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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A lista dos trinta magníficos

Por estes dias esta lista está a ser muito falada. São trinta deputados, incluindo nomes sonantes como os de Maria de Belém, candidata a Presidente da República, João Soares, Ministro da Cultura e Ana Paula Vitorino, Ministra do Mar, que pediram ao Tribunal Constitucional o fim da suspensão das subvenções vitalícias para figuras que tenham exercido cargos políticos. São muitos da área do PS e outros tantos da área do PSD. O dito tribunal reconheceu que tinham razão, a medida é inconstitucional e deve ser suspensa.
A norma em causa foi inscrita no Orçamento de 2014, e previa a suspensão das subvenções vitalícias dos políticos nos casos em que os titulares tenham rendimento de outras fontes, superior a 2 mil euros por mês.
As subvenções vitalícias são polémicas, porque se esgrimam argumentos a favor e argumentos contra. Pela minha parte, sou totalmente contra, mesmo que me façam ver claramente que os políticos quando se candidatam perdem muito na sua vida privada e muito mais ainda na sua vida profissional. No entanto, ainda admito que nalguns casos, poucos, isso possa ser verdade. Porém, não estaria longe de aceitar tais subvenções se não vivêssemos num país tão profundamente desigual.
É do conhecimento público que alguns ex-políticos tendo direito a tal subvenção, a recusaram face aos seus valores e princípios éticos. Não podia também deixar de dar este destaque exemplar.
Assim sendo, deviam os senhores deputados pensar em tantas famílias que neste país sobrevivem com 200 euros e que naquelas famílias onde o desemprego entrou pela porta de ambos os cônjuges, andam a pedir esmola ou vivem, se tiverem a sorte, de poderem contar com a pensão miserável dos seus progenitores, de uma avó, um avô ou uma tia idosa que tenham à sua conta. É este desgoverno de país onde sobra migalhas para a maioria e abastança desmedida para a minoria de privilegiados que tiveram a sorte de se colocar no lugar certo, na hora certa e de terem os amigos estratégicos para chegarem lá. É isto que é intolerável.
A meu ver, é desta indignação de que falamos quando se houve falar em benefícios para quem quer que seja à conta dos contribuintes. Ainda assim, esperemos que impere o bom senso, mais ainda se espera que os partidos políticos, mais esquerda, que sustentam o actual governo e que já manifestaram o seu descontentamento e discordância, sejam firmes quanto ao fim desta medida pretendida pelos trinta magníficos. E sempre trinta quando se trata de moedas. Até Jesus foi vendido por trinta moedas. 

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