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terça-feira, 27 de maio de 2014

O maior político da actualidade

A viagem do Papa Francisco à Terra Santa foi anunciada como uma viagem estritamente religiosa, porém, tornou-se numa viagem mais relevante politicamente do que religiosamente, se é que se pode dissociar uma realidade da outra. Cada vez mais me convenço que não. A viagem do Papa Francisco demonstrou isso mesmo e revelou que este Papa é o maior político da actualidade. Um verdadeiro líder mundial. Nem Obamas, nem Merkels, nem, Putins, nenhum líder político de hoje consegue suplantar a presença e a capacidade política que o Papa Francisco apresenta com os seus inesperados gestos.
Tudo é simbólico no Papa Francisco. Recordo a sua oração diante do muro da vergonha com a testa encostada à parede, que revelou claramente uma denúncia contra todas as formas de divisão e de desordem que este mundo continua a levantar diante de si para se afastarem uns dos outros, suscitando ódios e vinganças desnecessárias. Este gesto deve ter incomodado profundamente as autoridades israelita que promovem e legitimam este muro betuminoso para fomentar a divisão entre povos.
Lembro o encontro interessante do Papa Francisco que se reuniu no domingo passado com o patriarca ortodoxo de Constantinopla, Bartolomeu, na Basílica do Santo Sepulcro, em Jeruslém, para um encontro ecumênico histórico pela união entre os cristãos do Ocidente e do Oriente. Aqui o Papa explicou o significado deste encontro: «Nessa basílica, para a qual todo cristão olha com profunda veneração, chega a seu ápice a peregrinação que estou fazendo junto com meu amado irmão em Cristo, Sua Santidade Bartolomeu», disse o papa.
Logo depois também afirmou  Papa que «Peregrinamos seguindo as pegadas de nossos predecessores, o Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras, que, com audácia e docilidade ao Espírito Santo, tornaram possível, há 50 anos, na Cidade Santa de Jerusalém, o encontro histórico entre o Bispo de Roma e o Patriarca de Constantinopla».
À celebração «ecumênica», marcada por cânticos e solenidade, assistiram representantes das diversas confissões cristãs, entre elas greco-ortodoxos, armênios ortodoxos e franciscanos, os quais oraram juntos e publicamente pela primeira vez nesse lugar sagrado para o Cristianismo.
Na declaração, de dez pontos, Francisco e Bartolomeu se comprometeram a respeitar «as legítimas diferenças, pelo bem de toda a Humanidade». Também concordaram em trabalhar para que «todas as partes, independentemente de suas convicções religiosas, favoreçam a reconciliação dos povos». Um momento de relevada importância para reconciliação e par ao entendimento entre os cristãos.
Mas a cereja em cima do bolo está no convite que é feito aos dois líderes dos países desavindos, Palestina e Israel. O Papa Francisco convidou em Belém, o presidente de Israel Shimon Peres, e o presidente palestineano, Mahmud Abbas, a orar pela paz no Vaticano. O convite foi feito assim: «Quero convidar o presidente Abbas e o presidente Peres para que, junto comigo, elevemos a Deus uma oração pela paz. Ofereço minha casa, o Vaticano, para esse encontro de oração», disse, de maneira inesperada, no fim da missa. Brilhante gesto. Não o faz no sentido de virem à casa do Papa para negociações, mas a rezarem pela paz. Melhor é impossível.
Mas, há mais gestos densamente políticos que saliento só para nos fazer pensar e aprendermos o quanto a nossa vida perecisa de ser vivida com gestos simbólico, mas carregados de mensagem que reconciliem e convoquem para o caminho da paz.
1.Papa Francisco beija a mão de um sobrevivente dos campos de extermínio nazistas
2. Jerusalém, Cidade de Paz: Papa Francisco e o presidente de Israel, Shimon Peres, plantam uma oliveira no jardim do palácio presidencial.
3. Papa reza pela paz junto ao Muro da Lamentações
4. O Papa Francisco abraçou-se com o seu amigo o rabino judeu Abraham Skorka e o muçulmano Ombar Abboud em frente ao Muro das Lamentações em Jerusalém, numa cena que já foi denominada como o «abraço das três religiões»: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo.

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