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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Ninguém se salva sozinho

Comentário à Missa do Domingo XXVI tempo comum,
28 setembro de 2014 
Os outros são o verdadeiro desafio da vida. São Paulo considera que será preciso cultivar bons "sentimentos", isto é, os sentimentos de Cristo, para que o entendimento entre nós e os outros seja uma realidade.
Mas, já é antiga a denúncia de que a relação com os outros não é pacífica. O mito de Sófocles é claro, na magnífica "Antígona", ao proclamar no ponto alto do diálogo o seguinte: "A teimosia merece o nome de estupidez". E Hémon, um dos personagens da Antígona dirá alto e bom som: "Quem julga que é o único que pensa bem, ou que tem uma língua ou um espírito como mais ninguém, esse, quando posto a nu, vê-se que é oco". Toda a superioridade perante os outros merece esta resposta e não pode ser senão a pior coisa que a "louca" da imaginação de cada um inventa, destruindo assim o bem e a felicidade que Deus deseja para o mundo.
O estado de superioridade acontece nas coisas mais corriqueiras da vida. As relações profissionais estão cheias desta realidade. As famílias alimentam-se deste sentimento como do pão para a boca. As religiões ou as igrejas também vivem esta condição com a mesma frequência com que pronunciam orações. E dos que se consideram a si mesmos superiores, diz-se o mesmo que disse Ambrose Bierce, são uns cobardes. E cobarde para este autor era alguém que, numa situação perigosa, pensa com as pernas.
Este sentimento, é o que mais inimigos, produz. Os rancores que muitas vezes as pessoas expressam uns contra os outros estão associados à ao egoísmo e ao convencimento pessoal centrado no ego muito longe da partilha para o bem comum. E sobre estes sentimentos, Oscar Wilde ensinou que a melhor resposta, consiste em perdoar-lhes sempre, porque nada os aborrece tanto.
A sabedoria da vida está em saber acolher o mistério. Não são os desastres que libertam e fazem a felicidade, mas a descoberta da verdade e da paz ("os sentimentos de Jesus Cristo" - segundo o Apóstolo Paulo), como alimento essencial para a relação com os nossos semelhantes.
Consequentemente, Jesus no Evangelho ensina que não bastam palavras e declarações de boas intenções, é preciso viver, dia a dia, os valores do Evangelho, seguir Jesus nesse caminho de amor e de entrega que Ele percorreu, construir, com gestos concretos, um mundo de justiça, de bondade, de solidariedade, de perdão, de paz.

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