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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Porque tem tanta importância quando vacila um presidente?

Tem importância… E muita. Porque vacilando o presidente tem logo todos os cuidados ali à mão prontinhos para o socorrer. Mas se falássemos de quantos portugueses vacilam todos os dias? – São milhares os portugueses que caiem desamparados no meio do chão, sem cuidados nenhuns e muito menos sem pessoas que os apanhem nos braços como aconteceu ao presidente. Por isso, o presidente é um felizardo e um sortudo, porque na hora da queda estão lá mãos que o seguram, o amparam e o tratam.
Assim sendo, deve o presidente pensar agora nos milhares de portugueses que esperam dias, meses e anos para se verem com a operação marcada para arrancarem a mazela que os impossibilita de terem qualidade de vida com dignidade. 
Deve ainda mais pensar o presidente que há portugueses representados por ele que são ainda crianças que chegam à escola com fome, alguns com piolhos e sujinhos porque a água foi simplesmente cortada porque faltou dinheiro para pagar as contas. 
Deve ainda pensar o presidente que a muitos reformados faltou-lhes uma porção enorme de dinheiro para pagarem os seus remédios, por causa dos cortes, dos absurdos impostos e outros tiveram que canalizar o que sobrou da pensão para alimentar um, dois ou três filhos que caíram na fatalidade do desemprego, por isso, agora sofrem mais e quiçá muitos deles já não se contam no mundo dos vivos precisamente por causa dessas opções forçadas pelo governo do país que o presidente representa. 
Deve ainda também pensar o presidente que muitos portugueses vacilam desesperadamente, porque têm filhos e compromissos que não podem dar resposta e atiram-se de andares e de pontes a abaixo sem qualquer amparo… A depressão, o sofrimento e a morte instalaram-se em grande parte dos lares portugueses. E o presidente tem obrigação de pensar em tudo isso...
A vida está tão difícil para uma grande parte dos portugueses que até o presidente vacila enquanto discurso! Será que é disto que se trata? - Há também um mistério nos desmaios do presidente que deveriam ser esclarecidos com verdade, para que a suspeita e a desconfiança não fosse tão grande e não fizesse escorrer tanta tinta.
O que mais surpreende é que temos um presidente com sorte, muita sorte. Não só porque é logo amparado. Mas também porque no dia do país, onde deveríamos estar a falar dos assuntos que afectam os portugueses, ficamos com episódios acessórios que em nada fazem melhorar a vida de ninguém. O ano passado foi aquela coisa tonta da bandeira ser hasteada ao contrário, não se falou de outra coisa senão disso, este ano veio outro faits divers para entreter, o desmaio do presidente. Obviamente, que ninguém tem culpa da doença que não escolhe corpo, mas só para vermos que até nestas coisas a sorte está do lado desta gente.
Mas, também foi deplorável a algazarra que um ensaio de manifestação se fez sentir enquanto decorria a cerimónia. Há outros momentos. Tantos outros que podiam ser aproveitados para se manifestarem e quem sabe se com mais eficácia. Porém, deve fazer pensar que estamos num tempo tão difícil e tão complicado para os portugueses, que não há vontade nenhuma nem muito menos aptidão para ouvir ninguém. Devem os políticos reflectirem sobre estes sinais para que comecem a dar-se ao respeito se desejam que o povo os respeitem e gostem do sistema político que nos assiste. Senão corre sérios riscos a democracia. E isso é grave e preocupante.
Por fim, já é muito grave que tenha sido mais importante para a sociedade mediática o desmaio do presidente do aquilo que foi anunciado como mensagem do dia 10 de junho. Somos medíocres e parece não existir forma de sairmos disto.    

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