
2. Face ao exposto, volto afirmar o que
já disse sobre os cartazes contra o Papa Francisco, são até agora a melhor homenagem que os integristas e fundamentalistas
católicos fazem ao Papa Francisco... Ainda bem que se lembraram disto. Assim se
prova que a «luta» contra o racismo e a xenofobia vale a pena e que a «igreja
exclusivista» tem os dias contados. Assim, resta dizer, coragem Papa Francisco,
vencerás e a maioria da Igreja Católica em todo o mundo está contigo. Só me falta
lembrar Mateus 5, 11- 12: «Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos
insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos
e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa. Pois assim perseguiram
os profetas antes de vós».
3. Neste mesmo contexto gostaria também
de pensar escrevendo aqui no Banquete alguma reflexão sobre o que fizeram à
«pobre» Irmã Lucía Caram, uma religiosa espanhola que num programa de televisão
se pronunciou sobre a relação de Maria e São José neste teor: «Acredito que Maria estava apaixonada por José. Acredito que eram um casal
normal», disse quando questionada acerca da questão da virgindade de Maria, «um
conto infantil que não é actualizado» nas palavras do apresentador do programa
Chester in Love, do canal Cuatro, Risto Mejide. «Tinham sexo?», pergunta o
anfitrião. «Bem, se digo que sim, caem-me todos em cima. Acho que é uma coisa
normal num casal», defendeu, salientando que sabe que é uma questão «difícil de
entender, de acreditar».
4. O mal
entendido foi tanto que a freira recebeu ameaças de morte, foi repreendida pelo
bispo de Vic e teve de pedir desculpas e esclarecer o que queria dizer. Já na
ocasião da entrevista a religiosa fez notar que podia ser mal entendida, pelo
que evitou falar abertamente sobre a Virgindade de Maria, a Mãe de
Jesus. Sofreu toda a sorte de insultos nas redes sociais do mundo,
especialmente na Espanha, onde circula uma petição para que ela seja afastada
da sua ordem. A manchete de um site conservador espanhol evoca os tempos de
péssima memória da inquisição: «A dominicana Lucía Caram blasfema contra a
Virgem Maria». O assunto mereceu uma reportagem do jornal britânico The Guardian.
5. Simpatizei com esta irmã. E daqui
expresso a minha solidariedade. Merece respeito pela coragem e pela visão
lúcida e desempoeirada que manifestou. Maria quanto mais humanada mais virgem e
mais pura ainda. As ameaças terríveis que fizeram contra a irmã são do pior que
tenho visto nos últimos anos dentro da Igreja Católica. Não pode de forma
nenhuma quem tem fé em Maria, a senhora da paz e do amor incondicional por
Jesus, chegar ao ponto de ameaçar de morte quem pensa diferente, quem apresenta
uma visão sobre a virgindade de Maria mais de acordo com a sua humanidade. Daqui
proclamo, brava irmã e continue firme com as suas convicções. Jesus veio para
confundir os fortes, defendendo os fracos, a verdade, a humanidade e o amor.
Nós, seus discípulos, também devemos fazer o mesmo, se a verdade que anunciamos
confunde, então, estamos no caminho de Deus.

7. A irmã Caram mexeu num canto empoeirado e escuro da Igreja Católica e
do cristianismo conservador, ela foi sal, causou incómodo a ponto de sofrer reacções
como as ameaças de morte. O dogma da «virgindade eterna» de Maria, mãe de
Jesus, é insustentável à luz dos Evangelhos, porque pouco falam nisso e a sua
construção ao longo da história da Igreja tem pouco de teológica e muito de
ideológica. Mais ainda se considerarmos que as pessoas cresceram e que não são
estúpidas. Todos estes que se sentem ofendidos e «confundidos» como gostam de
contra atacar não param para pensar, não reflectem, não lêem a realidade, não
escutam o pulsar e pensar dos tempos de hoje e atacam só porque sim.

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