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quinta-feira, 5 de junho de 2014

A festa do Pentecostes

Comentário à missa do domingo de Pentecostes, 8 junho de 2014
A origem do Pentecostes está intimamente ligada à Páscoa, celebrando-se sete semanas depois da Páscoa, quer dizer, no 50º dia após a Páscoa e, por isso, a tradução grega chamou-lhe Festa do Pentecostes ou festa do Quinquagésimo Dia.
No Antigo Testamento hebraico era designada festa das (sete) Semanas. Era a festa da colheita do trigo, enquanto a da Páscoa era a das primícias da cevada. "Depois, contarás sete semanas, a partir do momento em que começares a meter a foice nas searas. Celebrarás então, a Festa das Semanas, em honra do Senhor." (Dt 16,10-12).
Inicialmente, tal como a Páscoa, o Pentecostes ligava-se à fertilidade dos campos. Com a história de Israel passou a ligar-se ao dom da Lei no monte Sinai, daí os rabinos lhe chamarem a Festa do Dom da Lei (mattan Torá). 
No tempo da primeira comunidade cristã, Jesus enviou o Seu Espírito (o Espírito Santo) precisamente na semana em que se celebrava a festa do Pentecostes. A descida do Espírito sobre os Apóstolos aconteceu no meio de fenómenos semelhantes à "descida" da Lei no monte Sinai, com o ruído de trovões, o fogo dos relâmpagos, fumo, sismo (Act. 2,1-4 e Ex 19,16-19). O Espírito de Jesus, que desce sobre o novo povo, é a nova Lei dos cristãos, mas este Espírito só desce depois do conhecimento da Palavra de Jesus. Concluindo, o Pentecostes é a festa do Espírito de Jesus, que nos vem da Sua Palavra conhecida, vivida, anunciada.
Esta é a festa do Espírito Santo, que é o termo usado para traduzir o termo hebraico Ruach HaKodesh. O Espírito Santo é o relacionamento entre Deus Pai e Deus Filho que é derramado no coração do homem e da mulher através dos sacramentos celebrados na comunidade dos irmãos, onde se experimenta a saudação fraterna, a comum união e a desvelação do transcendente. Aliás, elementos importantes para vencer na labuta do dia a dia para que encontremos sentido na palavra de Fernando Pessoa: «Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão». Por fim, fiquemos com esta oração ao Espírito Santo da Ir. Marlene Bertoldi:
«Vem, Espírito de Deus, enche os nossos corações com tua graça.
És o sopro de Deus que dá vida ao que está morto, que dá vida ao nosso ser e que nos tira do túmulo da preguiça e do comodismo.
És fogo que queima o que está errado em nós, que aquece nosso coração para amar, que ilumina nossa mente para entender.
Faze-nos conhecer Jesus Cristo que veio revelar o amor do Pai.
Faze-nos conhecer o pai e sua bondade infinita.
Faze-nos tuas testemunhas, instrumentos nas tuas mãos para que os corações dos homens se transformem e assim a terra se renove.
Para que reine a justiça e a paz, a solidariedade e o amor.
Para que o Reino de Deus se estenda cada dia mais. Ámen».
Só para lembrar os sete dons são: Sabedoria, inteligência, ciência, conselho, fortaleza, piedade e temor de Deus. Às Quartas feiras o Papa Francisco na Audiência Geral tem feito reflexões magníficas, que podem ser lidas no site do Vaticano, sobre cada um dos dons do Espírito Santo. 

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