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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O mundo está louco ou é mesmo dos espertos?

1. Será que o velho ditado popular, «o mundo é dos espertos», ganha agora projeção mundial, face às loucuras que vamos presenciando por esse mundo fora? Até é caso para duvidar se o mundo está ficando louco ou se o mundo agora se tornou realmente e totalmente propriedade dos espertos? – Das duas deve ser uma…

2. Há dois momentos que gostaria de trazer aqui à colação para nos fazer reflectir um pouco sobre a liberdade de expressão e como as trumpices não vêm só da América e vão fazendo também das suas por todo o mundo. 

3. Primeiro, O secretário-geral da ONU provocou um incidente diplomático ao dizer que na origem do Monte do Templo esteve um templo judeu, o que é rigorosamente verdade, pois era aí que se erguia o Templo de Salomão. Neste monte ergueu-se o Templo de Salomão e é aí que se situa o Muro das Lamentações, o segundo local religioso mais reverenciado pelos judeus pois trata-se de um muro que é o único vestígio que resta do antigo Templo de Herodes, erguido no mesmo local do primitivo Templo de Salomão, que foi destruído pelos babilónios. 
Mas, para o ministro para os Assuntos de Jerusalém, a Autoridade Palestiniana, quem dispõe e impõe como deve ser a história, considerou que António Guterres «negligenciou as resoluções da UNESCO, que dizem claramente que a Mesquita Al-Aqsa é uma herança islâmica». Citado pela agência noticiosa chinesa, Xinhua, Adnan al-Husseini disse mesmo que as declarações de Guterres representam «uma violação para todas as regras humanas, diplomáticas e legais e uma violação da sua posição como secretário-geral» da ONU. A Autoridade Palestiniana exige, assim, que Guterres peça desculpa pelo que disse. Apetece perante este aberração usar um palavrão…

3. Segundo, o clube de futebol Real Madrid, autorizou a retirada da tradicional cruz cristã do seu escudo para vender materiais desportivos em alguns países muçulmanos, Arábia Saudita, Catar, Kuweit, Bahrein e Omã. Não fosse grave o sucedido, não se compreendia a naturalidade com que se encara esta remoção deveras intrigante: «Temos que ser sensíveis a partes do Golfo que são sensíveis, a produtos que têm a cruz», disse al-Mheiri, que é dono de uma cafeteria do Real Madrid em Dubai. Mais uma vez merecia mais um palavrão…

4. Duas atitudes patéticas, que violam claramente os princípios da cultura ocidental. Quanto ao incidente de Guterres, espero que as desculpas nunca cheguem e que o Secretário Geral das Nações Unidas mantenha a sua posição, porque não pode o fanatismo tonto negar a história e fazer valer as suas idiotices contra o mundo inteiro. Quanto ao Real Madrid, fala mais alto e comanda a vida a lógica do dinheiro, do negócio. Porém, não devia ser assim. Valores são valores e símbolos são símbolos, que deviam ser sempre invioláveis, porque perdê-los em nome dos bens materiais, revela bem como hoje estamos e como funciona o nosso mundo na base do puro materialismo. Hoje dar-se ao respeito ou respeitar valores também pode ser vendável. É assim que o mundo se desconcerta cada vez mais, quiçá até ao abismo irremediável.
É certo que o ditado reza que o mundo é dos espertos, mas só será efectivamente se nos vergamos todos submissamente em nome do medo a todas as palermices que os Trumps que crescem como cogumelos querem impor ao mundo inteiro. É preciso lembrar que todo o fundamentalismo louco tem sempre a ideia de que pode enganar todo o mundo, mesmo que tenha que cair na mais crua ridicularização e tantas vezes até na patetice: «É que os filhos deste mundo são mais sagazes que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes» (Lc 16, 8). Por isso, todo o cuidado é sempre pouco.

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