Misericordiae Vultus (o rosto da misericórdia)...

BULA DE PROCLAMAÇÃO
DO JUBILEU EXTRAORDINÁRIO DA MISERICÓRDIA
- «Misericordiosos como o Pai é» - o « lema » do Ano Santo (Nº 14)
-
Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê
com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida (nº 2).
- «É próprio de Deus usar de misericórdia e, nisto, se manifesta
de modo especial a sua omnipotência». Estas palavras de São
Tomás de Aquino (Nº 6).
- Na Sagrada Escritura, como se vê, a misericórdia é a
palavra-chave para indicar o agir de Deus para connosco (Nº 9).
- A arquitrave que suporta a vida da Igreja é a misericórdia.
Toda a sua acção pastoral deveria estar envolvida pela ternura com que se
dirige aos crentes; no anúncio e testemunho que oferece ao mundo, nada pode ser
desprovido de misericórdia. A credibilidade da Igreja passa pela estrada do
amor misericordioso e compassivo. A Igreja « vive um desejo inexaurível de
oferecer misericórdia ».[8]
Talvez, demasiado tempo, nos tenhamos esquecido de apontar e viver o caminho da
misericórdia. Por um lado, a tentação de pretender sempre e só a justiça fez
esquecer que esta é apenas o primeiro passo, necessário e indispensável, mas a
Igreja precisa de ir mais além a fim de alcançar uma meta mais alta e
significativa. Por outro lado, é triste ver como a experiência do perdão na
nossa cultura vai rareando cada vez mais. Em certos momentos, até a própria
palavra parece desaparecer. Todavia, sem o testemunho do perdão, resta apenas
uma vida infecunda e estéril, como se se vivesse num deserto desolador. Chegou
de novo, para a Igreja, o tempo de assumir o anúncio jubiloso do perdão. É o
tempo de regresso ao essencial, para cuidar das fraquezas e dificuldades dos
nossos irmãos. O perdão é uma força que ressuscita para nova vida e infunde a
coragem para olhar o futuro com esperança (Nº 10).
- São João Paulo II com a sua segunda encíclica, a Dives in misericordia
(Nº 11).

A primeira verdade da Igreja é o amor de
Cristo. E, deste amor que vai até ao perdão e ao dom de si mesmo, a Igreja
faz-se serva e mediadora junto dos homens. Por isso, onde a Igreja estiver
presente, aí deve ser evidente a misericórdia do Pai. Nas nossas paróquias, nas
comunidades, nas associações e nos movimentos – em suma, onde houver cristãos
–, qualquer pessoa deve poder encontrar um oásis de misericórdia (Nº 12).
- Quantas situações de precariedade e sofrimento presentes no
mundo actual! Quantas feridas gravadas na carne de muitos que já não têm voz,
porque o seu grito foi esmorecendo e se apagou por causa da indiferença dos
povos ricos. Neste Jubileu, a Igreja sentir-se-á chamada ainda mais a cuidar
destas feridas, aliviá-las com o óleo da consolação, enfaixá-las com a
misericórdia e tratá-las com a solidariedade e a atenção devidas. Não nos
deixemos cair na indiferença que humilha, na habituação que anestesia o
espírito e impede de descobrir a novidade, no cinismo que destrói. Abramos os
nossos olhos para ver as misérias do mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs
privados da própria dignidade e sintamo-nos desafiados a escutar o seu grito de
ajuda. As nossas mãos apertem as suas mãos e estreitemo-los a nós para que
sintam o calor da nossa presença, da amizade e da fraternidade. Que o seu grito
se torne o nosso e, juntos, possamos romper a barreira de indiferença que frequentemente
reina soberana para esconder a hipocrisia e o egoísmo (Nº 15).
Aos
confessores

- Os números 20 e 21 são sobre «a relação entre justiça e misericórdia». A meu ver uma reflexão brilhante.
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