, chora porque está doente ou tem fome. Não fazem ideia do que é ter que conjugar a vida com outras vidas, uma esposa e filhos e a sogra (como «brincou» o Papa em Filadélfia no encontro com as famílias).
Perante isto tudo aquele grupo enorme de homens, machos, vieram de todo o mundo, alguns são cardeais, outros bispos... Ao que vieram? - Sabemos que vieram confirmar o que toda a gente já sabia. Que há uma doutrina sobre o matrimónio e sobre a família que é intocável. Por isso, o Sínodo não passou de mais conversa (para não dizer paleio e mais paleio) sem carne, sem vida, sem família concreta dos tempos de hoje. Até pode ter tido alguma coisa disso nas palavras do Papa. Mas estava isolado. Foi aplaudido, mas não escutado.
Assim, conclui-se que muitos estiveram lá para se passear com as suas ricas púrpuras. Não levaram nas suas malas, na cabeça e no coração as suas Igrejas concretas e as famílias que as constituem. Não fizeram eco do pulsar daquilo que há hoje por todo o mundo, uma diversidade enorme de ser família. Só algumas figuras da Igreja Católica, porque se tomaram de grande poder do céu e da terra, não se dá conta disso, porque tem medo de um cisma. Porque há uma doutrina intocável. Uma tradição que fizeram ser mais santa do que Deus e a dignidade da vida com o bem maior que é a felicidade das pessoas. Umas leis absurdas que não encontram possibilidade de prática na vida concreta de hoje.
Este grupo reunido em Sínodo prefere que cada um se desenvencilhe perante cada caso e que faça como entender, ou pelo rigor para seguir a linha ou a «santa tradição» (o conservadorismo) ou o encolher de ombros ou a indiferença ou a misericórdia (acolhendo, compreendendo e solucionando) mesmo que por esse caminho estejam sujeitos a serem vítima de serem considerados uns desalinhados revolucionários. Foi este ambiente que o Sínodo semeou. É com mais do mesmo que vamos ter que continuar a viver.
Este resultando medíocre do Sínodo sobre a família, revela-nos uma Igreja Católica enferma, ligada às máquinas, sob uma obsessão que se chama unidade, isto é, o medo do cisma. O último folgo, até ver, chama-se Papa Francisco.
Sinto pena que Roma continue indiferente à indiferença universal que hoje cresce como lume na palha em relação àquilo que prega. Venha daí uma Igreja de Igrejas, onde cada Igreja se organiza e funciona de acordo com as idiossincrasias próprias de cada povo onde está implantada.
Comungo deste sonho do Papa Francisco. 
Mais elementos sobre este tema pode ler nesta análise interessante AQUI. E o seguinte texto também vale a pena. AQUI.

Uma lição ao mundo

A minha homenagem a Luaty Beirão pela sua  inquietude. Coragem. Resistência. O seu exemplo lançou sementes de luta pela justiça que brotarão pujantes nos corações férteis do povo angolano e no mundo inteiro. Os poderosos não vencerão se sempre existirem humanos (gigantes em espírito) que dizem não...
Para Luaty Beirão
Nos olhos da fome consentida
brilha a revolta em um reflexo
dizendo liberdade. A paz. A justiça.

Ao longe sobre os tronos
os poderosos indiferentes
sem pensamento estão cegos de ilusão
comem o domínio do mundo. Do sol. Das nuvens.

Mas certo e seguro incandescente
ficou como exemplo
a resistência que brada ao mundo
e aos céus como pedras duras
que esta fome soltou
em todos os corações
que amam a liberdade
e sonham acordados
todos os dias com a justiça.

É de gigantes sem medo
que o mundo precisa
e mesmo que fragilizados
pela fome do pão
não hesitam contra a mentira
ao mundo dizer não.
José Luís Rodrigues

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Será que há mesmo necessidade?

Há tantas coisas entre nós que se encaixam perfeitamente na designação do Papa Francisco, a «espiritualidade da miragem». Que logo depois o Papa define da seguinte forma, como sendo uma tentação: «podemos caminhar através dos desertos da humanidade não vendo aquilo que realmente existe, mas o que nós gostaríamos de ver; somos capazes de construir visões do mundo, mas não aceitamos aquilo que o Senhor nos coloca diante dos olhos. Uma fé que não sabe radicar-se na vida das pessoas, permanece árida e, em vez de oásis, cria outros desertos» (Homilia do Papa Francisco na missa de encerramento da, XIV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, 25 -10-2015). 
Mas há mais que nos faz pensar e que vem de encontro aos desvios das nossas atenções. Acrescenta mais esta tentação: «Há uma segunda tentação: cair numa «fé de tabela». Podemos caminhar com o povo de Deus, mas temos já a nossa tabela de marcha, onde tudo está previsto: sabemos aonde ir e quanto tempo gastar; todos devem respeitar os nossos ritmos e qualquer inconveniente perturba-nos. Corremos o risco de nos tornarmos como ‘muitos’ do Evangelho que perdem a paciência e repreendem Bartimeu. Pouco antes repreenderam as crianças (cf. 10, 13), agora o mendigo cego: quem incomoda ou não está à altura há que excluí-lo. Jesus, pelo contrário, quer incluir, sobretudo quem está relegado para a margem e grita por Ele. Estes, como Bartimeu, têm fé, porque saber-se necessitado de salvação é a melhor maneira para encontrar Jesus».
Ao mesmo tempo que lia e rezava estas palavras, a rádio dava-me conta que em São Marinho se continua a trabalhar arduamente para conseguir verba para erguer uma estátua a São Martinho. Não se duvida nada que a figura merece, pois é dele que se conta a seguinte lenda.
Num dia frio e chuvoso de inverno, Martinho seguia montado a cavalo quando encontrou um mendigo. Vendo o pedinte a tremer de frio e sem nada que lhe pudesse dar, pegou na espada e cortou o manto ao meio, cobrindo-o com uma das partes. Mais à frente, voltou a encontrar outro mendigo, com quem partilhou a outra metade da capa. Sem nada que o protegesse do frio, Martinho continuou viagem. Diz a lenda que, nesse momento, as nuvens negras desapareceram e o sol surgiu. O bom tempo prolongou-se por três dias.
Na noite seguinte, Cristo apareceu a Martinho num sonho. Usando o manto do mendigo, voltou-se para a multidão de anjos que o acompanhavam e disse em voz alta: «Martinho, cobriu-me com esta veste».
A figura merece muitas estátuas e já haverá muitas em todo o mundo, porque a devoção a São Martinho é grande e universal. Porém, entre nós a lembrança de se levantar uma estátua extra muros da Igreja de São Martinho começa a gerar alguma suspeita. No primeiro anúncio custaria cerca de 30 mil euros, agora já ascende a 100 mil euros e mais acrescentam neste segundo anúncio servirá para homenagear os heróis e as vítimas do 20 de Fevereiro de 2010.
Estão a gozar connosco ou a tomar por brincadeira um acontecimento que vitimou tanta gente, feriu e matou pessoas, desalojou famílias inteiras e algumas delas ainda não foram devidamente ressarcidas pelas perdas que tiveram. As que já estão mais ou menos restabelecidas passaram das boas, mergulhadas em burocracia e a bater em todas as portas do mundo para que pudessem ver luz ao fundo do túnel. Pretendo dizer que as ajudas que tiveram resultaram de muitos sacrifícios, dores e lágrimas.
Só pode ser por brincadeira associar a estátua de São Martinho a uma situação tão grave que se viveu entre nós resultante da bravura da natureza. Se não for um tremendo equívoco então estamos perante um aproveitamento da desgraça alheia, para ganhar simpatia e fazer com que as bolsas dos madeirenses se soltem facilmente para rechear o bolo dos escandalosos 100 mil euros que esta estátua parece vir a custar. Hummm… Será que há gato escondido com o rabo de fora?
Deixo mais esta questão: será que todas as pessoas que foram vítimas do 20 de fevereiro já foram devidamente ajudadas para retomarem as suas vidas com normalidade e todas as famílias que ficaram sem casa já estão realojadas?
E por fim este desejo. Esperemos que as freguesias todas da Madeira não se lembrem de erguer estátuas aos oragos, todos seguramente merecedores de tão elevada distinção. Se assim for as cada vez mais magras carteiras dos madeirenses vão ter que arrotar.

sábado, 24 de outubro de 2015

A paz que veio do vento

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém.
Entre as pedras nas encostas do inverno
nasceram flores absurdamente nas fendas.
Nesses lugares sem terra e tantas vezes sem água
alguém fez húmus fértil sem que se veja.
Então as hastes sumarentas desvelaram cores
sentidas no amor quando abandonei o medo
perante o sentimento da reconciliação.
Sei que as trevas fazem germinar os ódios
sobre as paredes seguras do coração no paraíso
mas sei também que se edificou para sempre
na glória da serra e da cidade para todos
a verdade para toda a humanidade
quando em tudo, por tudo e para tudo
o fim e o princípio sublime é luz da paz.
Nesta visão senti-me despojado pelo tempo
que se fez passar numa brisa fria pelo chão
para que nessa hora me consolasse a certeza
que estava livre e vivia em pleno vento.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A política exclusivamente católica é perigosa

Não raras vezes ouve-se dizer de algumas pessoas assumidamente de direita que «é preciso endireitar isto» e acrescentam, «mas para a direita». Muitas vezes os sentimentos e os pronunciamentos de muitos responsáveis católicos vão neste sentido. O teólogo Leonardo Boff disse-o com toda a clareza: «A Igreja sempre fez política, pois está na sociedade. Mas fez política de direita». Obviamente, que a realidade ilustra com toda a clareza esta constatação, sempre que algumas figuras da Igreja, nomeadamente, os bispos e cardeais ainda em funções, se tomam partido, é sempre por partidos de direita. Entre nós temos tido exemplos destes que sobejam.
Antes de me adiantar na reflexão quero clarificar que se faço esta leitura e se a realidade a comprova, não pretendo dizer, que estaria bem se tal opção fosse ao centro ou à esquerda. A equidistância partidária da Igreja deve ser o que se espera, aliás, até porque a lei assim a consagra.
Obviamente, que a prática torna-se muito difícil quando a realidade se impõe. Por isso, não quero dizer que cada membro da Igreja, mesmo que tenha menos ou mais responsabilidades dentro da Igreja Católica, faça os seus pronunciamentos sempre em função dos mais fracos, dos pobres e dos mais necessitados de ajuda material ou outra. Até podem fazer tais pronunciamentos defendendo a direita num determinado momento se essa direita aplica medidas e políticas que vão ao encontro das pessoas em geral, particularmente, os mais vulneráveis. A justiça deve ser o barómetro que orienta os passos de quem é católico.
Não é o que temos tido um exemplo para que mereça qualquer defesa venha de onde vier. O ataque aos indefesos pensionistas, a política da caridade baseada na distribuição de sopas e o esquecimento do ensino público, derramando milhões de euros sobre o ensino privado, algum dele bem conotado com o catolicismo, não são exemplo de que este seja o caminho da justiça e do bem comum. Esta política merece ser denunciada e posta a nu, porque violenta os direitos das pessoas e insulta a sua dignidade. Alguns altos responsáveis católicos nutrem simpatia pela política que vai neste sentido. Mas não é esta a vertente mais evangélica, porque é uma política em função das classes mais abastadas da sociedade.
Por isso, ainda hoje se alimenta o sonho de que deviam surgir partidos católicos. Não deve ser este o caminho. Em todos os partidos devem estar católicos que defendam os interesses gerais, não os interesses católicos.    
O desejo deve ser que a política partidária tenha católicos, que seguem o ideal de Jesus de Nazaré, defendem os frágeis, porque os pobres são o centro da sua acção e dos seus discursos. Não se inibem de promover políticas para o bem de todos. Jesus não veio angariar cristãos como se fossem adeptos, mas veio dizer a todas as pessoas que sejam solidárias, amigas, compassivas, vivam com ética, com todos os valores humanos e espirituais que fazem crescer uma sociedade na alegria e na festa dignidade. Esta é a vontade Deus e o bem do reino que Jesus anunciou e começou. Esta é a política católica que se deseja para todas as sociedades. Com outros contornos toda a política, mesmo que travestida de profundamente católica, acaba sendo perigosa. 

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A inesperada irresponsabilidade branqueadora

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fez canalizar sobre si mesmo os holofotes da polémica com o discurso proferido esta quarta-feira, 21 de Outubro, durante o Congresso Mundial Sionista, em Jerusalém. Netanyahu acusou o Grande Mufti de Jerusalém durante o período que antecedeu e sucedeu à Segunda Grande Guerra, Haj Amin al-Husseini, de ter inspirado o Holocausto. Por isso, disse o seguinte: «Na altura Hitler não queria exterminar os judeus, ele queria expulsar os judeus. E foi Haj Amin al-Husseini quem disse a Hitler: ‘Se queres expulsá-los eles virão todos para aqui (Palestina)’». Netanyahu acrescentou ainda que al-Husseini terá sugerido a Hitler que deveria «queimá-los».
Este branqueamento é grave, ainda mais sendo feito por um líder judeu. Não me choca que o Primeiro-ministro judeu faça propaganda junto do seu povo para ganhar adeptos para manter o seu conflito com o povo palestiniano, mas que o faça com a verdade, mais ainda se recorre à história para fazer a sua propaganda e, especialmente, a este período negro da história da humanidade.
A alusão que faz ao período do holocausto e ao seu protagonista mor, Adolfo Hitler, com esta ligeireza ofende toda a humanidade e particularmente o seu povo, porque foi ele a principal vítima de Hitler e do seu sanguinário e criminoso regime político. O ódio do passado não pode ser alimento para justificar qualquer espécie de ódio no presente.
Nesta altura o clima de tensão entre palestinianos e israelitas está ao rubro. O Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, sente frequentemente necessidade de justificar a sua política, também ela criminosa e odiosa contra os palestinianos, mesmo que para tal tenha que branquear o ódio de Hitler e canalizar para o povo árabe todos os males do mundo, os presentes e os passados. Não parece ter qualquer valor que procedendo assim ofende a humanidade e manifesta a maior irresponsabilidade como governante.
Não acredito que o Primeiro-ministro desconheça o que foi o holocausto nazi e que não tenha conhecimento de que o genocídio nazi contra os judeus foi parte de um conjunto mais amplo de actos de opressão e de assassinatos em massa cometidos contra vários grupos étnicos, políticos e sociais na Europa. Entre as principais vítimas não-judias do genocídio estão ciganos, poloneses,  comunistas, homossexuais, prisioneiros de guerra soviéticos e deficientes físicos e mentais. A mortandade do genocídio está estimada num total de cerca de 11 milhões de pessoas intencionalmente mortas às ordens do «santo» que Netanyahu agora pretende beatificar.
O mundo anda esquisito e a humanidade ao invés de avançar, parece regredir. Aos líderes políticos, exige-se que se concentrem na promoção da paz e que nenhum interesse geoestratégico justifique branqueamentos irresponsáveis. Espero, porém, que os povos se mantenham serenos e que democraticamente sejam sábios, aplicando democraticamente o devido correctivo à ligeireza dos seus governantes.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

As mulheres falaram grosso no Sínodo sobre a família

Eis alguns trechos da intervenção da historiadora italiana Lucetta Scaraffia na sessão plenária do Sínodo dos bispos sobre a família, na última sexta-feira, 16 de outubro. Scaraffia é membro do Comité Italiano de Bioética e professora da Universidade La Sapienza de Roma. O artigo foi publicado no jornal Il Messaggero.
Para bom entendedor...
«Vocês, de fato, falam muito frequentemente de uma família abstrata, uma família perfeita, mas que não existe, uma família que não tem nada a ver com as famílias de verdade que Jesus encontra ou de que fala».
Mas como não pode ser assim, se aqueles que falam de família não têm experiência nenhuma de família? 

Esta mulher deu um forte abanão no Sínodo sobre a família… Merece ser lido com atenção AQUI
Destaco o seguinte: «As famílias no mundo são muito diferentes, mas em todas são as mulheres que desempenham o papel mais importante e decisivo para garantir a sua solidez e durabilidade. E, quando se fala de famílias, não se deveria falar sempre e só de matrimónio: está crescendo o número de famílias compostas por uma mãe sozinha e pelos seus filhos».
E ainda: «Para fazer isso, porém, ela precisa escutar a realidade e os sujeitos reais da família, isto é, os homens e as mulheres: homens e mulheres de verdade, mas especialmente mulheres que viveram e refletiram sobre a grande mudança do papel feminino no último século, uma das razões fundamentais da crise da família.
Uma família tão perfeita que parece quase não precisar da sua misericórdia, nem da sua palavra: «Eu não vim para os sãos, mas sim para os doentes, não para os justos, mas sim para os pecadores».

Carros no Porto do Funchal barcos no Areeiro

Faz algum sentido isto?
Muito estranho e anormal. Algum francelho – nome atribuído a uma ave de rapina na Ilha da Madeira - esfomeado que anda para ali.
Porque não vai o Museu para a Fortaleza de São Lourenço, onde andam a montar tendas cravadas na cantaria para festanças ou para a Fortaleza do Pico, que depois de entregue à região está votada ao abandono, vandalizada, viveiro de ratos e outras misérias? - Vamos lá centrar-se no bom senso lá para os lados da Quinta Vigia e arredores.  

terça-feira, 20 de outubro de 2015

A flor da honestidade

Conta-se que por volta do ano 250 A.C., na China antiga, um príncipe da região norte do país estava às vésperas de ser coroado imperador mas, de acordo com a lei, ele deveria se casar. Sabendo disso, ele resolveu fazer uma "disputa" entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna da sua proposta.
No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e lançaria um desafio. 
Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que q sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.
Ao chegar a casa e relatar o facto a jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração, e indagou incrédula: - Minha filha, o que farás lá? Estarão presentes, as mais belas e ricas moças da corte.
Tire essa ideia insensata da cabeça, eu sei que tu deves estar sofrendo, mas não tornes o sofrimento uma loucura. E a filha respondeu: - Não, querida mãe, não estou sofrendo e muito menos louca, eu sei que jamais poderei ser a escolhida,  mas é a minha  oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do príncipe, isto já me torna feliz.
À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de facto, todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, com as mais belas joias e com as mais determinadas intenções. Então, finalmente, o príncipe anunciou o desafio: - Darei a cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura imperatriz da China.
A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizava muito a especialidade de "cultivar" algo. O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura a sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse na mesma extensão do seu amor, ela não precisava se preocupar com o resultado. Passaram-se três meses e nada surgiu.
A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido. Dia após dia. Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado. Consciente do seu esforço e dedicação a moça comunicou a sua mãe que, independente das circunstâncias voltaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe. 
Na hora marcada estava lá, com o seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores. Ela estava admirada, nunca havia presenciado tão bela cena. 
Finalmente chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa.
As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque ele tinha escolhido justamente aquela que nada tinha cultivado. Então, calmamente o príncipe esclareceu:
- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz: A flor da honestidade. Pois todas as sementes que entreguei eram estéreis. Se para vencer, estiver em jogo a tua honestidade, perde. Serás sempre um vencedor.
Assim se pode concluir: "A esperança é o sonho daqueles que estão acordados" ou "nunca desistas, se desistires nunca serás derrotado, porque as derrotas também adoçam e embelezam a vida". O pensamento positivo deve fazer parte da vida todos  os dias.

sábado, 17 de outubro de 2015

Travar a pobreza que ameaça 2,8 milhões de portugueses

O Tema para o Dia Mundial da Erradicação da Miséria 2015 é o seguinte: «Construir um futuro sustentável unindo-se para acabar com a pobreza e a discriminação»

No país, Portugal, onde se anunciou até à saciedade que estava melhor, somos confrontados com a dura realidade que entre nós há quase 3 milhões de pobres. No dia mundial da erradicação da pobreza, somos convidados a pensar que nunca poderá existir um mundo sustentável enquanto subsistirem a pobreza e a discriminação, e enquanto os direitos humanos continuarem a ser violados. Um mundo sustentável nunca põe ninguém de lado nem deixa ninguém para trás. Este dia servirá para que tomemos séria consciência que os bens deste mundo estão destinados a todos e que nada há mais do que seguro neste mundo é que estamos aqui a prazo e que as riquezas acumulados servirão enquanto esse prazo não terminar. Se este dia servir para tomarmos consciência de que o egoísmo e a ganância são dos sentimentos mais miseráveis e inúteis que existe, já valeu a pena. Por isso, que sirva para nos convertermos à riqueza da igualdade e ao valor de que o mundo será mais feliz se a todos estiverem destinadas oportunidades iguais.   
O dia 17 de Outubro é, desde 2000, dedicado pelas Nações Unidas a promover a consciencialização sobre a necessidade de erradicar a pobreza e a miséria em todo o mundo. Não deixem de ver e ouvir estes números bem reveladores do desarranjo em que está o nosso mundo. Carregar AQUI. Muito bom...
O Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza celebra-se a 17 de outubro. A data foi comemorada oficialmente pela primeira vez em 1992, com o objetivo de alertar a população para a necessidade de defender um direito básico do ser humano. 
Antes, a 17 de outubro de 1987,  Joseph Wresinski, o fundador do Movimento Internacional ATD Quarto Mundo, convidou as pessoas a se reunirem em honra das vítimas da fome e da pobreza em Paris, no local onde tinha sido assinada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ao seu apelo responderam cem mil pessoas. 
A erradicação da pobreza e da fome é um dos oito objetivos de desenvolvimento do milénio, definidos no ano de 2000 por 193 países membros das Nações Unidas e várias organizações internacionais. Neste dia dá-se voz aos pobres e unem-se esforços para acabar com a pobreza.
Pobreza em Portugal
Em Portugal, o número de pobres e de pessoas que passam fome tem vindo a aumentar, em resultado da crise. As instituições de apoio e caridade social têm registado um aumento significativo do número de pedidos de apoio por parte das famílias portuguesas.
Segundo dados revelados pela Rede Europeia Anti-Pobreza, 18% dos portugueses são pobres. De acordo com esta organização, o número europeu que serve de referência para definir a pobreza equivale a um vencimento mínimo mensal de 406 euros.
Portugal surge na 141ª posição do top dos países mais pobres do mundo, com um PIB (PPC) per capita de 23,185 dólares. 
Pobreza no mundo
Dados revelados pela UNESCO indicam que 842 milhões de pessoas continuaram a sofrer de fome crónica entre 2011 e 2013.
A pobreza está a diminuir a uma taxa sem precedentes. Em 1990, 43% da população mundial vivia em pobreza extrema, com menos de 1,25 dólares por dia. Este número reduziu para 21%, mas há ainda muito trabalho pela frente, especialmente no continente africano.
10 países mais pobres do mundo
República Democrática do Congo 
Zimbabwe
Burundi
Libéria 
Eritreia 
República da África Central 
Níger 
Malawi 
Madagáscar
Afeganistão
In Calendarr Portugal
 Em Portugal:
A Rede Anti Pobreza (EAPN) em Portugal exige “uma estratégia nacional” para a “erradicação” de um problema que, segundo as últimas estatísticas, ameaça actualmente 2,8 milhões de pessoas, 30 por cento da população do país.
No contexto do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, o organismo sublinha “a urgência de travar este flagelo” e chama à responsabilidade o sector político, “que não pode, de forma nenhuma, alegar desconhecimento para a falta de acção”.
“Se olharmos apenas para os números, sabendo que é preciso ir muito para além deles, ficaremos assustados com as crianças que, em Portugal, se encontram em risco de pobreza e ou exclusão social; e ficamos igualmente assustados com os números da emigração e com os números do desemprego jovem”, realça a organização.
De acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística, cerca de 2,8 milhões de portugueses convivem hoje com o risco de pobreza ou de exclusão social.
In Agência Ecclesia

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

A vergonha da falta de alimentos

Hoje 16 de outubro é o dia mundial da alimentação.
A 20 de novembro de 2014, o Papa Francisco visitou a sede da FAO (Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas), em Roma, por ocasião da Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição
Durante seu discurso, o Papa disse que «o direito à alimentação só será garantido se nos preocuparmos com o sujeito real, ou seja, com a pessoa que sofre os efeitos da fome e da desnutrição». São estas pessoas que nos pedem algo simples, «a dignidade, não esmola».
O discurso do Papa centrou-se no valor da pessoa humana, na solidariedade, na ecologia e denunciou as pressões e económicas que existem em vários países para que não se disponibilizem alimentos para todos.
É uma vergonha da para o mundo que exista alguém que morra de fome. Que este dia sirva para tomarmos consciência disso e para sabermos dar graças a Deus todos os dias, porque felizmente há comida suficiente ao nosso redor. Não há nada de mais triste que é ter fome e não ter comida para matar essa fome.
Destaco o seguinte: «Penso na nossa irmã e mãe Terra, o Planeta. Devemos ser livres de pressões políticas e económicas para cuidar dela, para evitar que se auto-destrua. Lembro-me da frase que escutei uma vez de um ancião há muitos anos: ‘Deus perdoa sempre, os homens às vezes, a Terra nunca’. É preciso cuidar da irmã e mãe Terra para que ela não responda com a destruição».

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Os medos da Igreja Católica em Portugal

Até a Igreja treme com a hipótese de vir uma coligação de esquerda. Isto está cada vez mais divertido.
O Cardeal Clemente falou e disse isto entre outras coisas: «Juntando essa coligação ao PS isto forma uma grande maioria no próximo Parlamento. Parece-me mais natural que o acordo surja dentro deste conjunto do que fora deste conjunto» (Rádio Renascença). Ah sim, engana-se redondamente sr. Cardeal, essa é uma possibilidade, mas há mais…
O Sr. Cardeal, está preocupado que se faça uma maioria à esquerda no Parlamento. Deve achar que ainda estamos nos tempos do PREC e nos anos a seguir em que a Igreja Católica fez o trabalho sujo de uma «catequese» em que se diabolizava os comunistas e tudo o que fosse da esquerda. Os tempos são outros e vivemos numa democracia mais ou menos consolidada. Por isso, sr. Cardeal, acreditemos que nesse âmbito, há muitas alternativas e que todas elas são legítimas se resultam da vontade eleitoral. Nada de medos, a não ser que a Igreja Portuguesa esteja seriamente comprometida com esta coligação. O que me parece ser esse o seu medo e de muitos bispos de Portugal. No meu caso, continuo divertido e agora ainda mais depois dos seus receios e da sua jogada pela direita. 

A coragem da mudança na Igreja Católica

O Sínodo sobre a família...
À medida que o Sínodo vai decorrendo, vão surgindo alguns sinais de divergência e mesmo que o esforço de manter tudo encerrado nas paredes da sala onde decorrem os trabalhos, vamos tomando conta de que o papa Francisco tenta mover uma enorme montanha, a Igreja Católica. As suas mãos estão totalmente disponíveis para que a montanha se mova, as outras mãos, aquelas que deveriam estar também disponíveis para colaborar nessa grande tarefa, parece, que empurram para trás.
Porém, o Papa, melhor do que ninguém, sabe que não é fácil enfrentar uma instituição cimentada em alicerces seculares. Eles são há uma plêiade de religiosos que vivem confortavelmente em comunidade ricas e luxuosas. Eles são o clero aburguesado que não estuda e que não sai da catequese mais corriqueira. Eles são as mulheres podem receber todos os Sacramentos, que são sete, menos o Sacramento da Ordem, o sacerdócio para as mulheres está vedado numa Igreja que não se cansa de pregar a inclusão, mas que exclui desumanamente e cristamente. Eles são os leigos que vivem num infantilismo confrangedor a sua fé e a base mais visível da pastoral está exclusivamente no devocionismo. Eles são preconceitos graves contra a homossexualidade e temo que em muitas franjas da Igreja Católica exista uma homofobia horrível, que exclui e estigmatiza muitos homens e mulheres em todo mundo. Eles são também o facto de reinar uma insensibilidade perante aquilo que se designa hoje «os pecados sociais»: a injustiça, a corrupção, a desigualdade, a pobreza, a ecologia, as migrações (refugiados) e todas as situações/desafios deste nosso tempo que deviam ser a principal preocupação de toda a Igreja para que se fizesse jus à magnífica expressão do Concílio Vaticano II quando fala dos «Sinais dos Tempos».
Por um lado, as manifestações contra qualquer sinal de mudança da Igreja, da sua doutrina e do seu modus vivendi, fazem corrermos o risco de caminharmos na Europa para um número cada vez menor de Católicos. Parece que o número de padres que morrem na Europa é mais elevado do que o número dos que chegam ao sacerdócio. E lá sabe Deus os que chegam como são, o que pensam e como procedem. Mas deixemos isso para outros momentos e quiçá para gente mais abalizada do que nós para aferir dessa realidade.
Mas, por outro, também devemos dizer honestamente que a continuarmos assim, vai acentuar-se em todo o mundo a ideia de que aquilo que Roma prega não é praticado pela maioria dos fiéis, como está bem claro no caso da doutrina sobre a sexualidade, particularmente, no que diz respeito aos contraceptivos. Em todo o caso nada está perdido, se existir coragem e muitos seguirem os passos do Papa Francisco, que procura responder a todas as situações com a Palavra de Jesus e com a mais pura naturalidade faz como Jesus faria se estivesse em carne e osso no meio de nós neste século.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

O que fazer perante o desconhecimento geral?

Sínodo sobre a família...
Está acontecer o Sínodo dos bispos em Roma à volta do Papa Francisco. Tem como tema a família. Obviamente, que para a comunicação social em geral, tem importância este acontecimento se existir alguma novidade ou nenhuma novidade relativamente às questões que se convencionou designar de fraturantes. Elas são a comunhão dos casados em segundas relações matrimoniais, os que vivem em união de facto, os casamentos gays e tudo o que ande à volta destes assuntos da vida actual.
Mas, por hora não me vou dedicar a estas matérias. Já cansa tudo o que se vai dizendo sem adiantar nada sobre cada uma delas. E sobretudo, cansa o que anda na cabeça de uma grande parte da Igreja Católica que impõe doutrina, regras e dogmas inalterados, mesmo que a realidade diga totalmente o seu contrário. Mantem-se uma teimosia tola. Não se quer ver a realidade. Ora vejam só, lá estou outra vez a dar voltas.
O assunto que me trás por cá hoje neste banquete está relacionado com a pequena sondagem que cada um de nós pode fazer no meio onde se delicia com a grandeza da vida. Levante-se da sua cadeira, pergunte a algumas pessoas se sabem o que é o Sínodo dos bispos e que neste momento está a decorrer um em Roma, no Vaticano, cujo tema é a família. São mais que interessantes as respostas.
Há um desconhecimento geral. Alguns ainda dizem que ouviram falar qualquer coisa nas notícias. Mas que não perceberam nada. Porém, quisemos ir mais longe e perguntar concretamente a casais a quem diz respeito o assunto da comunhão e do acesso aos sacramentos, recebo vários encolher de ombros e vários sorrisos de compaixão, para não dizer de divertimento. A maior parte dos católicos não sabe o que é um Sínodo, não querem saber e muito menos estão atentos ao que está a ser discutido neste Sínodo sobre a família concretamente.
Mesmo que das cabeças pensantes do Sínodo não saia nada de novo quanto aos casais que passam pela experiência dolorosa da separação matrimonial, nada se vai alterar, não virá mal maior ao mundo. As pessoas irão continuar a desfazer as suas vidas e refazê-las como muito bem entenderem. Porque a prática geral é que as pessoas pouco ou anda ligam ao que a Igreja diz sobre estes assuntos hoje. Tomam as suas opções sem nenhuma preocupação quanto ao que está definido na doutrina da Igreja. Se algum padre se atreve a recusar ou impor regras, dogmas e doutrina, cai no ridículo e no descrédito geral, ganhando por isso a pior fama do mundo.
Continuamos sob a espada de Dâmocles. Há a doutrina que ano após anos vai sendo continuamente reafirmada e confirmada pelos Papas e pelos bispos, que estão a leste da realidade concreta das pessoas de cada tempo (à excepção do Papa Francisco que parece ter um conhecimento extraordinário da vida concreta da humanidade dos tempos de hoje, contrariamente, à máquina que se instala nos corredores ancestrais do Vaticano e nas lideranças das Dioceses de todo o mundo).
Porém, quem está nos meandros concretos do pulsar da vida das pessoas todos os dias, vê-se confrontado com a realidade, sobre a sua cabeça está a doutrina inabalável, que os dignatários eclesiásticos que se dizem inspirados pelo Espírito Santo, pretendem que seja falada e aplicada para tanta gente que hoje a recusa, porque diz entender viver como lhe apetecer, mesmo que tenha uma prática religiosa católica irrepreensível, mas que entende recusar ditames que não lhes dizem nada.  
Por tudo isto, no meu simples ver e acreditar, partindo do pulsar concreto da vida, bom seria que a Igreja estivesse mais concentrada a seguir o exemplo de Cristo a partir do Evangelho. O paleio que se vai fazendo ecoar para pouco vai servindo. Por isso, poderia ser melhor uma Igreja que caminha ao jeito de cada pessoa sem regras que excluem nem muito menos que façam passar a ideia de que há cristãos de segunda e cristãos de primeira.

Oração de Santo Tomás de Aquino pela luz nos estudos

Uma das figuras do cristianismo mais proeminentes da história da teologia e da filosofia, ensina nesta oração a pedir a Deus a graça da aprendizagem. Serve de inspiração esta forma de oração para muitos jovens que iniciaram há pouco tempo o novo ano lectivo. Esperemos que se deixe guiar pela beleza desta oração.
Infalível Criador,
que, dos tesouros da Vossa sabedoria,
tirastes as hierarquias dos anjos,
colocando-as com ordem admirável no céu;
Vós, que distribuístes o universo com encantadora harmonia;
Vós, que sois a verdadeira fonte da luz
e o princípio supremo da sabedoria,
difundi sobre as trevas da minha mente o raio do esplendor,
removendo as duplas trevas nas quais nasci:
o pecado e a ignorância.
Vós, que tornastes fecunda a língua das crianças,
tornai erudita a minha língua
e espalhai sobre os meus lábios a vossa bênção.
Concedei-me a agudeza de entender,
a capacidade de reter,
a subtileza de relevar,
a facilidade de aprender,
a graça abundante de falar e de escrever.
Ensinai-me a começar,
regei-me no continuar e no perseverar até o término.
Vós, que sois verdadeiro Deus e verdadeiro homem,
que viveis e reinais pelos séculos dos séculos.
Amém. 
In Aleteia

sábado, 10 de outubro de 2015

Ensaio das origens

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem nunca prejudicar ninguém.
Num risco apenas os homens fizeram
a serpenteante vereda com pés descalços
útil na beira dos poços e nos abismos
a cortar poios e paredes para todos
no meio de cerejeiras, pereiros e pereiras
mas também vegetação daninha
silvados, carquejas, urzes e fenos…
Mas porém os meus passos em volta
viram o sol e a chuva bater no rosto
andante nos lombos e nos vales
do sítio da Cova Grande ou Pequena
da Achada de Cima e de Baixo
nos lados do Pomar Novo onde nasci
quando na estação devida os melros cantaram
que estes dias foram o melhor do tempo
porque os vi serenos poisar na minha mão.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Prémio Nobel da Paz 2015

 O prémio Nobel de 2015, vai se entregue a uma organização que tem o seguinte nome: «Quarteto do Diálogo Nacional da Tunísia».
Melhor é impossível. Deixa de fora toda a catrefada de políticos que todos os anos são apontados para receberem este galardão. Tantas vezes responsáveis por grandes injustiças a fazerem tanto mal a este mundo. São eles responsáveis de governos que alimentam o negócio das armas e políticas de austeridade que conduzem o seu povo e outros povos à miséria em nome do vil metal, o dinheiro.
Por isso, ainda bem que tanto o ano passado como este ano a Academia Sueca, está a considerar figuras menores e instituições, isto é, menos conhecidas. Em 2014, os vencedores do Nobel da Paz foram o indiano Kailash Satyarthi e a paquistanesa Malala Yousafzay, "pela sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação". Este ano vemos ser contemplado um grupo de pessoas pela sua luta em nome da paz e da democracia plural na Tunísia. Por isso ficou dito: «pela sua decisiva contribuição para a construção de uma democracia pluralista no país durante a revolução de 2011». Só posso dizer, BRAVO. E que continuem com o espírito de São Francisco de Assis como reza a seguir a sua oração. Que outros grupos com o mesmo espírito floresçam em todo o mundo, é para isso que serve este prémio.
Oração da paz - Oração de S. Francisco de Assis
Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz;
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé;
Onde houver erros, que eu leve a verdade;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei com que eu procure mais consolar,
que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado;
Pois é dando que se recebe;
É perdoando, que se é perdoado;
E é morrendo que se vive para a vida eterna.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Parece que eu gosto desta confusão

Só porque ela é democrática. Resultou da vontade popular. Quem não gosta não entende patavina de democracia. Aos autores envolvidos nesta trama, pede-se que sejam verdadeiramente dramáticos, que assumam as suas responsabilidades, dialoguem cada lei, cada medida, cada palavra, cada atitude que implique o bem comum.
Este é um momento importante para o nosso país, eu diria sem qualquer tremeluzir de vergonha que é um momento de graça, um dom dos céus. Porque veio pôr à prova como anda o espírito democrático da nação. A ver vamos se os principais responsáveis para uma solução nesta denominada confusão, estão a altura das suas responsabilidades. O eleitorado enviou essa mensagem, ela deve ser respeitada e tomada a sério.
Pelo lado do inábil Presidente da República pouco ou nada se espere. Já demonstrou não ter percebido nada nem muito menos está disposto a respeitar a vontade popular. A este só lhe importa o que vê. Não faz leituras, não se compromete, não suja as mãos, faz de conta que decide, fica calado perante a gravidade das coisas, empurra para os outros o que implique compromisso. Deste Presidente da República alguém já disse e parece ser verdade: «só aumenta a confusão». Há muito tempo que sei deste filme e vejo-o em muitos espelhos que vieram do Algarve para cima.
Porém, diante das várias conversações vou encontrando algum divertimento. É irónico que aqueles que seriam a fonte da instabilidade se tenham convertido agora no bordão da estabilidade, porque os salvadores naturais dessa estabilidade não conseguem por si sós segurar o bem deste mundo. Pela boca morre o peixe. Por aí se vê a inteligência do eleitorado e a lição que procurar passar aos políticos.
Por isso, quando digo que sou tomado pelo acesso de que «parece que gosto desta confusão», justifico-me na frase de Albert Einstein: «No meio da confusão, encontre a simplicidade. A partir da discórdia, encontre a harmonia. No meio da dificuldade reside a oportunidade». Tomara termos um Presidente amigo dos portugueses e que tomasse a sério esta realidade. Mas não contem que dali venha algo de bom para nós. Esperemos por último que outros imbuídos de alguma lucidez abdiquem de interesses mesquinhos e se coloquem ao dispor do interesse comum que traga benefícios para todos os portugueses.
Esta é uma oportunidade que deve ser tomada seriamente por todos. Porque esta situação veio demonstrar que o sistema democrático tem múltiplas possibilidades desde que o diálogo não seja dispensado por nenhuma força que o compõe.