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sexta-feira, 15 de abril de 2016

O que será um católico não praticante?

Católico não praticante, é uma expressão muito comum na linguagem de muita gente. Duvido que muitos saibam verdadeiramente o seu sentido. É moda dizer-se o que toda a gente diz. Porém, não é raro ver de muitos destes que se dizem católicos não praticantes andarem com velas na mão nas procissões, pagarem promessas e calcorrearem Igrejas a ver o self-service religioso mais bonito, barato e pouco ligado ao compromisso com a vida. Por isso, ouvirmos gente deste teor a considerar-se católico não praticante dá vontade de rir e são de uma incongruência atroz.
Noutro domínio considero mais interessante ouvir uma expressão mais inteligente, embora curiosa: «creio, mas não pratico!». Mas hoje parece ser a mais comum e enforma muitos ambientes das nossas sociedades. Não é possível crer sem praticar como não é possível ser católico sem praticar. E já agora só para vermos como se pode ter uma posição de grande elevação perante as coisas do acreditar, vale a pena citar aqui o escritor moçambicano Mia Couto, que estes dias andou pela Madeira e deixa-nos uma entrevista maravilhosa no JM: «Deus é a relação que mantenho com a própria vida. Nunca senti necessidade de venerar uma entidade, de rezar. Eu rezo quando conto as minhas histórias. Quando amo. E se existir esse Deus todo poderoso, sei que ele vai aceitar-me assim». Quem pode ousar dizer que não estamos perante um verdadeiro crente praticante?
A modalidade não praticante foi criada para tornar confortável algo que deveria exigir muito de quem crê e compromisso com a instituição que por tradição nos inseriram. Por isso, essa grande multidão, dos católicos não praticantes desejavam uma Igreja Católica mais ou menos como uma organização puramente mundana, sem valores morais, aceitando todas as loucuras relacionadas com a vida, particularmente, a banalidade da sexualidade e que os seus membros ditos por eles de praticantes, estivessem mais remetidos às sacristias e menos envolvidos na luta contra as injustiças.
O ser ganha consistência na ação. Ser católico não praticante é tão incoerente como ser outras coisas na vida e dizer que está fora delas: desportista não praticante; militante de um partido não praticante; escuteiro não praticante; vegetariano não praticante; esposo/esposa não praticante; apaixonando não praticante; devoto não praticante; amigo não praticante; sem abrigo não praticante; doido ou palerma não praticante; entre tantas coisas que esta vida tem e que nos obriga a sermos ou não sermos. Eis a questão…
Por isso mesmo amigos, quando se diz que a Igreja perde fiéis, estamos enganados. Não, ela perde infiéis e ainda bem. Nada mais normal sair de uma realidade com a qual não nos comprometemos. Quem quer ser fiel permanece e não inventa rótulos para se justificar. Ou somos ou não somos. Não apenas no âmbito da religião, mas em todas as coisas da nossa vida. Os mornos, Deus vomita-os, como ensina o Apocalipse.
Fazer parte de uma religião não é porque fica bonito. As modas passam com o tempo e com as pessoas. Fazer parte da Igreja Católica deve servir para descobrir a sua riqueza de mensagem e procurar ser militante, com sucessos e insucessos, com virtudes e falhas, na santidade e no pecado, mas sempre viver com alma o compromisso do amor.

1 comentário:

Frank Mendes disse...

Caros amigos. Sou ex seminarista e a procura da fe sempre me saiu furada. Nao creio em Deus. Viajei muito e o mundo de fartura e miseria de verdade e mentira do bom e do mau nao sao compativeis com o Deus todo poderoso que me disseram existir. No entanto quando estou em apertos, rezo e tenho que admitir que isso me da forca e novo alento. Uma contradicao, nao e?