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terça-feira, 10 de maio de 2016

Não ter medo de ousar quebrar o gelo

À luz de muita doutrina que vai produzindo o Papa Francisco, sempre cada vez mais à luz do Evangelho de Jesus de Nazaré e menos centrada no rol doutrinário da Igreja Católica cimentado pelo passar dos séculos, descobre-se que Jesus foi um libertário, um pé no chão, uma humanista, um transgressor de leis que oprimiam as pessoas, especialmente, os pobres e os simples.
É este Jesus prático, livre de qualquer amarra que não somos capazes de ver actualmente... Porque ainda persiste uma poderosíssima instituição como tão material como outra qualquer, agarrada a regras ancestrais em nome do poder e da conservação de riquezas. A avareza na Igreja é muito forte. A denúncia está posta a nu no livro «Avareza» de Emiliano Fittipaldi, o jornalista que passou um ano a investigar a gestão das finanças das instituições que gerem os bens da Igreja Católica. A investigação resultou no livro Avareza, e a fuga de informação que relata já mereceu o nome de Vatileaks. Vai entrar no rol das próximas leituras e vai ficar a fazer com par com os «Corvos do Vaticano», denunciado tão prontamente pelo Papa Bento XVI e quiçá a razão mais forte para a sua renúncia.
A conversão a outra forma de ser Igreja tem sido insistente por parte do Papa Francisco. É preciso não ter medo e inspirar-se no destemido Jesus de Nazaré, quebrar o iceberg das seculares amarras criadas para preservar as riquezas da Igreja e o poder de alguns eleitos por amigos ou por reles carreiristas, depois avançar com uma Igreja que seja luz para os tempos concretos em que vivemos. Basta que seja menos rubricista, mais humana e aberta a todas as realidades da vida dos homens e mulheres de cada tempo. O amor e a misericórdia de Deus serão as suas mãos para abraçar e não para condenar.

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