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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Os males de sempre que nos perseguem

«Pão quente da Palavra» para o domingo IV tempo comum 
São Paulo na passagem da sua primeira carta aos Coríntios (1 Cor 7, 32-35), convida os crentes a repensarem as suas prioridades e a não deixarem que as realidades transitórias sejam impeditivas de um verdadeiro compromisso com o serviço de Deus e dos irmãos. A vida do dia-a-dia vai-nos empurrando em direcção aos nossos problemas, questionando as nossas opções, fazendo-nos avançar ou recuar. E questiona sobretudo a dimensão daquilo a que nós chamamos problemas.
Por isso, reparemos… Novecentos e sessenta e três milhões de pessoas (963 000 000) vivem situações de fome ou forte privação alimentar, em todo o mundo. E, tudo indica, a tendência é que isto se agrave. São números da FAO. Apesar da abundância de víveres no mundo, mais de 800 milhões de pessoas continuam a ir dormir de estômago vazio; milhares de crianças morrem, a cada dia, devido a consequências directas ou indirectas da fome, da subalimentação crónica. Apenas e só porque a injustiça é muito grande. Acusam que apenas 1% da humanidade vai deter ou já detém 99% da riqueza que há no mundo. Um escândalo que brada aos céus. Por isso, enquanto as riquezas acumuladas no mundo permitem todo tipo de esperanças, a pergunta mantém-se: é possível acabar com a fome?
Às vezes, chegamos à conclusão que o nosso foco está descentrado, e verificamos o quanto privilegiados somos. Continua a ser difícil arrancar de nós mesmos a carapaça dos pequeninos problemas que muitas vezes criamos. Mas estes outros continuam a alastrar, e a aproximar-se, cada vez mais, de nós todos. Face a estes problemas que afectam muitos milhões de seres humanos, devemos deixar de nos consumirmos nos pequenos problemas que levantamos aqui ou ali, como se nisso estivesse o centro do mundo e da vida. É preciso aprendermos a relativizar e a levar a vida com algum sentido de humor. São Paulo procura guiar-nos para o essencial e convoca para «o que é digno» para todos nós e mais ainda apela que o essencial «pode unir ao Senhor sem desvios».
Os grandes problemas do nosso mundo requerem uma união firme de toda a humanidade, para que se acabe com este escândalo da fome e de todo o género de pobreza que ainda consome grande parte da humanidade. E se antes pensávamos que estes problemas, eram só dos outros e distantes, afinal, enganamo-nos, estão aí já nas famílias cada vez mais próximas de nós. Por isso, estejamos atentos para sermos amigos e solidários com quem mais necessita.
Ao menos que se cumpra em nós esta mensagem, o cristão não pode fazer a sua viagem existencial de olhos fechados, indiferente aos outros irmãos. Tem de observar o mundo humano por onde passa, onde reside, onde trabalha.
O Cardeal Cardijn, ao receber um jovem operário que queria ingressar na Acção Católica, entre outras coisas perguntou-lhe quantas janelas tinha a maior casa da sua aldeia.
- Não sei! - Respondeu o rapaz.
- Então vai, conta-as e volta.
Queria ensinar o jovem a observar o mundo para poder transformá-lo num mundo melhor.
Para poder dar-se, tem de observar onde falta amor, onde falta justiça, onde falta perdão, onde falta a paz.
O cristão é um instrumento de melhoria e salvação do mundo humano pela mensagem salvífica de Cristo.
Tem de viver a vida de janelas abertas sem cortinas de cobardia, de medo, de egoísmo, de indiferença.     

2 comentários:

Direção Regional de Estatística da Madeira disse...

A minha opinião é que muita gente devia ler estas palavras sábias.
Eu fiz o meu trabalho, enviei ao maior número de pessoas.
Um bem haja e continue nos dando a verdade.
Um abraço
Elsa Janes

francisco disse...

É bem verdade, esta caridade, justiça e misericórdia de que nos fala e tanta falta faz é esta:
"E o amor de Deus manifestou-se desta forma no meio de nós: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que, por Ele, tenhamos a vida. É nisto que está o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele mesmo que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados." (1 João 4, 9-10)

É esta Caridade desinteressada, em que apenas por amor nos damos completamente, é a comunhão com o próximo de forma perfeita como é realizada na comunhão das três pessoas da Santíssima Trindade.

É isso que Cristo nos pede: "É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei. Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando."

É isso o que Cristo reza por nós: "Não rogo só por eles, mas também por aqueles que hão-de crer em mim, por meio da sua palavra, para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em mim e Eu em ti; para que assim eles estejam em Nós e o mundo creia que Tu me enviaste."

Sermos como Cristo, um com o Pai no serviço ao próximo.

Para obtermos os frutos dessa caridade temos de semear a graça de Deus.

Não é necessário irmos muito longe, podemos por em prática o que o Concílio nos pede:
"[Os fiéis] aprendam a oferecer-se a si mesmos, ao oferecer juntamente com o sacerdote, que não só pelas mãos dele, a hóstia imaculada; que, dia após dia, por Cristo mediador, progridam na unidade com Deus e entre si, para que finalmente Deus seja tudo em todos."

Não é por acaso que temos o Santo Sacrifício, é para neste oferecimento realizado com Cristo podermos receber de Deus a Sua Graça, esta será a semente da Caridade que irá gerar os frutos que bem nos recorda neste texto. E é por isso que o Concílio nos pede para aprendermos a oferecermo-nos com Cristo, para que formados em Cristo possamos nos oferecer ao serviço do próximo, de forma desinteressada, com a justiça, amor e misericórdia de Deus.

Exprimentemos ensinar e aprender a oferecermo-nos, semear a Graça de Deus.