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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Duas afirmações curiosas

1. «De forma alguma está aqui em questão a importância do património religioso porque este também faz parte da nossa cultura muito embora não seja de todos nós, pois pertence ao património do Vaticano».
2. «Compreendo que este investimento tenha sido uma estratégia política de angariação de simpatias em especial daqueles que dominam o povo cuja a falta de sabedoria, em especial na gestão irracional do medo, é uma estratégia há muito implementada no culto religioso». 
No Dnotícias do Funchal hoje 23 de maio 2016, está este escrito da Patrícia Sumares: «Ufa! Afinal há mais cultura para além das capelinhas» (podem ler AQUI na íntegra). Chamou-me a atenção estas duas afirmações tão categóricas, que a meu ver carecem de fundamento. Não havendo fundamento, são infundadas e não correspondem à realidade. 
Sobre a primeira afirmação, é mais que óbvio que todo o património da Madeira pertence ao povo madeirense e particularmente às comunidades onde esse património está ao serviço. Se for dito que muito património está mal gerido e subaproveitado, corroboro com essa ideia e defendo que poderia ser mais bem gerido se tivéssemos católicos mais militantes, preocupados e interessados em avançar para diante e colocar a render (em termos de serviço ao bem comum) o que pertence à Igreja da Madeira. Também não se diga apenas que os católicos no geral são apenas os culpados dessa situação, há outros, especialmente, quem tem em cada momento histórico a responsabilidade de gerir esse património. O Vaticano não é dono de nenhum património na Madeira nem em nenhuma diocese do mundo. O património da Igreja em geral pertence à humanidade, particularmente, aquela humanidade que contribui para o manter e que dele de alguma forma pode servir-se.
A segunda afirmação defendida pela autora, também é infundada e é injusta face ao trabalho enorme que muita expressão religiosa vai fazendo para que as pessoas se libertem do medo e de todas as amarras deste mundo que aprisionam tanta gente à indignidade e pobreza. 
Tem razão se situar esta pastoral e catequese nalguns momentos da história da Igreja Católica, hoje não existe nenhuma pastoral e catequese que se baseie nesta ideia. Os medos hoje das populações são de outra ordem, mas a existir no domínio religioso, resulta da imensa ignorância e da falta de vontade em crescer e esclarecer-se, que muita gente hoje apresenta face à vida religiosa. Agora garanto-lhe que não existe na Igreja Católica nenhuma pastoral que se baseie no medo nem sequer do inferno que foi chão que já deu uvas.

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