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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Anna Karenina - Liev Tolstói


Os dias do cinema

O livro é uma das melhores obras de Tolstói, o romance Ana Karenina narra a história do amor difícil e controvertido vivido pela protagonista Ana na Rússia czarista. Ela é uma mulher casada que vai atrás do seu amante Vronski mas, arrebatada por uma paixão proibida, resvala cada vez mais para um abismo de mentiras e destruição. Tolstói questiona o significado da vida e da justiça social tendo como pano de fundo as crises familiares. É o maior romance de adultério na literatura universal.
Esta história fica muito bem representada no filme levado à cena por estes dias. Então temos uma belíssima mulher da nobreza russa, casada com um ministro, que tem um filho deste casamento, conhece e apaixona-se por um oficial ao visitar a sua cunhada em Moscovo. Ela tenta o divórcio, mas o marido não aceita. Ela abandona-o e vai para a Itália com o amante, vivendo os tórridos momentos de paixão que, entretanto, aos poucos se resfria até culminar com o trágico final.
Estamos perante várias críticas importantes, que destaco três:
1.     Crítica à elevada burocracia numa cena magistral, em vários travellings espantosos, onde estão muitas pessoas a carimbar papel ininterruptamente que é lançado ao ar provocando assim uma chuva de folhas de papel.
2  Crítica à religião através de varias citações bíblicas e preceitos morais tradicionais para justificar que o divórcio é uma aberração mesmo que o casamento subsista na mais crua fachada, sem amor e felicidade.
3. Crítica à sociedade que despreza e olha de esguelha quem ousa enfrentar os esquemas tradicionais e corajosamente enfrenta o poder patriarcal que hipocritamente teima em manter os laços na base do estatuto social, a pura imagem construída, hipócrita contra os elementos fundamentais de qualquer ligação entre as pessoas, o amor e a felicidade. Tanto assim é que Anna Karenina, não suportando o desprezo da sociedade aristocrática por ter ousado a separação e o divórcio. Depois vê esfriado o seu amor quando descobre que o seu "novo" amor, na segunda relação não consegue segurar-se diante do desprezo da sociedade, facto que o derrota abdicando da mulher por quem estava loucamente apaixonado, por quem tinha enfrentado a família, posição social e a progressão na carreira militar. Vê-se assim vencido pela hipocrisia social, pelo dinheiro, família e pela carreira... Factos que o induzem à traição e ao desprezo por Karenina. Esta face a esta tragédia, perde totalmente o norte, despreza os filhos e desespera até à tragédia final, o suicídio, atira-se para debaixo de um comboio em andamento.
Estamos perante uma interpretação magistral da obra-prima do prestigiado autor russo, Tolstói. O filme “Anna Karenina” de Tom Stoppard e Joe Wright, procura mostrar a sociedade russa como um teatro gigante, onde as pessoas obedientemente executam os papéis que lhes são atribuídos, mostrando tudo o que a vida artificial implica. Os vários actores assumem o seu papel de forma soberba, um elenco do filme é impecável. A caracterização e a roupa são de um requinte fabuloso, facto que transforma a vida em puro teatro. A expressividade, dos vários papeis assumidos pelos autores principais são de uma envolvência cativante e fascinantemente. A fidelidade teatral de Keira Knightley (Anna), Jude Law (Karenin), Aaron Taylor-Johnson (Vronsky) e Domhnall Gleeson (Levin), justificam uma ida ao cinema deixando assim uma lembrança ainda mais densa e viva do livro do autor russo, Anna Karenina. 

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