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sábado, 18 de julho de 2015

Quando o Verão aquece a esperança

Poema para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém.
Um certo fogo parecia incandescer as pedras
na praia onde passeava calmamente os sentidos
que ao ritmo de cada passo
como que se revelava numa visão antiga
o desejo ardente da esperança segura
que na dureza dos calhaus redondos e lisos
aqueciam os pés da humanidade inteira.

Logo mesmo próximo dos amigos dormiam
todos os bichos do Verão sobre as folhas secas
que em cada passagem rastejante estalam
humildes a morte dentro de momentos
sobre o pó impiedoso da decomposição
deste ciclo vertiginoso do esquecimento.

Nisto o marulhar teimosamente
desde o momento inicial da criação
até agora ininterrupta audição e visão
vem e vai enrolado nas mãos dos anjos
que em nome do mistério fazem fecundo
o mar de cada instante se alguém diz não
ao medo antes do mergulho do corpo
que pela cabeça
emerge para dentro do mistério da água.
José Luís Rodrigues

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