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quarta-feira, 13 de julho de 2016

Marta e Maria: a inquietação e a melhor parte

Comentário ao domingo XVI tempo comum. Pode servir a quem vai habitualmente à missa, mas não só...
Os textos da missa deste fim de semana têm como figuras principais duas mulheres. Duas irmãs amigas chegadas de Jesus. Duas discípulas e apostolas de Jesus, não tenho dúvidas nenhumas. Vamos pensar nas duas atitudes que ambas revelam, diferentes em cada uma. 
Antes de mais permitam-me relembrar previamente que o discípulo é aquele que se senta aos pés do Mestre para o escutar e contemplar. Obviamente, que alguns considerarão logo que esse papel foi realizado logo por Maria. Porém, os tempos ensinaram que o discípulo também é aquele que é enviado e que se empenha atarefadamente em todas as lides pastorais que o discipulado implica. Obviamente, que alguns considerarão que Marta reúne todas estas condições. Conclusão, ambas são discípulas. Ambas são apostolas. 
Marta
Marta é o apóstolo, encarregado da comunidade a quem Jesus aplica estas palavras: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas». É ela inquieta com muitas coisas, a trabalhar incansavelmente pelo bem dos outros, para que não lhes falte o pão, a roupa e as condições necessárias para estarem bem e em paz. Marta, a irmã de Lázaro, personifica todos aqueles e aquelas que lutam diariamente por um mundo mais justo, casas condignas e todos os ambientes onde nós precisamos de passar e de estar na construção da existência neste mundo.
Marta, a mulher discípula ou apostola de Jesus, é aquela que recebe Jesus em casa, confiando-lhe do melhor que tem, por isso, o ministério de Marta reflecte o que todos deviam fazer, inquietar-se e atarefar-se para que nas suas ações acolham a Cristo e O sirvam, e que O assistam nos seus membros, os doentes, os pobres, os viajantes e os peregrinos. Não gosto de ler Marta como aquela que escolhe a pior parte e que tantos defendem ter levado uma repreensão de Jesus.
Maria
Maria, é a discípula ou apostola, que se sentou aos pés do Mestre, que escuta e contempla. Nada igualmente de somenos. Mas também importante e cheio de valor para a vida e para mundo. 
Enquanto uns realizam as atividades indispensáveis, Maria permanece em repouso, conhece «como é bom o Senhor» (Sl 33,9). Imagino esta mulher sentada aos pés de Jesus, com um coração maior que o mundo, apaixonada por Jesus, cheia de paz, sem Dele desviar os olhos, e como brilham os seus olhos, atenta às suas palavras, maravilhada com o Seu belo rosto e com as suas divinas palavras: «És o mais belo entre os filhos do homem; nos teus lábios se derramou a graça» (Sl 44,3). Um momento onde se pode considerar, como é tão belo Deus entre os seus anjos na sua glória. 
Maria vestida de alegria, maravilha-se, dando graças, escolheu a melhor parte. São felizes as mãos que trabalham, mas igualmente, são felizes os olhos que contemplam e os ouvidos que ouvem as palavras doces do amor que animam a vida para a felicidade. Podemos todos sermos felizes igualmente se ouvirmos o bater do coração de Deus, nesse lugar do silêncio onde convém estarmos presentes em jubilosa esperança. A vida faz-se no trabalho, mas também se faz no silêncio contemplativo.
Marta e Maria, são a nossa vida e mais ainda, são as duas faces da nossa existência se assumimos a condição de cristãos discípulos e apóstolos do Mestre Jesus de Nazaré.

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