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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Deus e eu - Com Carlos Vares

 Deus e eu - Um texto exclusivo do Carlos Vares para os leitores do Banquete... 
Frente a frente. Adorá-lo ou Desafiá-lo? Como entidade de bem não levará a mal um exercício de dúvida. Será que olho para Ele nos olhos? Será um ser, uma luz, uma metáfora, uma mandala, uma consciência, um valor ou uma ética? O que finalmente será?

Enerva aquele modo de Ser que encerra em nós as perguntas e as respostas, um monólogo em presença de dois com todos. Se vê, ouve e sabe tudo só poderei jogar com a verdade nos limites da compreensão humana. A verdade com Deus é como uma arma de dissuasão pela positiva, não haverá um passo em falso sem ter a certeza. É incrível que haja esta solução e ninguém a tenha usado. Deus parece aqueles que nunca perdem a razão porque nunca vão a votos. Será? Que silêncio.

Não será naïve jogar honesto para perder quando outros jogam sujo e ganham, ficando com a razão e a importância através da vitória suja? Se vitórias assim ditam as regras, como pode o mundo triunfar se o mal é tão fácil e o mérito tão desafiante na complacência do próprio Deus? Será que Deus é uma matriz de consciência que surge com a evolução do ser humano? Existe enquanto tivermos consciência ou existência?

Custa ter coragem de reclinar o olhar e finalmente ter a certeza de que existe quando sentimos tanta injustiça, quando parece que os piores ganham sempre e que os males afectam só a boa gente. Será que notamos o benefício dos maus e omitimos o dos bons? Será de novo a consciência? Onde acaba o sentimento e começa o pecado?

Como responderia Deus aos desafios dos maus materializando a sua presença na Terra? Penso em momentos da história universal que nos poderiam ter levado ao extermínio se o bem não lutasse com maus modos. Imagino a Segunda Grande Guerra, com os bons a lutar com as palavras e não com armas, como ganharíamos à besta? Não teremos vencido por via do pecado para alcançar o bem? Proponho um desafio, ver as suas soluções em aulas práticas. Há uma condição, teria que actuar como ser humano, sem truques. Será que Deus na ausência da harmonia e da perfeição, na presença de toda a maldade deste mundo, também perderia as estribeiras? Chegaríamos ao limite da legítima defesa para cometer um pecado inimputável? Seria prova da Sua imagem e semelhança em relação a nós? Só me lembro do sofrimento de Cristo e o que disse na cruz enquanto homem. Somos experiências de Deus para alcançar a perfeição?

Como ser perfeito, supremo, infinito, a causa primária de tudo mas também o fim das coisas, Deus nunca esteve sujeito a um início onde decorre o espaço, o tempo, a matéria e o transcendente. Se nascemos mas nunca temos fim, passando da matéria para o espírito e Deus é a origem, onde somos a imagem e semelhança, qual a génese do Criador? Se Deus é a origem de tudo como existe Deus e o conhecimento? Será que regressamos, de novo, à matriz de consciência onde Deus derrama a evolução do homem nesta imensidão do universo? Deus é autodidata ou faz experiências connosco?

Somos os únicos à Sua imagem e semelhança no universo? Porquê só nós ou porquê tantas imagens e semelhanças? Porque a fé é profusa em metáforas num labirinto que nos impede de chegar a ideias claras? Para criar o mistério da fé? Porque temos tantas perguntas ao fim de tanto tempo?

Num mundo com tantos deuses, muitas vezes fonte de discórdia, porque terei eu o original e os outros não? O meu Deus não sucumbirá como os deuses dos egípcios, dos gregos, dos astecas ou por acção da ciência? Porque ficamos instantaneamente devotos quando a ciência falha ou não é suficiente? Deus existe porque precisamos de acreditar, nos referenciar em algo e ter a resposta universal quando desconhecemos?

Por vezes agoniamos tal como seu Filho na cruz e ficamos a pensar se sente, apesar de ter criado o que, por vezes, estes terrenos sentem de dor e injustiça.

O leitor é crente por fé, por devoção, por via das dúvidas, não vá o diabo tecê-las ou só quando está aflito? Porque é que sendo uma questão para se levar muito a sério há muitos intermitentes na sua fé? Porque é que se a fé salva o espírito para todo o sempre somos tão humanos, com defeitos e virtudes, no dia-a-dia? O que falha em algo tão imprescindível?

Que certezas ficam? Deus é um enigma que cada um assume com maior ou menor profundidade, para distinguir o bem do mal, e nos transportar do plano material da nossa dimensão humana para a espiritual? Deus faz-nos viver pelo melhor prisma da humanidade? A Sua existência serve para nos provocar a dúvida e termos a humildade da pequenez na imensidão do desconhecido? Será que é a dúvida sobre Deus que nos faz melhores pessoas? Se a humanidade falhar será à sua imagem e semelhança? Se Deus exerce efeito, existe? Como? A descoberta é a missão da vida.

Caro Deus gostei muito deste bocadinho, agora que virei do avesso a fé, as consciências ou existências, deixo-te por afazeres terrenos. Abana esses Santos acomodados porque vivemos tempos desafiantes onde a descrença substitui a dúvida. Dizem que o Padre José Luís convidou o Trump para um “Deus e eu”, vou ver como te desenrascas! Já percebeste que é mentira, pequei por uma boa causa, a de desafiar-te a ser melhor Deus. Que heresia.

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