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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Os próximos são todos os que passam

Palavra amassada
Reflexão para este domingo XV Tempo Comum. Pode servir para quem vai à missa habitualmente e não só...
O meu próximo não tem nome, pode ser qualquer pessoa que necessite do meu apoio, da minha amizade e da minha solidariedade ou amor compassivo. Todos são nossos próximos.
O maior mandamento, segundo Jesus, consiste em amar a Deus com tudo aquilo que nos constitui como mulheres e homens e ao próximo como a nós mesmos. Este reforço que Jesus nos pede, confirma de novo toda a Sua vida e todas as palavras que pronuncia sobre o Reino de Deus, que se revela uma realidade bem represente no nosso coração e que se testemunha nas palavras, nos gestos e atitudes que expressamos.
A parábola que Jesus conta sobre o homem roubado e maltratado pelos salteadores, que depois é socorrido por um samaritano é sintomática e mostra claramente que não podem existir fronteiras ou condições para viver o principal mandamento de Deus. Esta história não teria nada de especial se o homem caído ao chão fosse ajudado por um judeu. Os samaritanos e os judeus não se entendiam de forma nenhuma. Um e outro povo viviam de costas voltadas, eram inimigos. Mas não é por isso, que Jesus não deixa de descobrir atitudes extraordinárias vindas de samaritanos, esses outros que o narcisismo racial às vezes alimenta.
A história do bom samaritano é já muito famosa e está bem presente no nosso coração. Será que falta a cada um de nós descortinar verdadeiramente o que está por detrás desta mensagem que Jesus nos quer transmitir? - Penso que faltará um pouco de entendimento, para acolhermos esta mensagem como uma luz que orienta a nossa acção no quotidiano da vida. Afinal, quem será o nosso próximo? - Os nossos próximos são todos os irmãos que se cruzam connosco na vida do dia-a-dia.
Hoje, os apelos ao acolhimento são imensos. Os nossos próximos estão dentro da nossa casa, no lugar do nosso trabalho, na sociedade em geral que se vê cada vez mais confrontada com uma enorme variedade de pessoas vindas de todas as partes do mundo. Outras vezes somos nós que nos deslocamos e desejamos o acolhimento, o respeito. Neste sentido, o Papa Francisco tem denunciado a violência contra as pessoas que atravessam o mar Mediterrâneo à procura de melhores condições de vida na Europa, morrem muitos deles nessa travessia, porque as condições de navegação são miseráveis, os exploradores deste tráfico humano também existem e são causadores da morte e do sofrimento. Não podemos ser indiferentes com isto e devemos chorar por tantos mortos anónimos e solitários embora amontoados sobre montanhas de carne humana, façamos o que pediu o Papa,  tomemos consciência da crueldade que ceifa a vida à mão de toda a injustiça em que está montado este mundo.
Este apelo ao respeito pelo outro, que é o nosso próximo, sem olhar a nacionalidade, família ou outra condição, não deve existir quando se trata de rebentar com todas as forma de egoísmo xenófobo e assim dar largas ao acolhimento e amor aos que se cruzam connosco.
O «nosso» amor a Deus expressa-se sempre na medida em que somos capazes de um amor que se concretiza naqueles que passam na nossa vida, mesmo que não fiquem por muito tempo no nosso coração. Não fazer acepção de pessoas é a medida do amor. Um desafio grande, claro! Mas, não há outra forma de ser cristão, segundo a medida de Jesus de Nazaré.

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