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quinta-feira, 7 de junho de 2012

A liberdade diante do bem e do mal

Comentário à missa do próximo domingo, X Tempo Comum
10 de Junho de 2012

Os textos deste domingo pretendem ensinar que a raiz de todos os males não está em Deus, mas no facto da humanidade prescindir de Deus e abdicar de construir o mundo a partir de critérios de justiça, paz e solidariedade. O egoísmo e a auto-suficiência são caminhos que conduzem a humanidade à desgraça, ao sofrimento e à morte.
O mistério do mal é o que provoca o maior questionamento na cabeça dos homens e mulheres em todos os tempos. Este tempo não podia ser excepção. É normal que assim seja, ninguém deseja o mal, mas pouco fazemos para o evitar. Ele existe por todo lado.
O mal resulta das escolhas erradas, do orgulho, do egoísmo e da ganância. O viver orgulhosamente só, mais tarde ou mais cedo conduz à tragédia, porque os caminhos humanos sem Deus e sem o amor, constroem enormes cidades de egoísmo, de injustiças, de pobreza, de marginais, de prepotência, de sofrimento, de desgraças de toda a ordem…
Os textos da missa deste domingo ensinam também que deixar Deus de lado e caminhar fora do Seu projecto de salvação, conduz ao confronto, à hostilidade com os outros. A seguir emerge a injustiça, a exploração, a insegurança, a desconfiança, a pobreza, a violência. Os outros deixam de ser irmãos, para passarem a ser ameaças ao bem-estar e aos interesses pessoais. Tudo isto conduz a guerras terríveis, que cerceiam a felicidade, a alegria e a festa que Deus deseja para todos.
Daqui advém a inimizade com todos e com o resto da criação. A natureza deixa de ser «casa comum» que Deus ofereceu a todos como espaço de vida e de felicidade, para se tornar um objecto que se explora egoisticamente sem olhar à sua grandeza, às suas regras, à sua beleza e à sua dignidade. Por isso, todos estamos a pagar seriamente pelos atentados ecológicos e a exploração desmedida da natureza que a ganância humana produziu.
São Paulo apresenta a convicção de que será melhor nos concentrarmos nas «coisas invisíveis» que são eternas ao invés de estarmos fixados nas «coisas visíveis» que são passageiras. É muito difícil de se aceitar isto, mas pensando bem, o Apóstolo tem toda a razão. Mas, acreditemos que Deus, apesar de todas as nossas limitações, também nos ressuscitará para vida eterna, exactamente como ressuscitou Jesus Cristo.
Jesus no Evangelho acerca-se da Galileia para cumprir a Sua missão de anunciar o Reino. A onda de contestação começa a crescer, os líderes judaicos políticos e religiosos começam a opor-se à novidade do Reino. As polémicas e controvérsias marcam esta fase da caminhada de Jesus. Nada que não seja inspirador para nós se nos empenharmos na luta pela justiça, pela verdade e pelo bem para todos. Não tenhamos medo.
José Luís Rodrigues
(Imagens Google)

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