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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Semana de Unidade dos Cristãos - 7º dia

Vivendo a fé da ressurreição
Leitura bíblica: Romanos 6, 13-18: «Não entregueis os vossos membros, como armas da injustiça, ao serviço do pecado. Pelo contrário, entregai-vos a Deus, como vivos de entre os mortos, e entregai os vossos membros, como armas da justiça, ao serviço de Deus. Pois o pecado não terá mais domínio sobre vós, uma vez que não estais sob a Lei, mas sob a graça. Então? Vamos pecar, porque não estamos sob a Lei, mas sob a graça? De modo nenhum! Não sabeis que, se vos entregais a alguém, obedecendo-lhe como escravos, sois escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado que leva à morte, quer da obediência que leva à justiça? Demos graças a Deus: éreis escravos do pecado, mas obedecestes de coração ao ensino que vos foi transmitido como norma de vida. E libertos do pecado, tornastes-vos escravos da justiça».
Comentário:
Deus quer-nos livres no pensamento e na acção. Nenhuma lei deste mundo supera a Lei de Deus, que é a Lei do amor criativo e sempre disponível para que cada um seja senhor da sua vida. Daí a reflexão de São Paulo «se vos entregais a alguém, obedecendo-lhe como escravos, sois escravos daquele a quem obedeceis...». Neste sentido, cada pessoa deve radicar a sua vida no dom da descoberta do amor de Deus, que o criou para a assunpção da liberdade responsável. Todo aquele que abdica da sua vontade própria para ser dominado pela vontade de outrem, torna-se escravo aos olhos de Deus.
A unidade das religiões e dos povos, radica nesta ideia essencial que qualquer lei deste mundo é apenas um instrumento para uma boa convivência social. A lei que importa para o sentido da vida e para a salvação, é aquela que Deus nos oferece, que nos criou livres, responsáveis e capazes de toda a criatividade para construir a felicidade.
Por fim, ligo esta ideia com o pensar de Fernando Pessoa que nos desperta uma vez mais para o acreditar que a unidade se alia claramente à diferença e tudo o que seja apelo ao contrário, é um tremendo erro. Nisso consiste a riqueza da ressurreição de Jesus Cristo, que nessa vitória consumou, o desejo da humanidade de se elevar à glória na sua diversidade. Diz assim o belíssimo de Fernando Pessoa, onde se interpreta esta ideia:
O erro de querer ser igual a alguém
Aqui, neste misérrimo desterro
onde nem desterrado estou, habito,
Fiel, sem que queira, àquele antigo erro
Pelo qual sou proscrito.
O erro de querer ser igual a alguém
Feliz em suma - quanto a sorte deu
A cada coração o único bem
De ele poder ser seu.
(Odes/Ricardo Reis)
JLR

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