Convite a quem nos visita

domingo, 30 de junho de 2013

A Maçonaria e as sociedades secretas

Texto de opinião publicado hoje no Dnotícias, 30 de Junho de 2013
José Luís Rodrigues
Há alguns tempos atrás foram profícuas as notícias vindas a lume sobre figuras governamentais e outras com cargos de relevância pública com ligações a sociedades secretas ou maçónicas. Entre nós este é um assunto mais do que badalado com ele dá jeito para colocar em alerta as bruxas e os exorcistas da nossa praça.
A Igreja Católica sempre manifestou profunda inquietação com sociedades secretas, embora também legitime o secretismo no seu interior e até tenha reconhecido alguns grupos que vivem do secretismo como carisma quase absoluto, por ex. o Opus Dei. Mais ainda se nos detivermos a observar todo o secretismo que envolve Santuários, Dioceses e o próprio Vaticano, que se consideram com toda autoridade para não prestar contas aos fiéis, seus contribuintes principais. Mas, estas são contas de outro rosário.
A Maçonaria, podemos dizer, nasceu na Igreja Católica. Eram os construtores, os maçons que passavam longo tempo a construir catedrais e mosteiros. Estes pedreiros, homens simples, ignorantes e rudes, recebiam, dos frades e clérigos, com quem viviam em estreito relacionamento, instrução e evangelização. Além de ler e escrever, aprendiam a dar graças, a caridade e os princípios morais do cristianismo. Tinham alguns ritos, a prece na abertura dos trabalhos, era um deles.
Porém, os conflitos aparecem quando os maçons se organizam e formam grupos mais ou menos secretos, legais e institucionalizados totalmente fora do domínio do poder eclesiástico, alguns movimentos com princípios claramente contra a Igreja Católica e, particularmente, anticlericais. As desconfianças e os conflitos são inevitáveis.
Neste sentido, repare-se na seguinte doutrina Católica. Em 27 de Maio de 1917 foi promulgado por Bento XV, o primeiro Código de Direito Canônico, também chamado de Pio Beneditino onde se refere a Maçonaria da seguinte forma, no Cânon 2335: «Os que dão o seu próprio nome à seita maçónica ou a outras associações do mesmo género, que maquinam contra a Igreja ou contra os legítimos poderes civis incorrem Ipso Facto, na excomunhão simplificter reservada à Sé Apostólica». E mais recomendavam noutros Cânones o seguinte: «Que as católicas não se casassem com maçons; que seriam privados de sepultura eclesiástica; privados da missa de exéquias; não seriam admitidos em associações de fiéis; não poderiam ser padrinhos de casamento; não fariam a confirmação do baptismo (crisma); não teriam direito ao patronato, etc.»
Bom, face a tudo isto vimos repudiar tudo o que sejam sociedades secretas em qualquer domínio da sociedade e a Igreja Católica como instituição para as denunciar a sério devia, a meu ver, assumir a transparência a todos os níveis como valor principal da sua acção e não permitir no seu interior nenhuma sociedade secreta, por mais religiosa que se queira fazer.
Tudo isto, porque, nos tempos que correm e em democracia tudo o que sejam sociedades secretas provocam desconfiança e inevitavelmente tais grupos implantam-se nos campos de decisão para benefícios próprios e dos grupos a que estão associados secretamente. Nos tempos da crise e de austeridade não podíamos estar mais preocupados com notícias deste calibre que nos fazem pensar o pior no que diz respeito à procura do bem comum, da justiça e da fraternidade.

sábado, 29 de junho de 2013

O avô e os poios

Ensaio poético para o fim de semana... 
Uma ribanceira enforma uma parelha de poios
Semeados de trigo até à cozedura do pão
Neles fez um avô um ornamento de couves
Em volta do quadrado de terra
Que depois florescem pujantes
Com as cores brancas e amarelas.
São a oferta potente de novo alimento
No futuro que todos conscientemente preparam.
Nesta visão infantil e rural
Se reaviva os meus passos em volta
Das courelas, das veredas, das mangas, das moitas...
E todos os nomes que recebiam posse os poios
Onde pisava o figurão de gente
Que a misteriosa natureza designou ser um avô.
Sobre os outros poios rebentam as cerejeiras
As pereiras e os pereiros em cores
Com abundante brancura. Mas... Ah!
Os lilases, os roxos, os amarelos e mais e mais
Em vida nova até coalhar o chão de alegria.
E dos enxertos que sempre foram a melhor técnica
Que se destina a poucos pois vingam ou não
Porque só a sabedoria experiente o designa
Naquelas mãos gretadas de trabalho e fadiga.
Só o gosto dessa labuta enforma uma fé
Uma certeza que se recebeu numa missão divina.
A construção feita sobre a terra testemunha
Essa incompreensão dura que a vida concedeu.
Depois cantam os pássaros de ramo em ramo
As pedras úteis edificam paredes emparelhadas
E marcos entre poios nossos e dos outros.
Uma festa em cada altura do ano
Esta caminhada em chão de terra batida
Pelos calcanhares duros de calos
Que nalguns dias vertem sangue das gretas
Que se curam com a saliva e a terra dos caminhos.
Assim se faz uma memória encontrada
Neste baú do pensamento que a mudança dos dias
Nos vai desembrulhando em dádiva
Como o bride mais importante para a felicidade.
José Luís Rodrigues
Nota: Foto da minha avó e avô paternos que se fossem vivos somavam acima dos 100 anos, segundo o meus cálculos o avô faria este ano 109 anos. Ó que saudades!

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Correspondente da SIC Henrique Cymerman recebido pelo Papa Francisco

Muito bonito...



O correspondente da SIC Henrqiue Cymerman é provavelmente o primeiro jornalista recebido por um Papa na sua residência, na sua intimidade e com câmaras de televisão. Henrique Cymerman acompanhava o rabino argentino, e grande amigo do Papa Francisco, Abraham Skorka. O correspondente da SIC foi recebido pelo Papa Francisco três vezes durante a sua visita.


A seguir o comentário do jornalista da SIC Joaquim Franco comenta o encontro de Henrique Cymerman com o Papa Francisco.


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Os discípulos/as de Jesus de Nazaré

Comentário à missa deste domingo
30 Junho 2013, XIII Tempo Comum

Para haver discípulos/as terá que haver um mestre. Pois bem, do Mestre Jesus falou-se no domingo passado, mediante a pergunta, «Quem dizem que Eu sou?». Neste domingo salta à vista nos textos da Missa a figura do discípulo/a. Até podemos adiantar: «Quem é o discípulo/a de Jesus?».
Há uma história japonesa que conta assim, um dos discípulos de Yu estava conversando com um discípulo de Rinzai: - O meu mestre é um homem capaz de fazer milagres, e por causa disso é respeitado por todos os seus alunos. Eu já o vi fazer coisas que estão muito além da nossa capacidade. E o seu mestre? Que grandes milagres, é capaz de realizar? - O maior milagre do meu mestre é não precisar mostrar nenhum prodígio para convencer os seus alunos que é um sábio - foi a resposta.
Jesus é este mestre que convoca os seus discípulos/as para a missão, sem que lhes garanta fortunas ou qualquer regalia futura. Mas, como seguir este mestre que oferece sofrimento e fidelidade incondicional? - Não sei a resposta, está centrada no interior do coração de cada um, que aí descobre o fascínio por uma pessoa Jesus Cristo, um sábio que não precisa de fazer-nos milagres para se crer Nele e fazer da nossa vida uma alegre missão em Seu nome. Até podemos acrescentar, que faz da nossa vida o maior milagre da de toda a história, basta que saibamos ser mestre na prática do discipulado. A compreensão disto não é óbvia, mas que importa isso face à felicidade de ser discípulo deste Mestre que nos chama a ser livres e pela liberdade fazer tudo para o bem de todos. O ser discípulo de Jesus, é ser voz do reino novo do amor com toda a coragem, sem que nada deste mundo faça voltar atrás. Com Jesus o medo não tem lugar.
Então o discípulo faz-se voz dos sem voz, proclama a justiça contra toda a corrupção e contra a ganância que ainda persiste contra o bem comum. O discípulo sincero e verdadeiro de Jesus de Nazaré, comunga uma causa de salvação e a anuncia com toda a coragem até ao derramamento do seu sangue se assim for necessário. Porque, neste caso o discípulo vive no mundo «no meio de lobos», mas não se importando com isso, vai para frente porque sabe que nada lhe faltará, porque se fez instrumento do milagre da vida em abundância para todos. 
Nisto consiste o ser discípulo do Mestre de Nazaré que nos convida para a missão concreta da transformação da vida e do mundo. Sejamos então merecedores deste convite que Jesus, o maior Mestre da história nos faz em cada momento da nossa existência.      

quarta-feira, 26 de junho de 2013

A adversidade

Há um ditado popular que diz: “há males que vêm por bem”.
Se estivermos atentos ao que acontece na nossa vida e ao que acontece à nossa volta, verificamos que aquilo que surge de doloroso nem sempre deixa de produzir, mais tarde ou mais cedo, um efeito positivo e até agradável. É bem verdade esta palavra de Cheney: “As almas não teriam arco-íris, se os olhos não tivessem lágrimas”.
As adversidades que encontramos nos caminhos da vida nunca nos deixam iguais: ou nos engrandecem ou nos diminuem.
Há adversidades que são aproveitadas para repensar, para corrigir, para aperfeiçoar, para aproximar de Deus, para nos tornarem mais compreensivos e mais pacientes com os outros.
Há sofrimentos, físicos ou morais que nos transformam, deixando-nos melhores ou piores. Alguém escreveu que a “adversidade é abrasivo que aguça a coragem”. Um desgosto, uma desilusão, uma doença podem ter o efeito de um clarim que desperta os valores latentes em cada homem.
Quando a dor nos “esquece” durante bastante tempo, nós vivemos cegos sem ver de frente a realidade dos nossos defeitos, sem coragem para reconhecê-los e corrigi-los, egoístas, sem solidariedade para quem sofre.
Mas quando qualquer espécie de sofrimento surge, esse sofrimento humaniza-nos, torna-nos mais compassivos e indulgentes com os que sofrem, na nossa casa, no nosso mundo de trabalho, no nosso círculo de conhecidos e até do mundo inteiro.
Certo escritor, perante uma crítica contundente aos seus livros, deixou de escrever. Lamentando-se a um colega recusou qualquer conselho, tão desesperado estava.
- Não vou dar-lhe conselhos. Vou dar-lhe uma definição de poesia que li há tempos: “Poesia é o que Milton viu quando ficou cego”.
O escritor voltou a escrever e tornou-se afamado. 
Vale a pena pôr em prática esta palavra de Susana Fouché: “a minha dor tomei-a na mão como um instrumento de trabalho”.
Mário Salgueirinho  

terça-feira, 25 de junho de 2013

«Os jovens já não são os de antigamente»

Um texto a não perder... Uma análise crua sobre a realidade da Igreja e da adesão dos jovens a ela. Para ler com calma, reflectindo bem. 
Armando Matteo
Se não renovar a sua ligação com as novas gerações, a Igreja da Europa está naturalmente destinada a desaparecer. Sem jovens, com efeito, as paróquias morrem, por simples falta de reposição de gerações; sem paróquias, enfraquecem até ao esgotamento total as associações e os movimentos, que, apesar de todas as afirmações em contrário, continuam a encontrar precisamente aí os seus adeptos.
Se não mudar de rumo, a Igreja transformar-se-á numa presa que corre o risco de não fidelizar (jamais palavra alguma foi tão apropriada!) novos clientes. Nunca deveríamos esquecê-lo.
Contudo, as estratégias atuais para retomar o diálogo com os jovens não se revelam muito convincentes. Na verdade, não são eficazes. Ainda outro exemplo: a que critérios corresponde o horário das missas dominicais da maior parte das paróquias? Dá a impressão de que são os mesmos que foram adotados na sequência da introdução da missa em língua vernácula no pós-Concílio.
Ao mesmo tempo, porém, a sociedade mudou radicalmente, passando de um modelo substancialmente agrícola para um modelo pós-industrial: o mundo atual tornou-se assim mais noturno e menos fascinado pelas primeiras luzes da aurora, ou seja, um mundo que gosta de ir para a cama precisamente com as primeiras luzes da aurora. Sobretudo da aurora que separa ou une o sábado ao domingo. Qualquer um perceberá por si mesmo que há qualquer coisa, também nesse âmbito, que deveria mudar.
Chegados a este ponto, a interrogação é esta: o que está subjacente à pouca atenção prestada à realidade juvenil por parte da comunidade crente? O que é que a impede de se deixar levar por um profundo abalo interior e exterior, ao programar as suas atividades destinadas aos jovens? Como é que ela consegue continuar a dormir, enquanto o terreno do seu possível futuro se vai esboroando lentamente, pelo menos na Europa?
O ponto nevrálgico sobre o qual assenta toda esta questão diz respeito à elaboração falhada da distância efetivamente existente entre o jovem destinatário ideal das iniciativas eclesiais implementadas e o perfil real dos jovens de hoje, aqui sumariamente identificados como pertencentes à geração sem antenas para Deus. Uma distância ofuscada, aliás, pelo recente uso identitário da religião por parte dos próprios jovens, na esteira do modelo da pertença sem crença, ou seja, de um singular «Igreja sim, Cristo não».
Por isso, embora apercebendo-se dos comportamentos juvenis alheios a ritos em matéria de fé e de moral (et quidem de moral sexual), da sua deserção da missa dominical, do seu analfabetismo bíblico e teológico, na Igreja continuamos a tranquilizar-nos afirmando que os jovens já não são os de antigamente. Em suma, que passe a ser «normal» que os jovens não sejam normais. Que não haja nada de particularmente preocupante no desvio dos seus estilos de vida e de pensamento do cânone tradicional de sabedoria humana e cristã. Mas, depois, ficamos sem palavras – esta, sim, uma característica típica dos adultos contemporâneos – frente a comportamentos aterradores de que são protagonistas os próprios jovens.
É precisamente aqui que se deve identificar a raiz primordial daquela baixa qualidade de atenção de que parecem gozar os jovens de hoje por parte do mundo eclesial. E não só. Também há que ter em conta, de um modo mais geral, a permanente dificuldade e resistência de muitos crentes em se ajustar à realidade da mudança de época do nosso tempo.
A condescendente retórica de um mundo que está a mudar, aliás, um dado adquirido para toda a realidade viva, parece impedir, mais do que facilitar, a plena assunção do facto de que o mundo já mudou. E de modo radical! Isso impõe a necessidade de redefinir o perfil de um crente à altura da mudança ocorrida. Com efeito, se no passado podia ser suficiente a simples catequese sacramental e a frequência das «festas obrigatórias» para ter o título de «crente», tendo em conta que muitos dos comportamentos atuais (divórcio, aborto, etc.) eram perseguidos pela lei ou tecnicamente impossíveis (intervenções estéticas, mudança de sexo, etc.), e que também era tido em conta o caráter exemplar dos personagens públicos e a atitude digna da sociedade no seu conjunto, atualmente tudo isso já não é suficiente. Para «fazer» um crente é preciso mais do que isso. É difícil que tudo isto passe a ser uma opinião partilhada.
Como explicar, por outro lado, a extraordinária lentidão com que a comunidade eclesial se vê a si própria – e aqui não estamos a falar da invenção de novas formas e de novos movimentos, pois já os há em número suficiente – em relação à incredulidade que enforma a geração juvenil? Ou como justificar a surpreendente repetitividade de liturgias e de eventos que marca o ano pastoral das paróquias e dos oratórios, das associações e dos movimentos? Parece-nos estar a assistir a uma viragem de época de alcance singular: o Cristianismo, que graças à sua origem judaica rompera o conceito cíclico do tempo, típico da cultura grega, em favor de um futuro que apela sempre a coisas novas, está hoje cada vez mais dominado por aquilo que, com fina ironia, Nietzsche definia como o seu monótono-teísmo!
Os jovens – e que isto seja acolhido como verdade até ao limite máximo em que um conceito pode descrever a realidade – já não são os de antigamente, no que diz respeito à prática religiosa. Já não provêm de famílias que os tenham instruído o suficiente sobre os valores da sabedoria tradicional, já não frequentam as aulas de uma escola capaz de lhes transmitir o sentido global de uma formação humana e de um substrato cristão. Ninguém lhes deu testemunho da importância de uma vida de fé e de oração, de uma leitura constante do Evangelho, de uma atitude de humildade e de fraternidade. Já não são os de antigamente: a única ressurreição de que tiveram conhecimento foi a da bela morena Taylor da série televisiva Beautiful... Muito diferente da ressurreição de Jesus Cristo!
Frente a estes jovens, a comunidade dos crentes é chamada a transformar-se, a fazer-se solidária com os jovens casais com cada vez mais dificuldades em serem iniciados ao humano e ao Evangelho, e com os mestres únicos da nossa escola primária, cada vez mais oprimidos pelo mito do desempenho.
Não se trata, certamente, de atribuir culpas ou de fazer juízos, mas de ler a realidade que está à vista de todos. Os jovens mudaram porque o mundo mudou; o Ocidente mudou, a família mudou, a escola mudou...; porque não havia de mudar também a Igreja?
O passo a dar pode ser facilmente enunciado em termos teóricos: consiste em transformar as comunidades eclesiais – de modo particular as paróquias, mas também, em certa medida, as associações e os movimentos – em «lugares» onde se aprenda a acreditar e onde se aprenda a rezar. Lugares onde se possa decidir crer. Lugares onde se gere a fé. Lugares à medida daqueles laboratórios da fé, desejados por João Paulo II. Lugares em que os próprios jovens possam confrontar a sua ignorância em relação ao Jesus do Evangelho e ao Evangelho de Jesus, e as suas pretensões infantis em relação à existência e à Igreja; lugares de repouso, de liberdade, de passagens e de paisagens a contemplar, a admirar, a interrogar e a pôr à prova; lugares onde elaborar o mal-estar cultural que atormenta as pessoas; lugares facilmente transitáveis, subtraídos à mania clerical da diaconia a todo o custo, em favor de um simples seguimento.
Trata-se, em suma, por parte dos adultos crentes, de tomar consciência de que, para os jovens de hoje, a fé é uma língua estrangeira. E cada um sabe como é difícil aprendê-la em idade madura, e como pode ser igualmente complicado ensiná-la a quem já não é criança. É este o desafio: a fé já não é uma opção hereditária, mas uma decisão que deve ser preparada e promovida.
À luz das reflexões conduzidas até aqui, não parece haver outros caminhos a percorrer. Como é óbvio, ninguém tem, a esse respeito, receitas prontas, no horizonte não se destaca nenhum padre tipo Harry Potter que, com uma poderosa varinha mágica, abra «novos céus» e «nova terra» para a pastoral dedicada aos jovens. Tal facto, porém, não exonera ninguém do trabalho de procurar «provas partilhadas», de perscrutar a tradição, mas, sobretudo, de experimentar novos caminhos. Seguindo, no entanto, uma trajetória precisa: não se tratará de concentrar a atenção apenas numa ação especificamente projetada para os jovens. É antes o tecido quotidiano, ferial, ordinário de toda a comunidade cristã que deverá testemunhar uma generosa abertura e atenção em relação aos mesmos, a partir dos cânticos e dos horários da missa, de um renovado investimento da sua presença na universidade e nos locais de trabalho, de uma renovação das dinâmicas culturais que apoiam o anúncio, do assumir aquela emergência educativa para a qual Bento XVI apelou vigorosamente à opinião pública.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

João Baptista contra os desertos de hoje

A habitação de João Baptista era o deserto. Mas, não será isso impedimento para João descobrir Deus nem muito menos para que ele não permite-se a existência de Deus na sua via. Na aridez do deserto percebeu e vemos nós que a sua missão é ser um sinal de Deus no meio da humanidade.
Deste habitante do deserto salta à vista o seguinte no Evangelho de S. Lucas, escutemos com atenção: «Dizia pois João à multidão: raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Produzi pois frutos dignos de arrependimento e não comeceis a dizer a vós mesmos: temos Abraão por pai, porque eu vos digo que até destas pedras pode Deus suscitar filhos de Abraão» (Lc 3,7-8). Eis o grito de quem não pode calar, a injustiça e toda a exploração dos fortes sobre os mais fracos da sociedade. Já dizia o antigo Bispo do Porto, profeta do século XX, que há maneira de João Baptista dirá forte e bom som contra os poderosos deste mundo, que se acham donos da verdade e das pessoas para manipularem como muito bem entendem. Dizia o bispo: «não vejo vantagem nenhuma em afogar um grito de dor».
Face a esta convicção somos levados a ler e anunciar um João Baptista para hoje, o tempo concreto em que vivemos. Muito longe do João assexuado dos altares, com barbichas celestiais, popularizado com comes e bebes por todo o lado. Este João não nos serve.
A crença de que bastando apregoar os currículos celestiais são acesso fácil e garantias para entrar no Reino dos céus, mas descuram-se estas «raça de víboras» os seus próprios deveres elementares de justiça e de amizade pelos mais pobres e fracos da sociedade, vivem vida de ricos à custa do bem comum e no seu egoísmo, tornam-se orgulhosos, intolerantes e obstinados…
Esta «raça de víboras» de Jesus e de João Baptista, constituem também aqueles que «não entram no reino dos céus nem deixam que os outros entrem», os que «atam pesados fardos nos ombros dos mais fracos não lhes tocando, sequer, com a ponta do dedo», os que insuflam fé cega, os que sobrepõem os seus interesses mais imediatos acima dos ditames da consciência, os que comercializam as coisas de Deus, os que «honram Jesus com os lábios mas têm longe dele os corações», os que «têm Deus na boca e o diabo no coração», e ainda aqueles que delapidam os talentos de tanta gente amavelmente cedidos por Deus aos seus filhos.
O mundo de antes e de hoje está fatalmente corroído por «raças de víboras», por isso, vamos revestir o nosso coração com a lucidez e a coragem de João Baptista. Que nos ajude São João Baptista na construção da justiça, porque o grande problema deste mundo, o nosso mundo, está profundamente relacionado com o deserto da injustiça… E enquanto não mudarmos neste sentido nada feito.

sábado, 22 de junho de 2013

Ascender

Ensaio poético para o fim de semana... Sejam felizes!
Sobe até ao cimo da encosta alta
e nesse descanso do andar repousa o grito
da paz onde as pedras disseram tudo
na inamovível certeza do amor.
Então encontrei a música do tempo
na melodia da voz transcendente
que a brisa fez ecoar no momento
em que o olhar penetrou o horizonte
que as nuvens desvelaram quando o suor verteu
a mais leve esperança no sabor ardente da alegria.
Neste entrecruzar de paz e de alegria
a vida subiu a encosta do tempo
para dizer a todos que o sentido
não é mais uma miragem
e na paisagem verde da serra
tudo louva hosanas ao criador
que se espelha no reflexo do encantamento
do coração que se eleva à ternura de uma flor.
Naquela montanha escura senti o arrepio
da festa no cantar das pedras e dos ramos
que dançavam no som sublime da melodia
a indelével certeza da paz.
José Luís Rodrigues

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Quem foi Jesus?

Mesa da palavra
Comentário à Missa do próximo domingo
Domingo XII Tempo Comum
Boa esta pergunta! Serve para reflectir e pensar o essencial da nossa fé cristã. Todos sabem muito de Jesus e ao mesmo tempo ninguém sabe nada. Tudo o que se possa dizer acerca Dele, fica sempre muito aquém daquilo que Ele é verdadeiramente. Porque, São João da Cruz dá-nos o mote: «A razão disso é que Ele está escondido, e tu não te escondes para O encontrar e sentir. Quem quiser encontrar uma coisa escondida há-de penetrar escondido no lugar onde ela está escondida; ao encontrá-la, fica tão escondido como ela». São muito poucos os que conseguem. Será que terá razão o poeta António Ramos Rosa, quando diz, que «a graça da salvação é para poucos»? 
O conhecimento de Jesus, é sempre muito pouco face à realidade que Ele é e provavelmente não nos foram dados sentidos suficientes para abarcar tal conhecimento. Jesus é sempre um desafio. Uma meta que se vê ao longe para a qual se corre, na esperança que um dia se chegue ao seu terminus e aí sim, revelar-se-á em plenitude essa realidade. O próprio Jesus não nos desampara e revela já o que Ele pode ser já: «Eu sou a luz do mundo, aquele que Me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida»(Jo 8,12). Este desafio serve para «tomar a cruz todos os dias», mostra que no empenho da vida revelamos o amor por Jesus e como estamos conscientes dos Seus ensinamentos. A vida por J. Cristo, mostra-se no zelo do dever, na partilha fraterna, no coração aberto à compaixão pelos outros, especialmente, os sem lugar e vez na sociedade. A vida iluminada por Jesus Cristo está no sorriso da criança que se mostra disponível para amar sem interesse, está nos braços imensos de homens e mulheres que limpam e alimentam os incapacitados, está naquele que diz não ao roubo e à infidelidade dos princípios e compromissos pessoais e sociais. Está na vida que se transmite de todas as formas. 
Afinal, "Quem Eu sou..." pode estar em todas as facetas do mundo e da vida toda. Ora bem, para dar o salto de cristãos amorfos e atrofiados pelo costumeiro ritualismo fica o seguinte ensinamento: "Muitos seguem a Jesus até a distribuição do pão, mas poucos até beberem o cálice da paixão" (Tomás de Kempis). Falta gente que tome, corajosamente, ao modo de Jesus, o cálice da entrega na construção do mundo para todos. E mais ainda nos ensina Pascal: «Cristo morreu de braços abertos, para que nós não vivamos de braços cruzados». Pois,  assim se comunga o que se diz nona densidade do nome Jesus, para fazermos vida hoje em abundância com a esperança que haverá um futuro que almejo ser de plenitude feliz para toda a eternidade. Eis a grandeza de Jesus na pequenez que eu sou.
Muitos preferiam que houvesse uma resposta clara e objectiva para esta pergunta. Porém, aquilo que se sabe de mais claro é que Jesus continua a ser uma figura inquietante e a certeza maior sobre a sua pessoa, pode ser, está envolto no mais profundo mistério.
Nada a lamentar sobre este aspecto. Ainda bem que as palavras, os pensamentos estão sempre aquém de tudo aquilo que é verdadeiramente Jesus. O caminho da fé desvela-nos um Jesus inesgotável, que, em nenhum momento, se circunscreve aos pensamentos pessoais ou às mais sábias doutrinas humanas.
Jesus, é um mistério, com cerca de 2000 anos. Diante deste nome continuam vivas as perplexidades, os enigmas, os silêncios, os debates, os pensamentos e muitas, muitas palavras sem fim.
Já dissemos que a pessoa de Jesus, se reveste de uma imensidão que escapa a todo o simplismo da vida e de todas as vidas. Não se confina aos dogmatismos, às teorias, aos comodismos e aos fundamentalismos, que as várias confissões religiosas geram, mediante a necessidade de configurarem um nome só, um modelo único e uma verdade absoluta acerca de Jesus.
Mas, é o Jesus da Ressurreição, da vida infinita e plena, que negará e evitará o perigo do sectarismo, que explora exaustivamente as emoções humanas. Também é o Jesus da Ressurreição que evita o perigo da falta de sentido para a vida humana, porque responde de forma plena às inquietações do coração humano e surge como possibilidade de salvação para todos os crentes.
Se não fosse Jesus, tudo na nossa sociedade seria mais escuro e a multidão dos desesperados seria incontável. Estas tentativas para banir Jesus do coração dos homens, reduz-se a pura teimosia e a uma cegueira soberba que mais não é senão vontade de protagonismo, fundamentalismo agnóstico e irresponsabilidade total face aos valores que nos guiaram durante séculos.
Mas, “medo de quê e de quem, se nada temos a perder? Honras, audiências, popularidade, reconhecimento e homenagens, para que servem? Ah! Como é fugaz a glória deste mundo que passa!… Cidadãos do Infinito havemos de ser, na alegria e serenidade dos pobres que em Deus confiam. Influências, jogos de poder, ‘lobbies’, pressões, para quê, se a verdade não depende das estatísticas nem do ‘share’ das audiências, se o amor não se compra nem se vende, se a Igreja não está a saldo?” (José Jacinto Farias, scj, Agência Ecclesia).
Importa descobrir caminhos novos que conduzam à vida para todos. E na memória da Terra Prometida – a Igreja comunidade da experiência da fé – somos chamados à procura da felicidade que se encontra no Cristo vivo da História e da Ressurreição.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Anedota em que se transformou o nosso País

"Hoje em dia, a doença mais terrível do Ocidente não é a tuberculose nem a lepra, é a sensação de ser indesejado, de não ser amado, de ser abandonado. Tratamos as doenças do corpo por meio da medicina; mas o único remédio para a solidão, para a confusão e para o desespero é o amor. São muitas as pessoas que morrem neste mundo por falta de um pedaço de pão, mas são muitas mais as que morrem por falta de um pouco de amor. A pobreza no Ocidente é outra espécie de pobreza; não se trata apenas de uma pobreza de solidão, é também uma pobreza de espiritualidade. Há uma fome que é fome de amor, como também há uma fome de Deus".
Agora vejamos concretamente alguns aspectos que fazem o nosso país. Divulgo como recebi. Não diz quem foi o autor deste rol. Interessa o seu conteúdo para vermos e pensarmos um pouco em quanta incongruência faz hoje o nosso Portugal. Obviamente, que isso não nos alegra, mas entristece solenemente...
Vejamos:
- Uma adolescente de 16 anos pode fazer livremente um aborto mas não pode pôr um piercing.
- Um jovem de 18 anos recebe 200 €  do Estado para não trabalhar; um idoso recebe de reforma 236 €  depois de toda uma vida do trabalho.
- Um marido oferece um anel à sua mulher e tem de declarar a doação ao fisco.
- O mesmo fisco penhora indevidamente o salário de um trabalhador e demora 3 anos a corrigir o erro.
- Nas zonas mais problemáticas das áreas urbanas existe 1 polícia para cada 2 000 habitantes; o Governo diz que não precisa de mais polícias.
- Um professor é sovado por um aluno e o Governo diz que a culpa é das causas sociais. Logo chegam todos os especialistas das ciências sociais para justificar a agressão do aluno.
- O governo incentiva as pessoas a procurarem energias alternativas ao petróleo e depois multa quem coloca óleo vegetal nos carros porque não paga ISP (Imposto sobre produtos petrolíferos).
- Nas prisões é distribuído gratuitamente seringas por causa do HIV, mas é proibido consumir droga nas prisões!
- No exame final de 12º ano és apanhado a copiar chumbas o ano, alguns políticos governam o país sendo engenheiros com licenciaturas feitas sabe Deus como sem porem os pés na faculdade.
- Um jovem de 14  anos mata um adulto, não tem idade para ir ao tribunal. Um jovem de 15 leva uma chapada do pai, por ter roubado dinheiro para droga ou por falta de respeito, é violência doméstica!
- Uma família a quem a casa ruiu e não tem dinheiro para comprar outra, o estado não tem dinheiro para fazer uma nova, tem de viver conforme pode. 6 presos que mataram e violaram idosos vivem numa sela de 4 e sem wc privado, não estão a viver condignamente e associação de direitos humanos faz queixa ao tribunal europeu.
 - Militares que combateram em África a mando do governo da época na defesa do território nacional não lhes é reconhecida nenhuma causa nem direito de guerra, mas o primeiro-ministro elogia as tropas que estiveram em defesa da pátria no KOSOVO, AFEGANISTÃO, IRAQUE e em outros lugares...
- Começas a descontar em Janeiro o IRS e só vais receber o excesso em Agosto do ano que vem, não pagas as finanças a tempo e horas passado um dia já estás a pagar os juros.
- Fechas a janela da tua varanda e estás a fazer uma obra ilegal, constrói-se um bairro de lata e ninguém vê e rebentasse com a orla marítima de forma escandalosa e escabrosa, está em causa o bem de todos.
- Se o teu filho não tem cabeça para a escola e com 14 anos o pões a trabalhar contigo num oficio respeitável, é exploração do trabalho infantil, se és artista e o teu filho com 7 anos participa em gravações de telenovelas 8 horas por dia ou mais, a criança tem muito talento, sai ao pai ou à mãe!
- Numa farmácia pagas 0.50 € por uma seringa que se usa para dar um medicamento a uma criança. Se fosses  drogado, não pagavas nada!
Podem continuar com a lista...
Obrigada Portugal. Estamos orgulhosos...

terça-feira, 18 de junho de 2013

Uma foto que se converte em espelho

Foto da Grécia que está a correu o mundo. Um país em desespero, cheio de miséria e com fome. Eis o nosso espelho, porque estamos também a ser sugados como eles pela intervenção da troika. Esta é a imagem do que já vai sendo entre nós e não tarda nada estamos muito abaixo do fundo do poço, mergulhados na porcaria que estes poderes escuros vindos não se sabe de onde estão a provocar contra a dignidade dos povos. Acordemos antes que seja tarde. Esta imagem é já o nosso reflexo.
Citado pela Reuters, o deputado Kostas Barkas, do partido da oposição Syriza, revolta-se: «Estas imagens deixam-me zangado. Zangado por um país que não tem comida para comer, que não tem dinheiro para se manter quente, que não consegue chegar ao fim do mês». 
- Subscrevo na íntegra estas palavras, porque expressam os mesmo sentimentos que me assistem quando olho para esta foto.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A morte de um Primeiro Ministro

Dia de greve dos professores, com quem estou totalmente solidário, embora compreendendo os embaraços que esta situação causa aos alunos e pais. Mas, também compreendo que a greve é por causa do futuro deles. Só me apetece ler e meditar na anedota seguinte...
Um dia, um Primeiro Ministro morre e apresenta-se às portas do Céu.
PM - Eu sou católico e mereço ficar aqui, se Deus quiser.
S.Pedro - Nós temos as nossas regras, somos democráticos e as pessoas devem escolher depois de conhecer os factos. O sr. vai para o Inferno, passa lá um dia e depois volta a fazer o mesmo no Céu antes de escolher onde pretende ficar.
O PM entra no elevador para o Inferno e a porta abre-se para um belo jardim, cheio de mulheres bonitas e muitos dos seus amigos políticos. Depois de muitos abraços e cumprimentos, é levado a um magnífico jantar, uma discoteca e acaba a noite nos braços de uma bela mulher. Na manhã seguinte, sobe de elevador para o Céu e é levado para o seu poiso numa nuvem e passa o dia a tocar harpa.
S. Pedro - Já fez a sua escolha?
PM - Lamento muito, mas lá na terra os padres enganaram-me. Não tenho dúvidas que se está muito melhor no inferno e é essa a minha escolha.
Volta a descer no elevador e desta vez depara-se com um terreno inóspito, cheio de calor e todos os seus amigos a carregarem sacos cheios de lixo podre e com um ar abatido.
PM- Então sr Diabo? O que se passa? Como é que isto mudou de ontem para hoje?
Diabo - Ontem estávamos em campanha eleitoral e hoje já votamos!

sábado, 15 de junho de 2013

Contar as pedras

Com votos de bom fim de semana para todos....
É disso que se trata quando os olhos veem pedras
Toscamente colocadas sem arte e sem engenho.
São o resto do tempo que fala no caos sem nome
Cada passo bem marcado desvela o que foi
Um Ginásio que nomearam de Vedius...
E das pedras soltas bradaram o testemunho
Da mais antiga heresia de Nestorius
Que negava a divindade do Mestre de Nazaré
E que Maria não seria a Mãe de Deus
Mas a mãe mais pura e simples da humanidade.
Na Igreja Hagia Maria tudo se resolve em mistério
Nasceu o dogma da Maternidade Divina de Maria.
O pobre Nestorius foi condenado.
E ainda das pedras um Sínodo lembrara para todo sempre
O Monofisismo - o Filho de Deus é uma natureza única
Nascida da misteriosa união humana e divina.
Mais adiante o esplendor do caos emerge
Na Rua de Mármore que nos conduz
À Ágora Comercial e a Biblioteca de Celsius.
Pela soberba Rua Arcádia contemplamos
O Grande Teatro esbelto e perfeito na acústica
Não há som que do palco não seja escutado em maravilha
Em todo o canto
No maior anfiteatro do mar Egeu (25000 pessoas)
Um desafio magnífico ao engenho desses tempos gloriosos.
Pedras menores falam do Templo de Sarapis
Da Casa do Amor onde a estatueta de Priapos não nega o seu vigor.
As apelativas latrinas e as casas em terraço
Onde a pedra se fez pedrinha embutida
E revela toda a beleza do chão e da parede feito retrato.
Na Rua dos Couretes cantam presente
As Termas Escolásticas, o Templo de Adriano
A Fonte de Trajano, a Porta de Heracles
O Monumento de Memmius poderoso e firme
E a Servilius Pollio dedicaram a Fonte de Pollio.
Com outras pedras contamos
O Templo de Domitiano, a Pritaneia, o Odion...
A Ágora administrativa onde Zeus e os homens congeminaram
O desejo de todos os tempos em cada ser humano
O sucesso... Sob o olhar atento da Deusa Vitória.
La está magnífico o relevo de Nike a dizer a todos
Mesmo que em ruínas vim, vi e venci...
José Luís Rodrigues

Diferenças entre o Papa Bento XVI e o Papa Francisco

Estão circular na internet até à saciedade várias imagens que demonstram as diferenças entre os dois Papas, Bento XVI e Francisco, na forma como encaram o poder Papal e na aceitação ou recusa dos ornamentos que revestem a figura do Papa. Por sinal muito requintada em Bento XVI e mais pobre, humilde e sóbria no Papa Francisco. Mas, que culpa tenho eu que assim seja? -  Já tinha previsto que isto ia dar bronca até se notar que alguns andam profundamente incomodados e irritados com isso. Está a ser pretexto para vir ao de cima um certo fundamentalismo. 
A mim não me incomoda nada que se façam as diferenças, se são reais e as imagens falam por si, que se há-de fazer... O que sei é que há imagens que valem mil palavras, isto é, neste caso 10 milhões de palavras. Mas que fique claro não sou eu que construo tais imagens nem muito menos ando a descrever as diferenças, aliás, nem precisam de ser escrita, basta ter olhos para ver.  
A segunda parte da crónica do Professor Anselmo Borges de hoje no Diário de Notícias de Lisboa descreve muito bem a imagem e a mensagem que nos tem transmitido o Papa Francisco. Aliás o que importa mesmo neste momento. Alguns não gostam, pois claro, mas que culpa tenho eu? - Vá lá contentem-se também me incomodei e até me irritei com algumas coisas nos tempos de outros Papas. Mas que hei-de fazer, é assim a vida, é assim a Igreja, que podemos fazer contra isso?... Concentremo-nos no que importa mesmo, o restante Deus fará...

Professor Anselmo Borges, no Diário de Notícias de Lisboa, 15 de Junho de 2013....
«2. Quando no passado dia 13 de Março o Papa Francisco apareceu à multidão, simples, quase tímido, inclinando-se e pedindo a bênção e a oração dos fiéis, muitos pensaram que podia vir aí um novo João XXIII. E não têm faltado sinais a confirmar a intuição. Ficou na Casa de Santa Marta, evitando os apartamentos pontifícios; não se esquece dos pobres; anuncia sem cessar o amor, a misericórdia e o perdão de Deus; quer a transparência na Igreja; critica o carreirismo eclesiástico; beija as crianças e os deficientes; recebe sem pompa e senta-se no meio do povo, depois de celebrar a Missa; lavou os pés a mulheres, incluindo uma muçulmana... Pela simplicidade, cordialidade, serviço, Francisco conquistou a simpatia de todos, crentes e não crentes. O Evangelho avança como notícia boa e felicitante.
Mas a Igreja, uma estrutura complexa, também precisa, e urgentemente, de reformas. E Francisco está na disposição de implementá-las, apesar das dificuldades. Os media fizeram-se eco da notícia em todo o mundo. "Reflexión y Liberación", esclareceu entretanto que as declarações atribuídas ao Papa podem não ser completamente textuais, mas exprimem "o seu sentido geral". Numa conversa cordial com a Confederação Latino-americana e Caribenha de Religiosas e Religiosos (CLAR), Francisco disse o que já se sabia, mas agora é dito por ele: "Na Cúria há gente santa, mas também uma corrente de corrupção. Fala-se do lóbi gay, e é verdade: está aí." E advertiu contra certos grupos restauracionistas. "A reforma da Cúria romana é algo que quase todos os cardeais pedimos, nas congregações que precederam o conclave. Eu também a pedi. A reforma não posso fazê-la eu." Mas confia na comissão de oito cardeais de todo o mundo, nomeada por ele: "Vão levá-la por diante."»

sexta-feira, 14 de junho de 2013

O fardo que nos aflige

Genial... Não percam.

A Ilha dos sentimentos

Autor: Reinilson Câmara
Era uma vez uma ilha, onde moravam todos os sentimentos: a Alegria, a Tristeza, a Sabedoria e todos os outros sentimentos. Por fim o amor. Mas, um dia, foi avisado aos moradores que aquela ilha iria afundar. Todos os sentimentos apressaram-se para sair da ilha.
Pegaram os seus barcos e partiram. Mas o amor ficou, pois queria ficar mais um pouco com a ilha, antes que ela afundasse. Quando, por fim, estava quase se afogando, o Amor começou a pedir ajuda. Nesse momento estava passando a Riqueza, com um lindo barco. O Amor disse:
- Riqueza, leva-me contigo.
- Não posso. Há muito ouro e prata no meu barco. Não há lugar para ti.
Ele pediu ajuda à Vaidade, que também vinha a passar.
- Vaidade, por favor, ajude-me.
- Não posso te ajudar, Amor, tu estás todo molhado e poderias estragar o meu barco novo.
Então, o amor pediu ajuda à Tristeza.
- Tristeza, leva-me contigo.
- Ah! Amor, estou tão triste, que prefiro ir sozinha.
Também passou a Alegria, mas ela estava tão alegre que nem ouviu o amor chamá-la.
Já desesperado, o Amor começou a chorar. Foi quando ouviu uma voz chamar:
- Vem Amor, eu levo-te!
Era um velhinho. O Amor ficou tão feliz que esqueceu-se de perguntar o nome do velhinho. Chegando ao outro lado da praia, ele perguntou à Sabedoria.
- Sabedoria, quem era aquele velhinho que me trouxe aqui?
A Sabedoria respondeu:
- Era o TEMPO.
- O Tempo? Mas porque é que só o Tempo me trouxe?
- Porque só o Tempo é capaz de entender o "AMOR"."

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Uma avalanche de impaciência

Mesa da palavra
Comentário à missa deste domingo
Domingo XI Tempo Comum
O Evangelho, que será proclamado nas missas deste Domingo, relata-nos a visita de Jesus a casa de Simão, um fariseu abastado e sábio. Nisto aparece uma mulher que se põe a chorar e a beijar os pés de Jesus. Perante esta circunstância qualquer um de nós afastaria logo a mulher dando-lhe um pontapé para que não nos incomodasse diante de tanta gente, porque a sua atitude, está a causar-nos vergonha, fazer-nos corar com os calores do incomodo e ainda mais violentamente reagiríamos, se soubéssemos que essa mulher era de má vida. Uma prostituta.
Porém, Jesus sabendo que esta mulher precisa do seu perdão e do seu acolhimento, deixa-a estar como está. Esta situação será útil para Jesus ensinar que não existe pecado nenhum que fique fora do perdão de Deus. Todas as pessoas têm lugar na mesa do perdão, basta que o desejo de reconciliação esteja bem presente no coração de todos.
Calculo que os olhares de desdém nesta ocasião tenham sido bastante apurados entre todos os convidados de Simão. Mas, Jesus sabendo do que se passa no seu coração interroga Simão com o seguinte caso, dois devedores, um que devia quinhentos denários e o outro cinquenta, como não tinham forma de pagar foram perdoados, qual deles ficará mais amigo do credor. A resposta é óbvia, «o que devia mais quantidade».
Se na lógica humana, funcionamos desta forma, porque não pode Deus fazer o mesmo na sua acção misericordiosa em favor da humanidade, no exercício do perdão. Não há preço nem medida para a prática do perdão. Deus distribui a sua misericórdia a todos, basta que a força do arrependimento seja uma realidade no coração de todos.
Com este facto da mulher que lava os pés de Jesus com as lágrimas e os beija, pretende-se chegar exactamente ao ponto central da questão. Esta mulher que chora e beija os seus pés de Jesus, parece ser uma pecadora, isto é, segundo a mentalidade geral, era uma mulher de vida prostituída, devia ser logo repudiada por Jesus, se realmente Ele se diz profeta. Como é tão frequente este puritanismo sórdido... 
Neste tempo, o gesto de Jesus cala fundo. Esta sociedade, tomada por poderes que sugam tudo quanto podem, que marginalizam os doentes, os pobres, os idosos, os falhados (os sem sorte)... Ferindo de morte todas as perspectivas de futuro de um povo inteiro. Então, abundam os pontapés de uns contra os outros, porque falta o respeito, a sobriedade, a humildade e a vontade de chamar todos para a mesa da felicidade. Este ambiente, conduziu à intolerância face aos outros, à irritação perante as defeitos e as mazelas que acompanham cada pessoa. Há uma avalanche de impaciência preocupante. Jesus provoca-nos com esta lição de paciência, respeito e perdão perante esta mulher que se humilha, mas que logo de seguida Jesus exaltam, porque procurou a transformação e o encontro consigo mesma.
Nós precisamos deste abaixamento, para nos transformarmos e logo de seguida termos condições espirituais, humanas e sociais para fazermos uma sociedade mais justa e fraterna. 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Ser Cristão – é preciso mudar mentalidades

Ontem dia 11 de Junho de 2013, ficará na nossa memória como o dia em que o Papa Francisco reconheceu haver corrupção no Vaticano e um lóbi gay. Não é novidade, foi essa a razão da renúncia de Bento XVI. O reconhecimento confirma a razão invocada. O Papa Francisco confessa-se incapaz de reformar a Cúria do Vaticano, porque é muito desarrumado, tal tarefa fica a cargo da comissão de cardeais nomeados para tal. Oxalá que esta graça aconteça para bem da Igreja e da propagação do Evangelho de Jesus de Nazaré, que aparece andar um pouco esquecido no meio deste imbróglio em que estamos mergulhados.   
Ficará também para os anais da Diocese do Funchal, que na celebração do seu 499 Aniversário, a presença na Madeira do Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, que proferiu uma conferência na Igreja do Colégio (11 de Junho de 2013), disse uma série de coisas bastante oportunas quanto à necessidade da mudança da Igreja. Disse, que é «preciso mudar as mentalidades», que «há padres secularizados, mas também há leigos clericalizados», que «antes os problemas eram os mesmos, as soluções eram as mesmas, agora não é assim, a vida e o mundo não se apresentam em tudo da mesa forma e com os mesmos contornos», mais ainda assinalou a necessidade de fazer-se a aposta no que já existe e apelou à criatividade para que surjam novas formas de evangelização da Igreja e do mundo. Todos são chamados a este trabalho, porque o tempo da Igreja piramidal determinista acabou e eis que chegou o tempo da comunhão e união fraterna com grande respeito pela pluralidade e diversidade.
Alguns acharão que estamos perante um discurso ousado. Realmente, também considero. Nem sempre foi assim este bispo. A idade e as circunstâncias fazem as pessoas. Ainda bem.   
Mudar mentalidades, foi o que disse como mote da sua comunicação. Urge hoje inventar novas maneiras de ser cristão ou de ser fiel - não só no sentido de fidelidade, mas também no sentido de ser cristão de plenos direitos e deveres na Igreja -, será a linha de fogo da Igreja em geral, mas particularmente da Igreja da Madeira que está a celebrar 500 anos de existência.
Inventar não em nome de gostos e caprichos, mas em nome da máxima fidelidade ao Evangelho de Cristo, o único a quem devemos cantar: «És a nossa fé». Não ser cristãos como quem vive de uma recordação que vai desaparecendo pouco e pouco, mas ser fiéis à responsabilidade que o estatuto de filhos de Deus confere e que São Paulo exprime: «Se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo» (Rom 8, 17). Quem diz herdeiro, diz continuador da missão, da vida e sujeito na transformação do mundo.
As quatro etapas devem ser esclarecidas por todos na Igreja, mas de modo especial pela hierarquia a quem compete guiar os fiéis à santidade. Deles deve vir o impulso que permitirá a muitos cristãos desestabilizados a fazerem o funeral do mundo do qual se sentem órfãos e reencontrarem o dinamismo inscrito no centro da sua fé.
Os psicólogos verificam todos os dias que os traumatismos sofridos pesam muito, mas mais grave ainda é o seu recalcamento. A dor aumenta quando a pessoa atingida não pode manifestar o seu sofrimento e não tem quem a oiça com atenção. É importante que os cristãos possam manifestar o seu descontentamento e o seu desgosto, a sua impaciência e, por vezes, a sua raiva. E os bispos e os padres não devem ficar ressentidos, porque essa manifestação saudável afinal acontece.
Por isso, renovarem-se e saírem do sofrimento faz supor que se purificaram interiormente em relação à crise, o que implica terem sido ouvidos. A hierarquia deve continuar a ver chegar-lhe esta queixa por vezes difícil de escutar. Compreende que é também sua tarefa acolher os decepcionados com a Igreja (ou os «vencidos do catolicismo» como diria Ruy Belo e tantos outros irmãos que se desencantaram com a Igreja ou que simplesmente foram esquecidos por ela). Os desencantados com os tempos, aqueles que a história recente afastou, aqueles que se inquietam com os progressos do mundo. Interessar-se-á por compreender a angústia de alguns cristãos e as suas interrogações. Preocupar-se-á com o acolhimento benevolente tanto das tentações de recuar, como das tentativas de experimentar. Sobretudo, saberão confiar na armadilha de uma atitude de defesa orgulhosa de um equilíbrio passado que se desfaz sem que a isso se possam opor.
No fundo, basta não marginalizar ninguém e centrar toda a missão evangelizadora no acolhimento de todos como irmãos, numa atitude de humildade e desprendimento. Uma Igreja interessada só em bens deste mundo não tem futuro e tem os dias contados. Por isso, requer-se uma Igreja que ponha em prática a expressão tão conhecida e badalada do Papa João XXIII, «a Igreja, deve ser Mãe e Mestra». Mais deve a Igreja toda estar ciente da palavra do Evangelho: «toda árvore boa produz bons frutos, enquanto a árvore de má qualidade produz maus frutos. Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma árvore de má qualidade pode dar bons frutos» (Mt 7, 17-18).
Para abandonar a Igreja da crise, é preciso fazer-lhe o funeral, depois é preciso também aceitar a realidade, a separação, a ausência, o desaparecimento, o desenvolvimento, as crises e os sofrimentos.
O carisma do acolhimento, da confiança, da renovação, será uma qualidade de que há-de fazer prova a Igreja dos próximos tempos, porque a Igreja tem necessidade disso. A fase que se aproxima permite-o e exige-o.