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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Quando se descarta um padre

O padre Giselo foi literalmente escorraçado por uma autoridade sem tino e sem bom senso da Paróquia do Monte no mês de Fevereiro deste ano. Até agora vive de um mísero salário que a Diocese lhe concede todos os meses e não tem nenhuma função eclesiástica digna como exige a sua condição de sacerdote da Igreja Católica. 
Foi literalmente abandonado pelos seus pares. E uma pequena claque literalmente meteu a autoridade máxima à frente do «bulling clerical» contra o padre Giselo para que fosse torrando em lume brando. 
Já vi outros casos de postergação nesta terra, mas eu nunca imaginei que um dia ia presenciar um ostracismo contra um colega, tão cheio de veneno, cuspido pelas ventas tenebrosas de satanás revestido com uma máscara eclesiástica. Bem se queixou com razão o Papa Bento XVI dos corvos. Se alguma vez conseguisse imaginar que a hierarquia católica da minha terra fosse capaz de semelhante maquievalismo, eu digo, sinceramente, parece que tinha recusado ser o que sou. 
Enfim, o padre Giselo continua descartado, porque procriou, fez ver a luz a uma criança com os olhos da cor do céu. Com isso rebentou o ódio, a vingança e a inveja clerical, que são venenos terríveis dentro das hierarquias. Pois, fez um «pecado mortal» para a hipocrisia dominante da Igreja e da sociedade em geral, que soma séculos de abusos sexuais, prepotência, abuso de poder e o reincidente farisaísmo que impõe leis e mais leis para os outros cumprirem, ostracizando multidões de fiéis que tiveram que carregar fardos pesados impostos por aqueles que nem com a ponta do dedo lhe tocavam. 
Mas, certo é que o padre Giselo continuará de fora, descartado, porque o «bulling clerical» continua, até ver se aguenta e desiste da feliz dignidade com que assumiu os seus actos, quiçá também um dos gestos, entre outros com certeza, dos mais corajosos destes cinco séculos da história da Igreja da Madeira... É coisa pouca para uma grande parte, mas um passo enorme que devia fazer pensar toda a comunidade católica da Madeira, se tivéssemos uma Igreja iluminada pela luz do Evangelho e com maturidade suficiente para pensar sem preconceitos. 
Fica-me outra vez sem surpresa, atestado que é preciso cozer um padre em lume brando até que se «faça ao largo» para as missões ou para casar, pois seja só ele a resolver o imbróglio que a autoridade froixa não foi capaz de resolver. Não há terceira via, porque o poder que não serve, mas serve-se, manda e deseja que continue assim tudo aparecer o que não é. 
Quando se descarta um padre só porque comanda o medo e uma claque bate palmas a isso, andamos muito mal e de Evangelho, afinal, não faltará pregação e palavreado, mas fica zero absolutamente vivido. 
Para terminar resta dizer o que isto representa de mau exemplo para uma sociedade que se bate com tanto filho por aí a ser deixado ao Deus dará e que para receberem a dignidade da paternidade começam a vida na barra dos tribunais e jogados para os cuidados das instituições estatais. À face de tudo isto muitos pensarão seguramente, se esta igreja trata os seus «trabalhadores» e filhos diletos desta forma, como procederá com os outros?

3 comentários:

Margarida P. V. disse...

Completamente de acordo consigo, Sr. Padre José Luís. Apesar do assunto ser muito triste, não deixa de ser refrescante e dar-nos alguma esperança na Igreja Católica, que hajam Padres como o Sr. Padre José Luís que são justos e, sobretudo, coerentes! Aguente-se, pois eu e muitos precisamos de si para continuarmos a acreditar nesta Igreja...

José Luís Rodrigues disse...

Obrigado Margarida... É isso mesmo que importa face aos maus exemplos, cuidemos uns dos outros.

Unknown disse...

Concordo consigo padre, mas, para cuidarmos uns dos outros, não precisamos dessa "igreja" tão cheia de hipocrisia. Bem haja padre José Luís.