Convite a quem nos visita

sábado, 30 de janeiro de 2016

Olhar de Eva

Por ocasião do 103º aniversário do nascimento de Amrita Sher-Gil, pintora indiana... 
"Grupo de três jovens mulheres", de Amrita Sher-Gil
Se te vejo esperança minha
Entre duas metades de uma maçã
Partida pelo fogo do olhar de Eva
Quando foi tomada pela vontade
Ardente, daquela hora luzidia e madura.

Disse que foi para sentir o gosto de Deus
Na simbiose perfeita do fruto criado.

Antes desta feliz desobediência
A divindade que se deu no amor
Formou a ambiental geografia do Éden.

É seguro que a totalidade original da Obra
Ergueu penedos, árvores, ervas, animais...
E os frutos de todas as cores e sabores.

Bendito seja a grandeza do inominável
Que nenhum pecado desta vida
seguramente nunca superou.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Caminhar com Jesus

Uma breve reflexão para quem vai à missa (e não só). Domingo IV tempo comum...
A tendência humana mais frequente, é reconhecer desde logo que o que é de fora é que é bom. Não valorizamos o que somos e o que temos dentro da nossa casa. Quantos filhos só se dão conta que realmente amavam de verdade os seus pais só depois de eles terem morrido?; E quantas coisas só são realmente importantes quando não as temos? - A vida parece ser um pouco estranha e cada um de nós ainda mais estranho que a própria vida.
Por isso, segundo Francisco, a «novidade do Evangelho» consiste em «dar-se a si mesmo, dar o coração aos inimigos» para não ser apenas uma «troca» e faz refletir muito a partir dos verbos que Jesus usa - «amai, praticai o bem; abençoai; orai, oferecei, não rejeiteis; oferecei». Adiantou mais ainda: «Jesus com isto mostra-nos o caminho que devemos seguir, um caminho de generosidade», revelou o Papa, que assinala que Jesus pede também aos cristãos que «pratiquem o bem» àqueles que os «odeiam» ou que abençoem «quantos os maldizem».
Jesus irrita os seus conterrâneos, porque as suas palavras são um desafio contra a mesquinhez das ideias religiosas. Numa das suas homilias o Francisco fez a exortação a não julgar: «Muitas vezes parece que nos nomearam juízes dos outros, mexericamos, falamos mal, julgamos todos».
Todos nós agarramo-nos a coisas de pouca importância e fazemos disso o centro da vida e do mundo. A teimosia é um grande mal que afecta todas as famílias.
As palavras que nos dizem ou os conselhos que nos transmitem muitas vezes têm uma recusa imediata porque não temos vontade nem paciência para receber nada que venha de pessoas nossas conhecidas. Quando sabemos da vida de cada um é difícil escutar as suas palavras. Jesus é uma companhia que desafia para a verdade da vida e que nos desacomoda da superficialidade e banalidade da vidinha pessoal. Porque «Ser cristão é tornar-se insensato, num certo sentido. Renunciar àquela esperteza do mundo para fazer tudo o que Jesus nos diz» (Papa Francisco).
O Papa Francisco já nos apontou que «caminhar com Jesus» é andar na «misericórdia» e salientou que «a vida cristã não é autorreferencial» porque «sai de si mesma para se dar aos outros». «É um dom, é amor e o amor não é egoísta, dá-se», acrescentou.
É muito importante que nos deixemos conduzir por este Jesus próximo, amigo e companheiro que vem à nossa terra, à nossa casa e à nossa vida para nos mostrar o caminho da eficácia salvadora. Nisso está a felicidade. Esta é a Boa Nova do Reino de Jesus. Como é belo o amor dos nossos próximos...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

«Crer para ver» em Virgílio Ferreira

Se fosse ainda pertencesse ao mundo dos vivos faria hoje 100 anos (nasceu em Gouveia a 28 janeiro de 1916 e morreu em Lisboa a 1 de março de 1996)
Guardo com muita estima muitos momentos da obra de Virgílio Ferreira e retenho especialmente uma passagem de «Na Tua Face»: «…reparei que pouco a pouco eu ia passando através de toda a sua face enrugada e divisava através dela como de um vidro sujo a sua face antiga inatingível que estava do lado de lá e não nela, no vidro. (…) Levantamo-nos e de súbito eu vi, eu vi o rosto de Bárbara rejuvenescer, a face lisa de esplendor e imprevistamente era aí que eu repousava, na tua face, na imagem final do meu desassossego».
Perante esta riqueza que nos sossega as dúvidas descobre-se uma passagem de Régis Debray: «(o Deus único), é uma ideia de tal maneira forte que há um poder de síntese, um poder de explicação de tal forma vivificante, dir-se-ia uma necessidade vital, que penso que Deus não nos abandonará e que nós não abandonaremos Deus». Deve ter sido precisamente por aqui que o autor de «Manhã Submersa» e de «Aparição», deve ter repousado com alegria e felicidade. Pois estes temas são essenciais no seu pensamento, perpassam toda a sua obra. Com o autor não devemos perder esta certeza: «O melhor de uma verdade é o que dela nunca se chega a saber». E em relação ao trocadilho mais popular do mundo, «ver para crer», definiu o seu contrário, «crer para ver». 
Fica esta invocação sobre um autor pelo qual se aprende a crer que há um sentido último para a existência e Virgílio Ferreira, há muito tempo que entrou na dimensão da plenitude desse sentido da vida. A procura da sua obra revela que o autor procurou magistralmente e incansavelmente o sentido da existência.  

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

A verdade é sinfónica

A verdade é sempre um ideal tão elevado e transcendente como o bem, a beleza ou a liberdade, que apenas nos é dado nomear. A verdade está ao lado destes valores que refletem o que é o mistério de Deus. E por serem atributos de Deus, são ideais insondáveis e só estão ao nosso alcance por aproximação ou por vestígios.
A pergunta de Pilatos a Jesus é sintomática e a reação de Jesus (ou a não reação) é reveladora de como estamos perante uma dimensão inefável da comunicação. Pergunta o Político Pilatos: «O que é a verdade?» (Jo 18, 38). A resposta de Jesus é profundamente esclarecedora. Isto é, Jesus remete-se ao mais profundo silêncio e deixa perceber que a verdade não tem outra definição senão o mais desconcertante silêncio. No entanto, não devemos esquecer que o mesmo Jesus já tinha ensinado que a verdade autêntica era a sua pessoa mesmo. E assumir hoje a riqueza da diversidade, o diálogo e escuta mútuos, a oração e o compromisso pela justiça, a verdade que «não é minha nem tua, para que possa ser tua e minha» (S. Agostinho).
A verdade é fácil de contemplar, mas difícil de realizar. Os caminhos tortuosos que a vida nos oferece nem sempre permitem a realização da verdade como o valor mais procurado, defendido e vivido. As circunstâncias do quotidiano obrigam ao mais profundo desgaste da verdade e conduzem, por vezes, ao esquecimento daquilo que é autêntico para a identidade das pessoas e das coisas. Muito facilmente a vida empurra para a não verdade das situações e das atitudes. E, como dizia o teólogo H. Urs von Balthasar, «a verdade é sinfónica».

Um mundo cada vez mais perigoso

Esta manhã fomos confrontados com as declarações graves do ex-Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), António Guterres. O mais prestigiados português da atualidade, afirmou que há «sérios riscos» do sistema europeu de asilo e do espaço Schengen «colapsarem» porque há «cada vez mais» países a recusarem entrada de refugiados. Assegurou que «No momento em que os europeus precisavam de se unir, infelizmente continuam a desunir-se, o que é péssimo para os refugiados», sustentou no debate «Estudo de Caso: A tragédia dos refugiados e a resposta internacional», nesta segunda-feira à noite na Fundação de Serralves, no Porto.
O ex-primeiro-ministro português frisou que «as coisas em vez de estarem a melhorar estão a piorar», lembrando que o drama dos refugiados é uma «tragédia» e um «mau sintoma» da situação atual de um mundo «cada vez mais perigoso». O Papa Francisco tinha advertido da seguinte forma: «É o mistério do mal que ameaça também a nossa vida e que requer de nossa parte vigilância e atenção para que não prevaleça» (Angelus, 4 janeiro de 2016).
Precisamente, perante esta denúncia grave sobre a situação do mundo hoje, estamos também a ser confrontados com a notícia que a Dinamarca seguramente vai aprovar hoje uma lei contra os refugiados, eufemisticamente chamada de «Nova lei de asilo». Esta lei prevê entre várias medidas a confiscação de valores aos migrantes, que segundo vários especialistas viola várias convenções internacionais e faz remontar às leis de espoliação nazis contra os judeus que vigoraram na Europa durante o período tenebroso das ditaduras nazis que assolaram a Europa durante o século XX. Além da espoliação de valores a lei prevê a perda de direitos sociais e disposições que travam a obtenção de autorização de residência e a unificação familiar.   
A reforma, apresentada em Dezembro, foi proposta pelo partido anti-imigração Partido do Povo Dinamarquês, aliado do governo minoritário de Lars Lokke Rasmussen, e, graças a um acordo com outros partidos, tem praticamente assegurada uma maioria no parlamento.
É deste mundo perigoso que nos fala António Guterres. Não pode ser assim. A loucura dos interesses materiais e o medo não podem prevalecer perante o valor da vida humana, a dignidade e o direito de ser gente em qualquer parte do mundo.
Nós, cidadãos devemos indignar-nos sobremaneira e procurar todas as formas de denúncia, pressão e sensibilização das autoridades europeias para que tomem medidas corajosas para minorar este drama. 
Não vejo diferença nenhuma quando contemplo hoje os barcos apinhados de gente em relação aos vagões dos nazis que na segunda guerra mundial transportavam os judeus em condições miseráveis para os campos da concentração da morte. Parece que a vida humana, apesar dos avanços tão solenes e sofisticados, pouco ou nada vale para a humanidade hoje. Isso é triste, muito triste.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Nunca sabemos como terminam os sonhos

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém.
Meio acordado meio a dormir, desbobina filmes por essa coisa inexplicável que faz deambular a nossa cabeça. Hoje foram dois sonhos, interligados entre si, porque têm a mesma temática.
No primeiro, eu estava à espera da chamada do voo que me levaria para onde não imagino onde fosse, distancio-me um pouco da mala que guardava os meus pertences pessoais, ao regressar para junto daquele pequeno tesouro que acompanha qualquer passageiro, não está a mala, voou primeiro do que eu, escafedeu-se, fui roubado. Bastou um piscar de olhos para que por artes mágicas o que mais cuidamos nestas andanças se divorcie de nós sem pedir licença.
Meio nervoso e com um vermelhão na cara, como se tivesse passado pelas labaredas do inferno, dirijo-me a um balcão onde gaguejo umas palavras relacionadas com o desaparecimento da mala. 
Não vos posso dizer mais nada sobre este episódio, porque, entretanto, o filme foi cortado como se eu estivesse no famoso «Cinema Paraíso», onde os filmes passavam aos saltos por causa dos cortes exigidos pelo padre da cidade que via os filmes primeiro que toda a gente, para serem cortadas as cenas suscetíveis de erotismo ou outra qualquer sugestão que não estivesse de acordo com a moral e os bons costumes. Nisto, começa outra cena que a única coisa que tem que com este roubo é que se trata de outra intenção de roubar.
Imediatamente a seguir, vejo-me noutro filme, onde vivo o seguinte: passeio-me por uma rua vazia de carros e pessoas, junta-se a mim vindo do nada, duas figuras desconhecidas e que se juntam à minha caminhada. Após termos dado alguns passos um deles diz que devo desfazer-me do ipad, isto é um assalto. Como tudo está a decorrer com cordialidade, sem violência, sem armas e com alguma delicadeza, ensaio rematar, para que vos serve um ipad com o ecrã partido (efectivamente o ecrã está rachado de cima a baixo, resultante de uma queda fatal das minhas mãos)…
Os transeuntes, meus companheiros, seguros de si respondem com rapidez, «não importa, é melhor para vender» - diz um dos profissionais da coisa alheia, revelando que sua experiência não o engana. Muito bem.
Porém, imploro mais algum tempo para que envie para o meu mail toda a documentação e material que tenho no ipad. Favor concedido. Entretanto, começo por realizar a tarefa sempre em andamento com passos cada vez mais largos até chegar junto de um supermercado onde estava pejado de pessoas dentro e fora.
E depois? – Depois, muito desejava eu dizer mais coisas sobre estas inexplicáveis experiências notívagas enquanto se dorme. Mas, não faço a mínima ideia de como terminam estas pequenas aventuras, acordei zonzo e com ligeiras dores de cabeça.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A Boa Nova é o programa de Jesus

Para quem vai à missa ou não no fim de semana... Domingo III Tempo Comum
A Boa Nova de Jesus, requer uma sociedade nova, um mundo novo, onde todos são irmãos. A fraternidade será o valor que se deve lembrar sempre e cada vez com mais insistência.
A acção de Jesus fica delineada neste momento através das palavras do profeta Isaías que o próprio Jesus lê ao abrir o livro da Escritura na Sinagoga de Nazaré.
A proposta de Jesus não consiste apenas em Palavras ocas sem conteúdo salvador, em doutrinações frias que não levam a nada, em conceitos sem consistência real, em dogmas desumanos que não olham a cada realidade em si mesma, em documentos burocráticos que não servem a vida na sua autenticidade... Mas, consiste a Boa Nova de Jesus numa prática humana, religiosa e social que conduz as pessoas à posse da vida plena.
Diante do programa que Jesus nos apresenta ao ler a passagem de Isaías, parece saltar logo à vista que a Sua acção se vai destinar em primeiro lugar aos pobres. 
Quem serão estes pobres? – Os pobres serão todos os que não têm lugar na sociedade; serão também todos os que não têm espírito para assumir a vida com radicalidade; serão todos os que têm muitos bens mas que não sabem o que é a solidariedade e a justiça; serão todos os que esbanjam os seus bem de forma desregrada; serão todos os que são soberbos e arrogantes diante da sabedoria e até quem sabe diante da sua pobreza; serão todos os violentos; serão todos os que promovem a inimizade; serão todos os que foram roubados e maltratados pelos outros; serão todos os que nunca tiveram oportunidades na vida; serão todos os que roubam; serão todos os que não são sérios com os seus negócios; serão todos os que não sabem o que é a fidelidade; serão todos aqueles que devíamos ter ajudado e não ajudamos... Os pobres são tantos homens e mulheres que não encontram lugar à mesa do banquete da vida com dignidade.
Nós cristãos, desejamos que o nosso coração se abra à revolução de Jesus, eis a via do amor para todos que na força de vontade em cada um de nós. Basta que façamos com que esse ideal esteja presente no nosso pensamento.

Não podemos deixar apagar o facho

Vamos a isto… A crise acabou já para determinados políticos. Daqui da Madeira, fala-se em 70 magníficos que irão beneficiar de regalias (benefícios) que eles embrulham como se fossem direitos.
Pelo que vai no ar uma boa porção de povo gosta que seja assim. Vota sempre nos mesmos. Os que os lixam e ainda lhes agradecem. As sondagens para as próximas eleições voltam a ser bem reveladoras.
Um país que tolera que uma pequena parte dos seus se banqueteiem desta forma, não tem futuro, não pode ter. Porque aceita ter milhões de pessoas com pensões de miséria e outros tantos completamente desamparados sem nenhum apoio que lhes permita viver dignamente.
Mas há mais. São quase três milhões de pobres que deambulam por este país, 12,4% (cerca de 700 mil) estão desempregados, milhares de jovens qualificados emigram porque o seu país não lhes proporciona nenhuma oportunidade.
Mas vamos agora àquilo que é elementar para que a vida não fosse um inferno. Os hospitais estão numa desordem, alguns só e apenas são a ante câmara da morte, sem pessoal médico especializado, sem enfermagem convenientemente apetrechada e sem as devidas condições para ser tratada a sua população condignamente em termos de saúde. Por exemplo, no Hospital do Funchal aumentam as listas de espera, a produtividade diminui, há menos cirurgias e menos consultas.   
Há milhares de famílias que matam a fome com as esmolas que os grupos de solidariedade e caridade vão providenciando.
No geral temos uma população desesperada e envelhecida resultando na maior depressão coletiva sem precedentes na nossa história.
É este drama que as «subvenções vitalícias», os tais benefícios, que alguns sem vergonha apelidam de direitos para ex-políticos, insultam descaradamente. Mas andam para aí umas virgens a gritar isto com o menor despudor alto e bom som, como se o seu barulho alguma vez viesse a nos convencer das suas razões estapafúrdias.
Espero que o bom senso prevaleça e que passado o calor da campanha eleitoral, aquecida com esta polémica, faça prevalecer todas as razões para se acabar com esta injustiça tremenda de que uns tenham tudo e a grande maioria não tenha nada. Ontem alguém me dizia que em vez de sortearam Audis de alta cilindrada fazendo favores aos alemães, porque não sortearem uma pensão vitalícia… Quem sabe se por aqui o Fisco não seja entupido com faturas? – É uma ideia…        

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Os contornos modernos na vida de ladrão

Há notícias interessantes logo pela manhã. Esta chamou-me à atenção. 500 euros roubados de quatro Igrejas em Santa Cruz, afirmando que o ladrão varreu as caixas das esmolas. Como sabiam que lá dentro tinha 500 euros? Falaram com o autor do roubo? Há um chip qualquer que vai fazendo a contagem das esmolas? Como se pode chegar a esta soma?
Esta notícia refrescou-me na cabeça uma história curiosa que o blogue Deprofundis divulgou… Vale a pena ler e ilustra bem os nossos tempos, até nisto da vil e desprezível «arte» de roubar. 

Dois ladrões entraram num banco numa pequena cidade. Um deles gritou: "Não se mexam! O dinheiro pertence ao banco mas as vidas são vossas". 
Imediatamente todas as pessoas se deitaram no chão em silêncio e sem pânico.
LIÇÃO 1: Este é um exemplo de como uma frase dita correctamente e na altura certa pode fazer toda a gente mudar a sua visão do mundo.
Uma das mulheres estava deitada no chão de uma maneira provocante. Um dos assaltantes aproximou-se e disse-lhe: - "Minha senhora, isto é um roubo e não uma violação. Por favor, procure agir em conformidade. "
 LIÇÃO 2: Este é um exemplo de como comportar-se de uma maneira profissional e concentrar-se apenas no objectivo.
No decorrer do assalto, o ladrão mais jovem (que tinha um curso superior) disse para o assaltante mais velho (que tinha apenas o ensino secundário): - "Olha lá, se calhar devíamos contar quanto é que vai render o assalto, não achas?". O homem mais velho respondeu: - "Não sejas estúpido! É muito dinheiro para o estar a contar agora. Vamos esperar pelo Telejornal para descobrir exactamente quanto dinheiro conseguimos roubar". 
 LIÇÃO 3: Este é um exemplo de como a experiência de vida é mais importante do que uma educação superior.
Após o assalto, o gerente do banco disse ao caixa: - "Vamos chamar a polícia e dizer-lhes o montante que foi roubado".- "Espere", disse o caixa "porque não acrescentamos os 800 mil euros que tirámos há alguns meses e dizemos que também esse valor foi roubado no assalto de hoje?”.
 LIÇÃO 4: Este é um exemplo de como se deve tirar proveito de uma oportunidade que surja.
No dia seguinte foi relatado nas notícias que o banco tinha sido roubado em 3 Milhões de Euros. Os ladrões contaram o dinheiro mas encontraram apenas 1 Milhão. Um deles começou a resmungar: - "Nós arriscamos as nossas vidas por 1 Milhão enquanto a administração do banco rouba 2 Milhões sem pestanejar e sem correr riscos? Talvez o melhor seja aprender a trabalhar dentro do sistema bancário em vez de ser um simples ladrão".
LIÇÃO 5: Este é um exemplo de como o conhecimento pode ser mais útil do que o poder.
 Moral da história:
 Dá uma arma a alguém e ele pode roubar um banco.
 Dá um banco a alguém e ele pode roubar toda a gente...
Autor desconhecido

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A lista dos trinta magníficos

Por estes dias esta lista está a ser muito falada. São trinta deputados, incluindo nomes sonantes como os de Maria de Belém, candidata a Presidente da República, João Soares, Ministro da Cultura e Ana Paula Vitorino, Ministra do Mar, que pediram ao Tribunal Constitucional o fim da suspensão das subvenções vitalícias para figuras que tenham exercido cargos políticos. São muitos da área do PS e outros tantos da área do PSD. O dito tribunal reconheceu que tinham razão, a medida é inconstitucional e deve ser suspensa.
A norma em causa foi inscrita no Orçamento de 2014, e previa a suspensão das subvenções vitalícias dos políticos nos casos em que os titulares tenham rendimento de outras fontes, superior a 2 mil euros por mês.
As subvenções vitalícias são polémicas, porque se esgrimam argumentos a favor e argumentos contra. Pela minha parte, sou totalmente contra, mesmo que me façam ver claramente que os políticos quando se candidatam perdem muito na sua vida privada e muito mais ainda na sua vida profissional. No entanto, ainda admito que nalguns casos, poucos, isso possa ser verdade. Porém, não estaria longe de aceitar tais subvenções se não vivêssemos num país tão profundamente desigual.
É do conhecimento público que alguns ex-políticos tendo direito a tal subvenção, a recusaram face aos seus valores e princípios éticos. Não podia também deixar de dar este destaque exemplar.
Assim sendo, deviam os senhores deputados pensar em tantas famílias que neste país sobrevivem com 200 euros e que naquelas famílias onde o desemprego entrou pela porta de ambos os cônjuges, andam a pedir esmola ou vivem, se tiverem a sorte, de poderem contar com a pensão miserável dos seus progenitores, de uma avó, um avô ou uma tia idosa que tenham à sua conta. É este desgoverno de país onde sobra migalhas para a maioria e abastança desmedida para a minoria de privilegiados que tiveram a sorte de se colocar no lugar certo, na hora certa e de terem os amigos estratégicos para chegarem lá. É isto que é intolerável.
A meu ver, é desta indignação de que falamos quando se houve falar em benefícios para quem quer que seja à conta dos contribuintes. Ainda assim, esperemos que impere o bom senso, mais ainda se espera que os partidos políticos, mais esquerda, que sustentam o actual governo e que já manifestaram o seu descontentamento e discordância, sejam firmes quanto ao fim desta medida pretendida pelos trinta magníficos. E sempre trinta quando se trata de moedas. Até Jesus foi vendido por trinta moedas. 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O milagre da vida faz-se em cada dia

É assim que em cada aprendo a viver... O que não mata robustece e cria calo.
«Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta».     Augusto Cury

sábado, 16 de janeiro de 2016

Nota da Diocese do Funchal sobre o testamento da D. Eugénia Bettencourt

A nuvem já era negra. Mas agora fica espessa... Impenetrável. Basta repararmos que está assinada quase anonimamente. «Diocese do Funchal»: mas quem é? Não tem rostos? Não tem nomes? - Continuamos com triste e abjeta mania nesta terra que uns são muito inteligentes (melhor, espertos), mas a maioria é tonta e estúpida... Acho que já chega de nos considerarmos assim. A misericórdia exige que se rompa este tenebroso mito. 
Destaco desta nota sobre notas: «E sabem que isto é feito através da “Obra da D. Eugénia”, que foi criada pelo anterior Bispo e que, desde então se encarrega disso». Como? - Digam outra vez, não percebi...
Por aqui me fico, porque este assunto e exatamente como tantos outros fede e muito... Não pretendo conspurcar-me com este «pecado». Mas se alguém pretender ler uma análise interessante sobre como funcionam as coisas deste mundo quando se trata de algo esquisito que chamam igreja longe da «vontade de Deus» PODEM LER AQUI…
Vamos à nota:
NOTA DE ESCLARECIMENTO DA DIOCESE DO FUNCHAL
Obra D. Eugénia Bettencourt
Nos últimos dias, têm vindo a público algumas notícias acerca do legado da Sr.a D. Eugénia Bettencourt, gerido pela Obra D. Eugénia.
A notícia da última decisão do tribunal e os comentários que a acompanharam não traduzem o verdadeiro sentido da questão. O tribunal da Relação de Lisboa reconheceu ao testamenteiro o direito de exigir o cumprimento do legado. Isto é, o testamenteiro tem o direito de saber se os valores deixados pela S.ra D. Eugénia foram ou não gastos com doentes oncológicos pobres da Diocese do Funchal. Esse direito nunca foi negado.
Já foram explicados ao testamenteiro os benefícios concretos distribuídos aos beneficiários da deixa testamentária. Só que ele não concorda com essas aplicações e distribuição, sendo de opinião que as aplicações e distribuição devem ser diferentes. Se a S.ra D. Eugénia quisesse que a distribuição fosse feita de acordo com a vontade deste, testamenteiro, então tê-lo-ia designado como beneficiário, e não como testamenteiro.
Acontece que, no primeiro processo, ficaram reconhecidas pelo próprio testamenteiro, algumas das obras e aplicações da Diocese, só que ele, então, invocando não estar de acordo com essas aplicações, veio pedir esclarecimentos e informações. O que foi indeferido de forma definitiva pelo Tribunal.
No processo seguinte, então, o testamenteiro veio dizer ao tribunal que o legado não foi de todo cumprido! O tribunal do Funchal entendeu que tinha caducado o direito a tal pedido. O tribunal da Relação, veio dizer que não, que ele pode pedir o cumprimento do legado. Só que, neste particular todos sabem que o legado tem sido cumprido, todos sabem que tem havido benefícios distribuídos. E sabem que isto é feito através da “Obra da D. Eugénia”, que foi criada pelo anterior Bispo e que, desde então se encarrega disso.
Por último, importa esclarecer algumas insinuações de que a Diocese pretende esconder a informação ou de que terá havido uma aplicação diferente da pretendida pela testadora.
Podendo não ser do agrado de todos, o legado tem sido cumprido pela forma que melhor foi entendida. A forma de aplicar esses valores varia claramente de acordo com a sensibilidade e a consciência de quem os gere. Possível seria uma distribuição pura e simples dos valores por todos os doentes oncológicos conhecidos, ficando desse modo terminada a questão – todos reconhecemos que não foi essa a vontade da testadora – ou, em vez disso, uma gestão cautelosa que permita ajudar os doentes beneficiários com os rendimentos. Com este propósito, foi criada a “Obra D. Eugénia” que se encarrega da referida gestão.
Tem sido dada de forma frequente informação pública das atividades desenvolvidas de forma frequente. Para se fazer uma ideia, ao longo de vinte anos, mensal e ininterruptamente, tem sido sempre distribuído um valor superior aos rendimentos dos bens a um número de beneficiários que tem variado entre 35 e 50, e que em termos de apoio direto aos doentes já ultrapassou o meio milhão de euros. A título exemplificativo, um meio de comunicação social noticiava em Dezembro de 2011 que “atualmente, a obra D. Eugénia ajuda 35 doentes e, em relação às contas de 2010, tornadas públicas pela direção, os apoios foram da ordem dos 30.605 euros e as despesas/encargos com o património imóvel e outros somaram os 8 mil euros”, apoios e encargos que se mantêm atualmente.
A diferença entre as receitas e as despesas é mais do que compensada, reconheça-se, pelo uso por alguns Serviços da própria Diocese, de imóvel que pertence à Obra D. Eugénia. Esta compensação traduz-se em entregas monetárias que permitem manter sem interrupção os benefícios aos doentes necessitados.
Concluímos, reconhecendo que mesmo passados mais de vinte anos a memória e a vontade da Sr.a D. Eugénia mantêm-se viva e cumprida, obviando às necessidades e dificuldades de muitos doentes oncológicos da nossa região.
Funchal, 15 de janeiro de 2016
Diocese do Funchal

O mal do mundo

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém. 
Naquele momento sem oração nenhuma
alto os sinos soaram nos campanários.
e sombria e vertiginosa uma neblina
espessa veio fina
como uma cortina sobre o reflexo
transparente
batendo inerte e descrente,
sobre o descampado vazio e pobre
de um homem,
quando chora só
a solidão do abandono frio incolor
como um moribundo agonizante
na horizontalidade da perdição e da dor.
mesmo assim sabemos todos
do essencial que lhe falta naquela hora.
implora incansável para sempre.
o remédio do mundo
só pode ser seguramente,
o amor.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O Pai-nosso de David Bowie

Nota do autor do blogue: Está dito e muito bem dita nesta reflexão que nos põe a pensar o essencial. Mais ainda se nos confrontarmos com a pouca sensibilidade cristã que quotidianamente nos assiste. Não bastam beijos, abraços e apertos de mão dentro das igrejas, é preciso extravasar as portas do coração no meio do mundo e praticar tais gestos todos os dias diante da "Eucaristia" do encontro de uns com os outros, sem que se faça qualquer sombra de acessão de pessoas. É isso que agrada a Deus e agradará de certeza o mundo e contribuirá para a beleza da vida aqui e agora. Mais um contributo acompanhado de alguma música de David Bowie. ABRIR AQUI
É preciso ter grandeza de coração para cultivar a sabedoria da misericórdia e distinguir o pecado e o pecador.
Nem todos gostaram que o cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício da Cultura, homem de muita espiritualidade, lembrasse com apreço David Bowie, falecido no dia 11 do mês corrente.
Os medíocres têm a tentação de julgar que tudo é medíocre. E pior ainda se forem cristãos. Para esses críticos azedos, eles, o célebre cantor está "merecidamente" no inferno por conta da sua vida afastada de Deus.
Não adianta dizer-lhes que não nos cabe julgar, e menos ainda condenar, quem quer que seja. Para os crentes, só Deus é quem julga. Podemos julgar atos, mas sempre fraternalmente; nunca julgamos as pessoas que os praticam.
A sabedoria da misericórdia recomenda-nos que compreendamos, uma vez por todas, a diferença entre criticar um ato e julgar uma pessoa. Os cristãos detestam o pecado, mas nunca o pecador.
Quero ficar com a memória agradecida a David Bowie quando genufletiu, no estádio de Wembley, em 1992, na homenagem a Freddy Mercury e rezou comovido o Pai-nosso.
A propósito: nem todos os seguidores do perfil do cardeal gostaram da menção. Vários declararam que o cantor estava “merecidamente” no inferno por conta de sua vida afastada de Deus. A um cristão, no entanto, não cabe julgar (e muito menos condenar) ninguém: só Deus julga as pessoas. Nós só podemos julgar atos: se alguém praticou atos questionáveis ou abertamente criticáveis, são esses atos que podem (e até devem) ser questionados ou criticados, desde que fraternalmente; mas nunca, nunca podemos julgar a pessoa como tal por tê-los praticado. Compreender essa diferença entre julgar um ato e julgar uma pessoa é crucial para o verdadeiro cristão, que sempre rejeita o pecado, mas nunca rejeita o pecador. Ao pecador (e ao virtuoso) cabem as nossas orações, a nossa misericórdia e o nosso gesto de confiá-lo às mãos do Pai, o único que julga pessoas – e as perdoa, bastando que elas lhe peçam sincero perdão.
Portanto, como bem escreveu o cardeal Ravasi, “may God’s love be with you“, David Bowie! Descansa em paz – e perdoa a nós todos que, dizendo-nos cristãos, agimos tantas vezes negando o amor cristão com a nossa herética falta de misericórdia.
Pe. Rui Osório

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O sentido e simbologia do vinho

Para a missa deste fim de semana, domingo II Tempo Comum
Estamos diante do episódio das famosas bodas de Caná.
Jesus foi a um casamento com sua mãe e os seus companheiros. O vinho acabou, uma festa sem vinho seria uma injúria grave para os protagonistas desta ocasião festiva, de modo especial o noivo que não se preveniu contra a eventualidade de se acabar um elemento tão essencial da festa.
Perguntar-se o seguinte: quantas das nossas famílias estão destruídas por causa do mau uso do vinho? - É incalculável o número de pessoas que se destruíram e prejudicaram os outros (os filhos, esposo ou esposa), por causa da ingerência excessiva de vinho.
Jesus não condena o vinho, não sabemos que o tenha recusado. Nesta festa de Caná fará com que ele não falte aos exigentes convidados e mais tarde o utilizará também para o tornar com as suas palavras sacramento do seu sangue.
O vinho é um produto bom e saudável se for bem utilizado. Os excessos não servem para nada e prejudicam tanta gente. Por isso, o vinho quando tomado com regra ou medida não prejudica a saúde nem prejudica as famílias. Também descobrimos que Jesus prefere as pessoas felizes e alegres, às pessoas sorumbáticas e caídas de tristeza. O cristão, não pode ser uma pessoa triste, mas alegre e de cabeça erguida diante dessa luz salvadora que Cristo nos revela.
Nós vivemos no tempo das bodas da eternidade. A Eucaristia que celebramos é um sinal forte dessa presença. Esta é a nossa fé e a nossa esperança. É preciso pôr um ponto final em tudo o que provoque angústia, preocupação e sofrimento de toda ordem. Porque Jesus convoca-nos para a alegria e para a felicidade. E não encontramos em nenhum momento no Evangelho apelos que se reduzam a proibições, normas e ameaças e castigos. Esta via não serve, porque «o nome de Deus é misericórdia e a Igreja não está no mundo para condenar, mas para permitir o encontro com o amor visceral que é a misericórdia de Deus», refere, na entrevista ao vaticanista italiano Andrea Tornielli, no livro recente sobre a temática da misericórdia.
Assim sendo, como pode ser possível a tristeza fazer parte da nossa caminhada? Jesus pôs um ponto final na religião que faz de nós pessoas tristes. Quebrou a imagem gélida que fazia de Deus uma «pessoa» severa sempre à espreita a ver quando falhamos para nos castigar com a maior punição possível. Deus era sério de mais, muito sisudo e sem abertura para o humor como se fosse o maior dos tiranos que exige temor e respeito sem piedade nenhuma. Jesus não esteve com meias medidas e quebrou o jugo das leis que causam cansaço e oprimem. A sua vida histórica, no que se refere ao anúncio do Reino, será uma constante denúncia de tudo o que seja opressão da pessoa humana. Jesus anuncia o Deus da ternura. O Deus que dá aos discípulos o seu vinho, a religião verdadeira, a do amor como graça total. Esta forma de ver Deus e viver a religião elimina todos os medos e infunde apenas confiança e esperança no futuro.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A chave para abrir portas é a misericórdia

A revolução de Francisco continua...
«O Nome de Deus é Misericórdia», nome do livro que nos dá mais um contributo para que a Igreja abra os braços a todas as realidades da vida... Leitura a não perder. Diz o Papa Francisco que quando está diante de reclusos sente que ele próprio também merecia estar preso. Uma das revelações do novo livro do Papa, que é editado na terça-feira.
Hoje terça-feira é lançado em todo o mundo o mais recente livro do Papa Francisco, "O Nome de Deus é Misericórdia", resultante de uma longa entrevista com o jornalista Andrea Tornielli.
Ao longo de vários capítulos, Francisco analisa o conceito de misericórdia, tema central do seu pontificado e a que recentemente decidiu dedicar um jubileu extraordinário, que começou a 8 de Dezembro, prolongando-se até Novembro deste ano.
No livro, do qual a Renascença publica aqui alguns excertos, Francisco escreve que o sentimento de vergonha diante da misericórdia de Deus é uma graça, compara os conceitos de pecado e de corrupção, dizendo que não são sinónimos, e confessa que quando está diante de reclusos sente que ele próprio também merecia estar preso.
Pode ler aqui alguns excertos do livro, que é lançado mundialmente na terça-feira, em simultâneo em 86 países. Em Portugal, a edição está a cargo da Planeta.
A vergonha é uma graça
“Posso ler a minha vida através do capítulo 16 do livro do profeta Ezequiel. Leio aquelas páginas e digo: mas tudo isto parece escrito por mim. O profeta fala da vergonha, e a vergonha é uma graça: quando alguém sente a misericórdia de Deus, tem uma grande vergonha de si próprio, do seu pecado.
(…)
Aquele texto de Ezequiel ensina a sentires-te envergonhado, faz que te possas envergonhar: com toda a tua história de miséria e de pecado, Deus permanece fiel a ti e ajuda-te a levantar. Sinto isso.
(…)
Penso no padre Carlos Duarte Ibarra, o confessor que encontrei na minha paróquia a 21 de Setembro de 1953, no dia em que a Igreja celebra o São Mateus apóstolo e evangelista. Tinha dezassete anos. Senti-me recebido pela misericórdia de Deus quando me confessei com ele. (…) Morreu no ano seguinte. Ainda me lembro que depois do seu funeral, quando regressava a casa, me senti como se tivesse sido abandonado. E chorei muito naquela noite no meu quarto. Porquê? Porque perdera uma pessoa que me fazia sentir a misericórdia de Deus.”
- do capítulo I
Merecia estar preso
O Papa é um homem que precisa da misericórdia de Deus. Disse-o sinceramente, inclusive perante os prisioneiros de Palmasola, na Bolívia, perante aqueles homens e aquelas mulheres que me receberam com tanto afecto. Relembrei-os de que também São Pedro e São Paulo estiveram presos. Tenho um especial carinho pelos que vivem na prisão, privados da liberdade. Fiquei muito ligado a eles, por esta consciência do meu ser pecador. De cada vez que entro numa prisão para celebrar uma missa ou para uma visita, tenho sempre este pensamento: porquê eles e não eu? Devia estar aqui, merecia estar aqui. A sua queda poderia ser a minha, não me sinto melhor do que os que tenho perante mim. Por isso repito e rezo: porquê ele e não eu? Poderá impressionar, mas consolo-me com Pedro: renegara Jesus e apesar disso foi escolhido.
- do capítulo IV
A Igreja como hospital de campanha
Porque existe o pecado no mundo, porque a nossa natureza humana está ferida pelo pecado original, Deus que nos doou o seu Filho, só se pode revelar como misericórdia.
Deus é um pai zeloso, atento, pronto para acolher qualquer pessoa que dê um passo ou que tenha o desejo de dar um passo na direcção de casa. Ele está ali a observar o horizonte, espera-nos, está já à nossa espera. Nenhum pecado humano por muito grave que seja pode prevalecer sobre a misericórdia ou limitá-la.
Acompanhando o Senhor, a Igreja é chamada a transmitir a sua misericórdia a todos os que se reconhecem pecadores, responsáveis pelo mal praticado, que se sentem necessitados de perdão. A Igreja não está no mundo para condenar, mas para permitir o encontro com aquele amor visceral que é a misericórdia de Deus. Para que isso aconteça, repito-o muitas vezes, é necessário sair. Sair das igrejas e das paróquias, sair e ir procurar as pessoas onde elas vivem, sofrem, esperam. O hospital de campanha, a imagem com a qual gosto de descrever esta situação “Igreja em saída”, tem a característica de estar onde se combate: não é a estrutura sólida, dotada de tudo, onde se vai curar as pequenas e grandes doenças. É uma estrutura móvel, de primeiros socorros, de intervenção imediata, para evitar que os combatentes morram. Pratica-se a medicina de urgência, não se fazem check-up especializados. Espero que o Jubileu Extraordinário faça emergir cada vez mais o rosto de uma Igreja que redescobre as entranhas maternas da misericórdia e que vai ao encontro de muitos “feridos” necessitados de compreensão, perdão, amor e de serem ouvidos.
- do capítulo V
Pecado v. Corrupção
A corrupção é o pecado que em vez de ser reconhecido como tal e de nos tornar humildes, se ­tornou sistema, torna-se um hábito mental, uma forma de vida. Não sentimos necessidade de perdão e de misericórdia, mas justificamo-nos e aos nossos comportamentos. (…) O pecador arrependido, que depois cai e recai no pecado por motivo da sua fraqueza, encontra novamente perdão quando reconhece que necessita de misericórdia. O corrupto, por sua vez, é aquele que peca e não se arrepende, aquele que peca e finge ser cristão, e com a sua dupla vida provoca escândalo.
(…)
Embora muitas vezes se identifique a corrupção com o pecado, na realidade trata-se de duas realidades diferentes, apesar de interligadas. O pecado, sobretudo se reiterado, pode levar à corrupção, mas não quantitativamente – no sentido que um determinado número de pecados não fazem um corrupto –, quando muito qualitativamente: criam-se hábitos que limitam a capacidade de amar e levam à auto-suficiência. O corrupto cansa-se de pedir perdão e acaba por acreditar que não deve pedir mais. (…) Uma pessoa pode ser uma grande pecadora e no entanto pode não ter caído na corrupção. Aludindo ao Evangelho, penso no exemplo das figuras de Zaqueu, de São Mateus, da samaritana, de Nicodemo, do bom ladrão: nos seus corações pecadores todos tinham alguma coisa que os salvava da corrupção. Estavam abertos ao perdão, o seu coração pressentia a sua fraqueza, e isto foi a abertura que permitiu entrar a força de Deus. O pecador, ao reconhecer-se como tal, de alguma forma admite que aquilo a que aderiu, ou adere, é falso. Por sua vez, o corrupto esconde aquilo que considera o seu verdadeiro tesouro, aquilo que o torna escravo, e disfarça o seu vício com a boa educação, arranjando sempre uma forma de salvar as aparências.
- do capítulo VII
In Rádio Renascença

sábado, 9 de janeiro de 2016

Mutação

Para o o nosso fim de semana. Sejam felizes sem prejudicar ninguém.
Os nomes soltam-se nos caminhos
onde passava os meus desejos
quando chovia esperança pela mão
na violenta correnteza do vento norte
porque vi num sobressalto
as plantas tremeram com esta fusão.

Muitas vezes vi grilhões 
aprisionarem o campo liso
e o medo quando nos prende
a uma condição a leveza do sorriso.

Os sons, os tons, todas as sensações
que descansam na proa do tempo
mesmo que apenas sentido neste presente
só porque ousamos deixar guiar para sempre
a luz serena deste pensamento.
José Luís Rodrigues

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Quando a notícia é o drama

Os tempos continuam difíceis para muita gente. Os dramas são em catadupa. Cada dia um pior que o outro. Vamos tendo conta disso pelos meios de comunicação social. Entre nós o suicídio está a ganhar contornos de calamidade, embora silenciosa. É preocupante que tenhamos que saber quase diariamente entre nós de pessoas de todas as idades, que o único caminho que encontram para resolver os seus problemas, mesmo que sejam extremamente bicudos, tenha que ser o suicídio.
Andamos muito mal neste domínio. Muita coisa que temos e fazemos, falham redondamente no que diz respeito à transmissão de valores ou à perda deles... O que falhou? O que falta?
Obviamente, que fico chocado com o drama que se passou ontem (dia de Reis, 6 janeiro de 2016) no Lombo de São João na Ponta de Sol. Ninguém de bom senso vê uma barbaridade destas com ânimo leve e os pensamentos à volta desta tragédia são completamente confusos.
Um drama que os nossos tempos consideram ser necessário noticiar. Assim fizeram vários órgãos de comunicação social regionais e nacionais. Porém, chamou-me a atenção o facto de perante as câmaras de televisão as pessoas estarem a chorar amargamente. A notícia sobre o drama converteu o drama na notícia. O que nos interessantes que os vizinhos venham chorar para a televisão? O que adianta ao caso? – Se vermos pessoas a chorar por causa dos dramas humanos é assim tão importante, vão aos cemitérios onde todos os dias não falta a criatividade à volta de choros e gritos de toda a ordem.  
A meu ver não seria necessário tanto. Pasmar em silêncio com as câmaras em punho gravando o choro e a expressão dramática dos populares chocados com a desgraça da vizinha, não me parece que acrescente mais nada à notícia.
É grave que este aproveitamento se faça, porque quando o drama se converte na notícia facilmente a opinião pública faz claramente os seus juízos de valor. Uns serão bons outros serão maus. As circunstâncias, as causas e todos os meandros passados e presentes deixam de existir. Não gosto nada que a sociedade, a minha sociedade, esteja a caminhar assim. E muito mau será que quem tem o dever de informar não tenha esta preocupação.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O poder das lágrimas

As lágrimas do presidente dos Estados Unidos da América foram notícia. Por isso, são a notícia. Mas que não as convertamos em pérolas arrancados do coração do mar. Nem muito menos estas lágrimas fazem dormir as flores, sob o vento frio ao longo da costa dos Estados Unidos, quer a costa que se estende para os lados do Pacífico quer a costa que sobe pelo lado do Atlântico Sul passando pelo Golfo do México até ao gélido Ártico.
Não foram poucos os autores que fizeram os seus personagens chorarem nos penhascos de Half Dome ou nos penhascos de Kalaupapa, no Havaí, onde passeavam em lágrimas. Estes penhascos continuam áridos e inóspitos sob o céu ameaçador que cobre o mundo inteiro, onde a floresta das armas cresce pujante, correspondendo cada vez mais à sede e fome insaciável da ganância e do ódio que mata a sangue frio tantos inocentes.   
O presidente chora. Os famosos também choram. Sabem o que é a dor. Sabem o que é o sofrimento. Sabem que as armas matam pessoas todos os dias neste mundo carregado de armas mortíferas… Sabem que uma mãe e um pai com um filho morto nos braços experimentam um sofrimento indescritível. Ninguém terá dúvidas quanto a tudo isto.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sabe que no seu país as armas ressoam alto e têm semeado a morte contra tantos inocentes. As lágrimas do presidente são uma admiração, porque anunciou em lágrimas medidas, contornando a frequente vontade dominadora do Congresso Norte americano que se opõe às medidas agora anunciadas para dificultar a venda de armas. Merece por isso o nosso aplauso, porque concordamos com o presidente que «não estamos aqui para discutir o último massacre, mas para tentar evitar o próximo», disse com as lágrimas a escorrerem no rosto.
Porém, deve também fazer chorar este presidente e os do mundo inteiro, não só quando nos seus países morrem massacradas 20 crianças, mas também pelos milhares delas que morrem todos os dias no Afeganistão, Paquistão, Iraque, Líbia, Palestina, Síria, entre tantos outros países. Trata-se de encontrar medidas universais que ponham fim a todo o género de violência.
Porque não podemos agora aplaudir o presidente dos Estados Unidos que inteligentemente consegue contornar o poder do Congresso para implementar quatro medidas contra o comércio das armas no seu país, mas ao mesmo tempo o mesmo presidente, dá cobertura a massacres pelo mundo fora, permitindo a venda de armas a grupos terroristas sanguinários ou apoiando governantes sem escrúpulos que ordenam massacres contra o seu próprio povo. Enquanto tal não acontecer, as lágrimas do presidente Obama e de qualquer governante com responsabilidade em assuntos de armas de qualquer país, converter-se-ão sempre em lágrimas de crocodilo.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Luz para o ano de 2016 para o ser cristão católico

Uma reflexão que nos ajuda a buscarmos o mais importante para que deixemos bem claro qual é o testemunho do ser cristão católico. Pode ser lida AQUI esta brilhante reflexão. Obrigado Orlando de Carvalho.
Destaco o seguinte: «Penso num homem leigo que dedicou parte da vida a uma comunidade paroquial e termina a vida sozinho numa ala hospitalar sem qualquer cuidado da comunidade que serviu.
Penso nos padres e leigos caluniados dentro das suas comunidades e penso nos que são injustamente encobertos dos seus crimes.
Cristão não é o que batendo a mão no peito grita a sua fé eterna e inabalável. Cristão é o que proclama o Evangelho e mostra o Reino dos Céus com o testemunho da sua vida quotidiana.
Penso nas famílias das crianças da catequese que, convencidas que os catequistas são trabalhadores remunerados, nem uma flor oferecem a quem tanto dá aos seus filhos ou netos». Bravo...

FALECEU O PADRE ISIDRO RODRIGUES

O Padre ISIDRO RODRIGUES, sacerdote diocesano da Diocese do Funchal, faleceu no dia 03 de Janeiro, durante manhã, no hospital do Funchal. Tinha 85 anos de idade, e era natural de São Martinho, concelho do Funchal. Nasceu no dia 15 de Maio de 1930, era filho de Feliciano Baptista Rodrigues e de Iria da Silva Baptista. Foi baptizado no dia 29 de Maio de 1930 e confirmado a 27 de Setembro de 1936. Depois do percurso formativo no Seminário foi ordenado diácono a 14 de Março de 1959 e Sacerdote, no dia 15 de Agosto do mesmo ano.
Dentro dos serviços eclesiásticos que desempenhou, na Diocese do Funchal, destacamos os seguintes:
- Coadjutor e Pároco das Paróquias da Piedade e do Espirito Santo:
de Outubro de 1959 a Janeiro de 1962.
- Pároco da Paróquia da Madalena do Mar:
de Janeiro de 1962 a Março de 1968.
- Pároco da Paróquia do Faial:
de Março de 1968 a Janeiro de 1975.
- Pároco da Paróquia de Santana:
de Janeiro de 1982 a Setembro de 1999.
- Pároco da Madalena do Mar:
de Setembro de 1999 a Setembro de 2009.
A sua vida de serviço do Evangelho deixou um testemunho de pastor e de fidelidade à Igreja, nomeadamente no acompanhamento espiritual dos fiéis que lhe estavam confiados, e sobretudo na sua vida dedicada ao ensino e à educação, em várias escolas onde lecionou.
A Diocese agradece o seu serviço presbiteral à Igreja e sua dedicação de pastor ao Povo de Deus.

FUNERAL
O Senhor Bispo do Funchal, D. António Carrilho, presidirá à eucaristia de corpo presente, na Igreja Paroquial de São Martinho, de onde o Padre Isidro era natural, na quarta-feira, dia 06 de Janeiro, pelas 11h00. Após esta celebração seguirá o cortejo fúnebre para a Igreja Paroquial da Madalena do Mar, onde será celebrada a Eucaristia, pelas 15h00, seguida de funeral para o cemitério daquela paróquia, segundo vontade expressa pelo próprio. O corpo do Rev.do Padre Isidro Rodrigues estará em câmara ardente, a partir das 10h30, na Igreja Paroquial de São Martinho.
Que o Senhor o receba na Sua Paz!
Secretaria Episcopal,  Diocese do Funchal, 04 de Janeiro de 2016

sábado, 2 de janeiro de 2016

Um Deus que nasce para nos fazer renascer

O dia da Epifania é, tradicionalmente chamado, o Dia de Reis.
A Epifania é o reconhecimento dos direitos messiânicos de Jesus de Nazaré por não-judeus, é a manifestação de Jesus ao mundo pagão.
Uma tradição mais tardia falou de Reis Magos, aplicado a estes sábios que vieram do Oriente adorar o Menino, e pretendeu com isso, provavelmente, reforçar a glória de Jesus Cristo.
Este menino, que nasceu não tem dono. Foi enviado por Deus ao mundo por meio de uma mulher, para toda a humanidade. A grande mensagem que nos fica deste Dia dos Reis resume-se a esta novidade: Deus nasce não apenas para alguns mas para todos os homens.
O Deus Menino é a luz celeste (Ouro) que se abaixa até ao mais fundo da humanidade para a elevar para o alto (Incenso); e é o Deus santo e fonte de santidade (Mirra) que pretende santificar não apenas um povo mas todos os homens e mulheres do mundo.
É surpreendente e quase comovedora esta abertura de Deus e arrasa todas as tentativas de apropriação de uma realidade que não pertence a ninguém, porque não é deste mundo. Vem do lugar santo de Deus para elevar e divinizar todos os homens. Não será em descabido lembrar que Santo Ireneu confirmou que em Jesus nós tornamo-nos «deuses», isto é, divinizou-se a humanidade.
A Epifania é o outro nome pelo qual se redescobre o acontecer de Deus e para que essa luz nos ilumine a fé e a esperança como caminho que nos leve à relação de amor com todos os que se cruzam na nossa vida. 
A mensagem da paz e do amor, sinal do presépio, são ecos de Deus que ressoam do Seu coração para todos os recantos deste mundo sedento de salvação. Deixemos, pois, Deus acontecer e manifestar a sua graça a todo o mundo, que pelo nosso empenho se renova para o bem universal. 
Trata-se de um Deus que se faz pequenino, para nos fazer a todos grandes para o amor. Por isso, que se inscreva esta certeza: «Sempre que nasce uma criança é sinal de que Deus ainda acredita no ser humano». Nós precisamos também de acreditar verdadeiramente nisso para valorizarmos «o melhor do mundo», que são as crianças segundo o enorme pensamento poético de Fernando Pessoa.