
2. O jornal
Moscow Times diz que com esta lei, os actos de violência doméstica que não
causem ferimentos graves, não obriguem as vítimas a procurarem tratamento
hospitalar ou que não as obriguem a faltar ao emprego ou à escola, são tidos
como contraordenações. Nesse chavão estão incluídas agressões que provoquem
«queimaduras, contusões, feridas superficiais ou lesões dos tecidos moles». A
penalização para estes casos é uma multa e a agressão só será considerada crime
se ocorrer mais que uma vez. Só me ocorre uma simples palavra perante isto, inacreditável...
3. Porém, mais
ainda é inacreditável as palavras que formam as justificações que os defensores
desta lei apresentam. Vamos então aos seguintes detalhes, soberbamente
curiosos. A lei foi aprovada na câmara do parlamento, com 385 votos a favor,
com um, sublinho um voto apenas contra e uma abstenção. Os defensores da nova
lei argumentam que a lei anterior limitava os pais de exercerem o «poder» na
educação dos filhos e que a lei não permitia que eles impusessem aos filhos uma
conveniente disciplina. Agora, o Estado não pode intrometer-se nas famílias.
Bonito serviço.
4. Mais ainda
fiquei boquiaberto com as declarações de uma mulher, Yelena Mizulina, a
deputada conservadora que apresentou a lei. Disse o seguinte: «Na cultura
familiar tradicional da Rússia a relação entre pais e filhos é baseada na
autoridade e no poder dos pais e as leis devem apoiar a tradição familiar, não
queremos que as pessoas sejam presas por dois anos ou consideradas criminosas
para o resto da vida por causa de uma chapada». Se não visse esta frase entre
aspas e devidamente identificada, custava-me acreditar no que lia. Assim está o
mundo em que vivemos.
5. O que pensa
esta gente da violência doméstica que provoca distúrbios irreparáveis na alma,
na dignidade, na personalidade e no carácter das pessoas e que deixa traumas
para toda a vida? – Sim, aquela violência que insulta e humilha, com palavras,
com traições, com a calúnia, a mentira, o jogo psicológico, a perseguição, as
ameaças, as promessas de vingança, a impaciência, a falta de compreensão, de
perdão e todas as formas de violência que pode não recorrer à pancada física,
é certo, mas que na realidade ainda é mais dura e mais prejudicial ao bem estar
das pessoas no presente e no futuro… Será que estamos num tempo novo, o do
«tiranos da família», que sob o efeito do álcool, das drogas e com as suas
manias de poder absoluto pode dominar tudo a seu belo prazer, que ninguém tem
nada com isso? – Mais um retrocesso grave que fará sofrer muitas famílias
russas.

7. Não posso
crer nesta desordem mundial. Mais ainda se considerarmos que os poderes do
mundo estejam a patrocinar e a legitimar esta nova desordem mundial que já
sabemos o quanto de mal está a fazer às sociedades e neste caso da violência
doméstica, às famílias. Fundo até sabemos tudo isto começou, não sabemos ainda
onde tudo isto vai parar e para onde nos vai levar.
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