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quinta-feira, 29 de março de 2018

Os nossos calvários

Sexta feira Santa
Comensal divino
No Calvário de toda a vida há um ser humano e divino maltratado
O grande silêncio que se abateu na laje fria do Calvário não desmente a crueldade de um processo injusto promovido pelo poder político e religioso de braço dado. Quando os interesses dos poderes prevalecem é tão fácil o entendimento!
Este é o dia e a hora da paixão do sofrimento e da morte de um Deus humanado. Eis nisso tudo, a humanidade inteira, vergada ao peso da cruz:
- na loucura desenfreada do negócio das armas porque não se calam no espectro da guerra;
- no campo da batalha da violência doméstica;
- nos negócios sujos da carne humana ou na desonestidade (corrupção) que rouba o bem comum e não se lembra que há justiça;
- no desrespeito de uns pelos outros em tantos lugares da vida;
- na morte por causa da pobreza, do abandono e da exclusão social;
- na vergonha terrível do nosso tempo que são os milhares de pessoas refugiadas;
- na infidelidade aos valores e princípios básicos;
- na fome que mata o sonho e rouba a esperança a milhões de seres humanos no mundo inteiro;
- nas doenças que perseguem tantas pessoas; 
- nas carências na saúde e educação que resultam de políticas que se desviam do essencial e das prioridades;  
- na perda da liberdade de expressão; 
- na perda do direito a pensar e ser diferente;
- na desigualdade;
- na exclusão;
- nas iniquidades;
- na irresponsabilidade que se revela em tantos domínios da existência porque se deixou de pensar e viver como "corpo" , não se pensa como comunidade;
- na incongruência do discurso da Sua Igreja, que prega tanto o sentido da irmandade, mas não larga os títulos anacrónicos e os ornamentos hierárquicos;
- nas riquezas desmedidas que pertencem a todos mas alguns apoderam-se delas e gerem-nas como domínios próprios;
- no abandono e subaproveitamento só porque sim de tantos bens que podiam estar ao serviço dos mais pobres;
- enfim, na concorrência desleal, desrespeitosa e por vezes insultuosa em todos os domínios, principalmente, no político, no social e no religioso da sociedade em geral...

Precisamos de uma "ressurreição" que nos purgue desta contínua paixão soberba e desta "morte colectiva", e que nos encaminhe mais uma vez no caminho seguro onde sejamos todos por um, contra a lógica tenebrosa do cada um por si e o restante não conta. Alguns dos nossos calvários estão aqui elencados, tomara que um dia sejam iluminados e que as vítimas que eles produzem encontrem a alegria da libertação do sofrimento e da morte para todo o sempre.

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