Convite a quem nos visita

terça-feira, 30 de abril de 2013

Uma citação para amenizar o clima da alma


«De nada servem palavras como diálogo, escuta, conversão, solidariedade, respeito à vida quando na prática é a violência e a defesa de ideias pré-concebidas que parecem nortear alguns comportamentos religiosos públicos. Seguem esquecendo que não se deve tomar Deus em vão. Não apenas seu nome, pois isto, já o fazem. Tomar Deus em vão é tomar as criaturas em vão, selecionando-os, desrespeitando-as e julgando-as de antemão. Nós todas/os temos palhas e traves em nossos olhos e eu sou a primeira. Por isso, cada pessoa ou grupo apenas consegue ver algo da realidade, que é sempre maior do que nós. Entretanto, se quisermos enxergar um pouco mais, somos convidadas a nos aproximar de forma desarmada dos outros. Somos desafiadas a ouvir, olhar, sentir, acolher, perguntar, conversar como se o corpo do outro ou da outra pudessem ser meu próprio corpo, como se os olhos e ouvidos dos outros pudessem completar minha visão e audição. E mais, como se as dores alheias pudessem ser de fato minhas próprias dores e suas histórias devida minhas mestras. Só assim poderemos ter um pouco de autoridade com dignidade. Só assim nossa belas palavras não serão ocas. E, talvez, nessa abertura a cada dia renovada, poderemos acreditar na necessidade vital de carregar os fardos uns dos outros e esperar que a fraternidade e a sororidade sejam possíveis em nossas relações».
Fevereiro – 2012, Ivone Gebara, Escritora, filósofa e teóloga, in Adital.

Palavras soberbas do Tribunal de Contas

Começo com a seguinte citação:
«Uma coisa é a paciência como virtude humana, o sofrer estoicamente, o passar por, o aguentar, outra coisa é a paciência como virtude cristã, a tenacidade, o espírito de manter a serenidade, porque está ligado à confiança, a uma visão do mundo diferente. Caracteriza quem não absolutiza o momento presente e sobretudo não se deixa cegar pelas preocupações do futuro, mas consegue olhar para as coisas com um horizonte de esperança. Tem muito a ver com a sabedoria do tempo». (ONDE HÁ CRISE, HÁ ESPERANÇA, Pe. Vasco Pinto de Magalhães).
Não podia ser de outra forma. Encarar com serenidade e esperança o momento que corre. As acusações do Tribunal de Contas (TC) contra o Ministério Público são de uma gravidade tão grande que não nos deve deixar quietos e reflectirmos sobre o que está em causa. Primeiro, que o bem público foi tomado com irresponsabilidade e segundo que tudo isto põe em causa o futuro da nossa terra, comprometendo assim várias gerações de madeirenses.
Fiquemos com as expressões que reproduzo aqui proferidas pelo relatório do TC. 
O TC, está «chocado» com a decisão «demasiado apressada e desajustada» do magistrado do Ministério Público que devolveu o processo de auditoria às contas da Madeira, «barrando assim o caminho para julgamento» dos membros do governo regional da Madeira por omissão de dívidas.
«Só por distracção ou prefixação noutra solução, mais simples e divorciada da factualidade espelhada no processo de autoria, se justifica uma conclusão destas», frisa o despacho do juiz conselheiro da Secção Regional do TC, publicado nesta segunda-feira no Diário da República. «A matéria de facto é realmente muita, assim como a documentação que a suporta», acrescenta José Aveiro Pereira, referindo-se aos resultados desta acção fiscalizadora explicitados no Relatório n.º 8/2012- FS/SRMTC, aprovado a 31 de Dezembro de 2010.
Frase do relatório:
-«o Ministério Público coibiu-se de acusar os governantes regionais indiciados pelas infracções financeiras que lhe são imputadas, não porque não haja factos e provas em abundância, que tornam os indícios fortes, indeléveis e não escamoteáveis, mas porque optou por uma linha de raciocínio divergente da realidade plasmada na auditoria e no respectivo relatório, eivado de conjecturas e ficções desarmónicas com o dever de objectividade e de legalidade por que se deve pautar a conduta processual do agente do MP».
- «O Tribunal entende, e com sólida fundamentação, que foram cometidas as infracções»
 - «o MP ignorou a responsabilidade financeira dos membros do Governo e mandou notificar apenas os restantes indiciados».
- «numa lógica de dissimulação, os governantes ignoraram consciente e voluntariamente os encargos assumidos e não pagos e continuaram a inscrever no Orçamento Regional verbas irrisórias face à dimensão desses encargos acumulados e ‘varridos para debaixo do tapete’».
- «É isto que se indicia abundantemente nos autos e que o MP omite»,
- «firme e frontal discordância perante a insustentável leveza com que o MP desconsidera e afasta, neste processo, o resultado factual e probatório da auditoria, além de ignorar a obrigação que recai sobre os responsáveis de demonstrarem que geriram e aplicaram bem os dinheiros públicos»…
Mas, há mais… Um verdadeiro banquete. Ficam estes exemplos.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Santa Catarina de Sena


Hoje, 29 de Abril (2013), celebramos memória de uma mulher, uma grande, que nos merece o maior destaque e júbilo pelo que ele foi e representa quanto ao sonho da mudança. Reparemos na enorme biografia que nos dá o site do «EVANGELHO QUOTIDIANO». Curiosamente, a sua idade é muito curta. Mais um exemplo que pouco ou nada importam os anos que se conta enquanto estamos neste mundo, mas a intensidade com que se vive cada ano que vai passando.
Santa Catarina nasceu em Sena, no dia 25 de Março de 1347. Na Europa, a peste negra e as guerras semeavam o pânico e a morte. A Igreja sofria pelas suas divisões internas e pela existência de "antipapas" (chegaram a existir três papas, simultaneamente).
Desejando seguir o caminho da perfeição, aos 15 anos Catarina ingressou na Ordem Terceira de São Domingos. Viveu um amor apaixonado e apaixonante por Deus e pelo próximo. Lutou ardorosamente pela restauração da paz política e pela harmonia entre os seus concidadãos. Contribuiu para a solução da crise religiosa provocada pelos antipapas, fazendo com que Gregório XI voltasse a Roma. Embora analfabeta, ditava as suas cartas endereçadas aos papas, aos reis e líderes, como também ao povo humilde. Foi, enfim, uma mulher empenhada social e politicamente e exerceu grande influência religiosa na Igreja do seu tempo.
As suas atitudes não deixaram de causar perplexidade nos seus contemporâneos. Adiantou-se séculos aos padrões da sua época, quando a participação da mulher na Igreja era quase nula ou inexistente. Deixou-nos o "Diálogo sobre a Divina Providência", uma exposição clara das suas ideias teológicas e da sua mística, o que coloca Santa Catarina de Sena entre os Doutores da Igreja.
Morreu aos 33 anos de idade, no dia 29 de Abril de 1380. Excelente. Admirável.

Agora vai aqui também um texto desta fascinante mulher…
«Vós, Trindade eterna, sois meu Criador e eu, vossa criatura.
De novo me criastes no Sangue de vosso Filho.
Nesta nova criação conheci que vos enamorastes
da beleza de vossa criatura.

Ó abismo, ó eterna divindade, ó mar profundo!
E que mais poderíeis dar-me que dar-vos a mim?
Sois fogo que sempre arde e não consome.
Sois fogo que consome todo o amor-próprio da alma.
Sois fogo que destrói toda a frieza.

Iluminais... e, em vossa luz, conheço-vos e vos
represento em mim como sumo e infinito Bem,
acima de todo bem;
Bem incom­preensível, feliz, inestimável!
Beleza acima de toda beleza,
Sabedoria acima de toda sabedoria,
antes, sois a própria Sabedoria.
Vós, ali­mento dos Anjos,
vos destes aos homens com fogo de Amor.
Sois veste que cobre toda nudez,
com vossa doçura alimentais os famintos.
Doçura sois, sem amargura alguma.

Ó Trindade eterna, na vossa luz que me destes ...
conheci ... o caminho da maior perfeição,
a fim de que na luz e não em trevas vos sirva,
seja espelho de boa e santa vida,
e me tireis da minha miserável vida, pois,
sempre, por meus defeitos, vos servi nas trevas ...
E vós, Trindade eterna,
com vossa luz destruístes minhas trevas».
Santa Catarina de Sena

sábado, 27 de abril de 2013

BANQUETE DIVINO

À Natália Correia
Os deuses juntaram-se à mesa…
Todos eles gordos comiam gulosamente:
Carnes, pão, bolos… de tudo o que se pode comer
(em casa de qualquer deus)
E regavam tudo com o molho divino das uvas
Servido pelos obedientes servos humanos
(domesticados a ferro pelos deuses).
Não saboreavam,
- Devoravam como selvagens o fruto do suor
                               dos homens derramado nos campos.

Os deuses riam e dançavam com som da música…

- Era o auge da orgia festiva no palácio celestial.

Nesses lugares
Onde os deuses fazem o que não sabemos
Porque afastados de nós
Decidem tudo convencidos
Que nós não os vemos!

A vida deles é sempre assim:
Um banquete. Até quando?
José Luís Rodrigues
Nota: texto escrito a 20 de Janeiro de 1993, num momento de inquietude e quiçá de revolta, como o contexto de hoje, que também proporciona semelhantes sentimentos. 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Como se conjuga o verbo rapio?

Frase de Dostoiewski: «Todo o progresso do mundo não vale o choro de uma criança faminta».  
Então específico. Quanto choro, estão a provocar os desmandos de quem manda, a irresponsabilidade de quem se acha dono da verdade e que faz sempre as melhores opções do mundo? Quanto choro no rosto de crianças sem pão, sem alegria para brincarem e aprenderem com as devidas condições básicas? Quanta lágrima escorre no rosto por causa da depressão e da angústia de ver o armário e o frigorífico vazios porque faltou o dinheiro para comprar dignamente o necessário para a mesa? - E lá vamos nós a ver passar as obras loucas e desnecessárias, as revisões constitucionais como se com isto resolvêssemos as tragédias que afectam grosso modo a nossa população nos dias de hoje... 

Esta frase pode ser uma inscrição para todos aqueles que fazem fé absoluta na austeridade ou até mesmo no progresso desenfreado sem ter em conta as pessoas. Mais ainda serve para lançar à cara de políticos irresponsáveis que foram bem caracterizados há muito tempo pelo Padre António Vieira, no Sermão do Bom Ladrão, mas que se reveste de uma actualidade impressionante e desconcertante. Repare-se: «O ladrão que furta para comer, não vai nem leva ao inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões de maior calibre e de mais alta esfera; os quais debaixo do mesmo nome e do mesmo predicamento distingue muito bem São Basílio Magno. Não só são ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com mancha, já com forças roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor nem perigo: os outros se furtam, são enforcados, estes furtam e enforcam.
Diógenes que tudo via com mais aguda vista que os outros homens viu que uma grande tropa de varas e ministros da justiça levava a enforcar uns ladrões e começou a bradar: lá vão os ladrões grandes a enforcar os pequenos... Quantas vezes se viu em Roma a enforcar o ladrão por ter roubado um carneiro, e no mesmo dia ser levado em triunfo, um cônsul, ou ditador por ter roubado uma província?... De Seronato disse com discreta contraposição Sidônio Apolinário: Nom cessat simul furta, vel punire, vel facere. Seronato está sempre ocupado em duas coisas: em castigar furtos, e em os fazer. Isto não era zelo de justiça, senão inveja. Queria tirar os ladrões do mundo para roubar ele só! Declarando assim por palavras não minhas, senão de muito bons autores, quão honrados e autorizados sejam os ladrões de que falo, estes são os que disse, e digo levam consigo os reis ao inferno» (...) «
O que eu posso acrescentar pela experiência que tenho é que não só do Cabo da Boa Esperança para lá, mas também da parte de aquém, se usa igualmente a mesma conjugação. Conjugam por todos os modos o verbo rapio, não falando em outros novos e esquisitos, que não conhecem Donato nem Despautério» (...).
Ontem, porque foi 25 de Abril, vivido neste contexto em que vivemos de ataque feroz contra os indefesos do nosso país, onde a liberdade está ameaçada e onde nos vemos tomados de assalto, reli com entusiasmo o Sermão do bom Ladrão. Vamos lá e deliciem-se com as palavras do Padre António Vieira, pensando na lástima que são os actuais (des) governantes da nação e da região…  

O principal mandamento

Mesa da palavra
Comentário à Missa deste domingo
V da Páscoa
O Evangelho de São João neste próximo domingo, apresenta-nos o mandamento novo de Jesus: "Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros". Não é fácil cumprir este mandamento que Jesus nos manda viver. A nossa vida está tão repleta de tantas coisas complexas demais que se torna, por vezes, impossível corresponder ao mandato de Cristo. Todos temos experiências de relação com as pessoas que vamos encontrando, que nos marcaram profundamente para o bem e para o mal.
No entanto, cada um deve em primeiro lugar ser capaz de acolher todos aqueles que Deus colocou na sua vida e amá-los profundamente. Dessa forma, já viveremos o mandamento novo que Jesus nos ensina. Os contextos mais difíceis do mundo são o melhor lugar para viver o amor.
Primeiro que tudo, devem estar no nosso coração todos os que a vida nos ofereceu como membros de família, do trabalho, da opção e de todas as caminhadas que realizamos. Logo depois, somos desafiados a viver o amor para com todos aqueles que se cruzam connosco no dia a dia. A esta forma de vida não se chama ingenuidade ou inocência doentia, mas disponibilidade para a vivência da felicidade pessoal e dos outros. Não devemos aceitar todas as patetices e asneiras daqueles que nos rodeiam, mas somos chamados a acolher, compreender e perdoar. 
O amor que Jesus nos manda viver como elemento essencial do seu Reino passa pela entrega ao serviço dos outros e pelo acolher a todos como irmãos. O reino de Jesus Cristo, está identificado pela fraternidade. Até podemos definir a religião cristã como uma fraternidade. Ninguém se pode dizer cristão se não vive na base da amizade e da abertura aos outros como irmãos como valor fundamental da sua vida de todos os dias. Talvez seja esta visão do cristianismo que nos leva a concluir que esta religião é difícil de ser vivida. No entanto, não devemos deixar que este pensamento nos atrofie a coragem ou a entrega à descoberta do essencial para a felicidade.
Nesse «inferno» que às vezes pode ser a relação com os outros, pode ser que também esteja a descoberta outras vezes o céu. A fraternidade é o maior desafio deste mundo e da vida concreta de cada pessoa, porém, é essencial que faça parte deste mundo. Está mais que provado que a ausência deste valor tem levado a humanidade à tragédia.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Ameaças à liberdade e aos valores democráticos


Estamos diante de um tempo novo. Cada tempo é sempre novo. Se quisermos um «devir» constante segundo Heráclito, porque nada ainda não nos foi dado viver. Apesar de tudo cada tempo é aliciante e rico.
O nosso país celebra hoje o «seu»/«nosso» 25 de Abril, esta data crucial, que revelou a um povo um devir novo, um alvor de esperança e a liberdade de uma sociedade mais justa, mais humana e fraterna. Passados quase 40 anos foram vividos esses valores de alguma forma, mas a que chegamos senão a sérias ameaças sobre o que representou e representa esta data e a Revolução de Abril. Já foram várias as políticas e as várias formas de governação que às vezes foram/são interessantes, sonhadoras e empenhadas no bem para todos. Mas, outras vezes interesseiras, subjugadas aos grandes grupos económicos e financeiros, que vão conduzindo ao empobrecimento do povo, saneando os seus direitos e ameaçando os valores essenciais da democracia.
Tendo em conta o contexto que vivemos hoje e é isso mesmo que nos importa, reparamos que o Estado Social, está ameaçado, a liberdade cada vez mais condicionada e a expressão do pensamento vai sendo cada vez mais cerceada com mecanismos cada vez mais subreptícios e coisa pior sob o horrendo sentimento que é o medo da perda. A perda do emprego, o medo da fome, o medo da pobreza, o medo de ser mais um excluído socialmente falando, o medo de não ser gente, porque se perdeu o chão e o lugar na comunidade/sociedade.
Assim sendo, face aos acontecimentos de hoje mais do que estarmos preocupados com a falta de dinheiro ou com o facto de vermos a economia crescer pouco, coisa que não é de somenos, considero, mas seria importante concentramo-nos na luta pela liberdade e pelos princípios democráticos. É horrível ouvirmos o grito a tanta gente que vai pedido «precisamos de mais um Salazar» ou de uma «pide para endireitar isto»… Quem assim fala não sabe o que diz e ainda não se deu conta dos valores que temos entre mãos. É preciso pensar e acarinhar a liberdade, o direito de escolher quem nos governa, o direito à igualdade de oportunidades, a livre expressão do pensamento por mais estúpido que seja, o direito à propriedade e entre tantos outros direitos que fazem uma sociedade ser saudável e se quisermos mais humana, mais justa e assente na fraternidade.
Não podemos permitir que sejam violentados estes direitos, estes valores, criando mecanismos bem claros que combatam a irresponsabilidade na governação, que travem todas as formas de corrupção, que não permitam que os incompetentes, os lambe botas e todos os energúmenos que a sociedade democrática ainda vai produzindo que depois têm a possibilidade de se abeirarem do pote do bem comum, que o sugam até ao fundo sem olhar a meios para alcançar os seus intentos contra toda a justiça e contra a distribuição equilibrada dos bens que estão destinados a serem instrumentos para a felicidade de todos. Precisamos de uma nova revolução do pensamento e de nos concentrarmos naquilo que é importante mesmo nos tempos em que vivemos.
Muitas das diversões que se vão levando a cabo servem apenas para exorcizar a irresponsabilidade e a corrupção, serve para esconder o que faz falta (como canta a canção de Abril), serve para nos remeter a simples consumidores, serve para nos escravizar sob o medo, serve para nos atrofiar as ideias e o pensamento, serve para não vermos o que importa, serve para esconder as falcatruas e os joguetes que beneficiam os poderosos, servem para nos tirar da sociedade e fazer de nós meras figuras decorativas amorfas para que a verdade passe ao lado e o que se deseja levar adiante passe incólume sem reflexão e sem crítica... 
Livre-nos Deus desta sociedade e desta democracia ao gosto dos interesses de alguns.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

O Povo Português está em perigo


Pedro Mota Soares (CDS-PP) - Ministro da Segurança Social
Portugal tinha, no final de março, menos 8400 idosos pobres a receber o complemento solidário para idosos (CSI), cujo valor médio rondará os 100 euros por mês, e menos 49 681 beneficiários de rendimento social de inserção (RSI), com uma prestação média mensal de 81 euros, comparativamente a junho de 2011, mês em que Governo PSD/CDS tomou posse. O número de beneficiários em cada uma destas prestações sociais é agora 226 940 pessoas no caso do CSI e 274 937 no RSI.
Esta gente (só para não dizer «esta canalha») que tem (des) governado o país perdeu a cabeça e o bom senso. Um país como o nosso que apresenta taxas de desemprego avassaladoras e uma população idosa que roça o deprimente, com pensões de miséria, vê-se assim caída na desgraça, porque a esmola que lhes minorava em quase nada a tragédia que é viver hoje no nosso país, foi-lhes retirada, porque o (des) governo não está para alimentar vadios nem muito menos existe para distribuir os nossos impostos com as pessoas, mas com altas negociatas nas empresas estatais, nas Parcerias Público Privadas (as famosas PPP’s) nos BPN’s e nas mordomias dos (des) governantes. 
Essa agora de não tirar o pão da boca dos bandidos que tiveram o azar de nascer neste país e não aplicar o dinheiro isso sim, nos luxos que alguns entendem ter direito porque existe leis que assim prevêem e que essas sim devem ser cumpridas escrupulosamente... Estas são medidas boas e políticas que não salvam o povo, mas o coiro dos sortudos que se abeiram do pote. Façam-me um favor, vão passear com esta lógica do pacóvio que não acredito em nada do que sai da vossa boca.
A paciência para ver e ler estas notícias já vai faltando. Está a tornar-se intolerável suportar a arrogância com que se tira o que não deve ser tirado e se coloca onde não deve ser colocado. Nunca acreditei em nenhuma medida de austeridade e hoje estou seguríssimo que nenhum destes sacrifícios irá resolver o problema da dívida de Portugal, pelo contrário, os problemas agravam-se em cada dia que passa e cada vez devemos mais dinheiro. E assim, lá vamos nós de medida em medida destruindo o melhor de Portugal que é o seu povo.
Uma perguntinha inocente. Como é possível que à cabeça da implementação destas medidas contra os pobres esteja um membro de um partido (CDS-PP), que se afana de ser herdeiro da «democracia-cristã», com vários militantes profundamente ligados à Igreja Católica, com prática religiosa regular onde escutam frequentemente a Palavra do Evangelho que faz dos pobres os bem aventurados de Deus e aqueles a quem Jesus busca preferencialmente? - Bom, mistérios que nos acompanham...
Última nota. Não pensem que me pôs a jeito para ser convidado para Ministro ou Secretário de Estado deste (des) governo. Sim, porque todos os que andam por aí a criticar as medidas deste (des) governo e do Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho acabam sendo chamados à (des) governação. Que fique bem claro, totalmente indisponível. Devemos todos estar atentos e lutar por um país mais justo, onde a pobreza não se torne em paisagem e para que tenhamos uma sociedade mais humana e mais feliz. Como se faz isto? - Com justiça e respeito pelo bem comum. É isso que nos move.

terça-feira, 23 de abril de 2013

O livro um amigo desde sempre


Cada vez mais me vai chegando à minha memória aqueles dias de Verão, quando subia o caminho da Cruz, com suor às bicas carregado de livros para os entregar ao sr. da biblioteca itinerante, peço desculpa por não nomear o sr., porque, por mais voltas que dê à cabeça não me consigo lembrar do nome. Porém, salta-me à memória a sua estatura física gigante e a sua voz arrastada, rouca que não me parecia ser doença, mas a voz que Deus tinha dado àqueles livros itinerantes como dádiva para os pobres. A voz estridente falava grosso, que assustava até os livros, ninguém piava dentro da carrinha, só ele é que falava, um general que não parava, dentro e fora, remexendo nos livros e dando ordens a todos, despachando as tropas com livros e mais livros enfiados pelas unhas dentro. Bastava dizer a idade e o ano escolar, logo saltava das estantes os livros que se tinham posto a jeito para soldado devorar. O homem era irrequieto de mais, um livro aberto a distribuir livros como se fossem bombons.  
Este foi o primeiro contacto com os livros. Uma graça que as extraordinárias Bibliotecas itinerantes da Gulbenkian proporcionaram. Um milagre, que fazia tanta gente nos recônditos da Ilha da Madeira sonhar em vários momentos do dia, especialmente, à noite à luz da torcida alimentada a petróleo. O manuseio dos livros, que se faziam nossos por um tempo, provocavam um encanto, um sorriso, uma alegria trazidas sabe-se Deus de onde, por esses amigos cheios de histórias diferentes, pejados de letras, d e páginas e enredos que faziam esquecer a pobreza e a ausência de tantas coisas que hoje consideramos indispensáveis, mas antes nem sonhávamos que existiam ou que viessem existir tal como as saboreamos hoje.
Ali naquele ambiente tórrido dos verões, nas férias grandes, nasceu o encanto pelo amigo livro, que me lançou na vida escolar, a amizade pelas letras, pela literatura, pelo pensamento (a riqueza mais universal que conheço) e pela escrita. Foi este companheiro que fez de muitos pedaços da noite uma magia, um encanto essencial para exorcizar tantas coisas que a vida nos vai dando que dizemos algumas vezes em sofrimento. Busco o livro, mas o livro procura-me tão ávido e tão necessário para a grandeza de uma relação. Não será por acaso que o Padre António Vieira terá pregado: «O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive». Quantas vezes, saboreei este pensamento sem o conhecer naqueles livros que abracei da biblioteca itinerante? - Que saudades...
Hoje luto e faço um esforço frenético tomado tantas vezes de impaciência, porque o tempo não chega. Nada mais temo senão ter que viver com essa ideia que nos ensina o autor Victor Hugo: «Há pessoas que têm uma biblioteca como os eunucos um harém». Nada mais repudiante do que isso, muitos livros ao abandono, a serem devorados pelo pó em tantas livrarias e bibliotecas deste mundo, porque a virtualidade da vida actual os votou ao desprezo e a sofreguidão de ser gente hoje onde abunda tudo, condenou o livro ao esquecimento e à solidão do pó.
No meu caso, retenho o pensamento de Hermann Hesse: «Ler um livro é para o bom leitor conhecer a pessoa e o modo de pensar de alguém que lhe é estranho. É procurar compreendê-lo e, sempre que possível, fazer dele um amigo». Quantas amizades perdidas andam por aí? – Imensas. E quanta sabedoria poderia comandar tantas vidas se o livro fosse o principal amigo na vida de cada pessoa. Por mim vou fazendo o que posso, para que o livro não se sinta desprezado por minha causa. Eis o meu contributo ao livro, neste Dia Mundial do Livro.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

E se não fosse a Madeira uma terra de turismo?

A 26 de Abril de 2001, a Conferência Episcopal Portuguesa escreveu um documento com este título: «Crise de Sociedade – Crise de Civilização», era um documento precioso do ponto de vista da denúncia certeira sobre aspectos políticos dos últimos tempos e era uma reafirmação convicta sobre a doutrina fundamental da vida humana em todos os seus aspectos.
Na altura acordaram os bispos que estávamos indo mal com a lei da pílula do dia seguinte, as uniões de facto, as salas de chuto, a generalizada violência e insegurança, a marginalização social, a falta de confiança no sistema judicial, a toxicodependência e a delinquência juvenil, a falta de apoios e protecção da família, a confusão generalizada no sistema de saúde e na educação, os riscos da globalização, a mediatização da vida, os novos poderes, o poder político está fragmentado e enfraquecido, a perda de confiança nas instituições, a margem cada vez maior para a ilegalidade e desorganização legal, etc. O que terá mudado para dizermos que este rol de problemas já não consta da leitura que fazemos da sociedade? - Não mudou nada, tudo está diferente para pior. Aumentou isso sim, a multidão de gente vítimas de cada um destes aspectos. Mais ainda se acrescentarmos as vítimas sem-abrigo e os esfomeados que deambulam por todo o lado à procura de clemência e de alguma esmola. Mais ainda se acrescenta a insensibilidade política e a irresponsabilidade dos líderes políticos.
Choca-me que a «nossa» Igreja Católica, também não se sinta responsável por esta tragédia. Choca que diante da reportagem do Diário de Notícias do Funchal sobre a multidão dos sem-abrigo que calcorreiam as ruas da nossa cidade, uma instituição da Igreja Católica, vocacionada para a Caridade e a ajuda aos mais pobres, escarrapache que os sem-abrigo não são da sua alcança, não está esta organização vocacionada para os sem-abrigo. É o que dá transformar as instituições de caridade e de solidariedade verdadeiras empresas. Mas, dado que nos falta a paciência para instituições que fazem dos pobres matéria-prima, não perco mais tempo nem muito menos lhes presto atenção nem lhes faço mais publicidade.
Tantos sem abrigado dizemos em relação a estes dos números oficiais, manipulados pelas instituições. E os outros tantos, que não estão contabilizados, os que se escondem com vergonha, os que estão fora das ruas da cidade? E os que andam já cansados de bater à porta das instituições, a Segurança Social, o Instituto de Habitação, as Câmara Municipais, entre outros, que ao que dizem têm casas fechadas nos bairros que estão à sua responsabilidade? – São imensas famílias que andam de Anás a Caifás, mergulhadas na imensa burocracia ouvindo as piores respostas baseadas na tecnicidade e ao abrigo da frieza das leis…
Não contam as pessoas para nada, os seus anseios, as suas necessidades prementes. Assim se acomoda uma sociedade com a multidão de esfomeados e com a multidão dos sem-abrigo, os sem casa, os sem voz e sem vez no lugar da dignidade em cada canto do mundo e em cada rua das nossas cidades. Não podemos dormir descansados com esta fatalidade. Nem muito menos permitir que a pobreza, a fome, os sem-abrigo se transformem em paisagem. Meu Deus, se não fossemos uma terra de turismo, o que não seria. É preciso acordar…  
A nós que somos Igreja cabe-nos denunciar e anunciar em todos os tempos e contextos históricos esta radicalidade da esperança como sinal do Reino do amor e da paz que Cristo nos deixou. E não devemos esquecer que foi nos ambientes mais adversos à Igreja que ela foi mais útil e mais rica na vivência espiritual. Mas, entre nós o pecado da omissão tem muitos adeptos, infelizmente. Até quando, vai durar aquilo que faz consistir esta denúncia: «Cristãos mornos são aqueles que querem construir uma igreja à sua medida, mas esta não é a igreja de deus.» Francisco, Papa No Correio da Manhã e citado no Dnotícias de hoje (22 de Abril de 2013).

sábado, 20 de abril de 2013

O vento

Texto para vós... Bom fim de semana para todos. 
Sopra, sopra muito ao de leve na encosta azul
Onde já choram as poucas vergônteas do Verão
Também eu choro ao passar sobre o muro
Deste lado onde o vento passa fatiado pela memória
Então os olhos vertem a água sublime do poço da vida
E cada sonho, cada manhã, cada sinal, cada gesto
Emerge em festa naquela nuvem que nos abrigou
Na sombra amorosa do sentido da vida
Neste estado de alma seguro
Tu e eu entramos ambos no lugar último do tempo
Para abraçarmos a ternura da alegria
Quando o vento pairava sobre as ondas do desejo
Como a mais pura brisa do amor.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Uma causa para salvar o planeta

Causa importante para salvar a «nossa» casa comum, a terra! Juntemos o nosso espírito a esta iniciativa. Belíssima foto. 

Na Base Borneo, na Calota Polar Ártica, Renny Bijoux, das Ilhas Seychelles, "Embaixador ártico" do Greenpeace, se prepara para o início da expedição ao Polo Norte, com o objetivo de proteger aquela área da Terra das petroleiras e da pesca excessiva. Uma esquadra de 16 pessoas levará uma cápsula contendo 2,7 milhões de assinaturas que pedem um Santuário global no Ártico: a cápsula será jogada no mais fundo do Ártico, com uma bandeira de titânio, a 4,3 quilômetros abaixo da geleira.

Foto: CHRISTIAN ASLUND - Greenpeace - Epa

Ormie

Formidável. Rir é o melhor remédio. Divirtam-se...

Hino eucarístico «Adoro te devote»

São Tomás de Aquino (1225-1274), teólogo dominicano, doutor da Igreja
«A Minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue uma verdadeira bebida»
Adoro-Te com amor, Deus escondido,
Que sob estas espécies és presente.
Dou-Te o meu coração inteiramente,
Em Tua contemplação desfalecido.

A vista, o tacto, o gosto nada sabem,
Só no que o ouvido sabe se há-de crer.
Creio em tudo o que o Filho de Deus veio dizer:
Nada mais verdadeiro pode ser
Do que a própria Palavra da Verdade.

Na cruz estava oculta a divindade,
Aqui também o está a humanidade.
E contudo, eu creio e o confesso
Que ambas aqui estão na realidade,
E o que pedia o bom ladrão eu peço.

Não vejo as chagas, como Tomé,
Mas confesso-Te meu Deus e meu Senhor.
Faz-me ter cada vez em Ti mais fé,
Uma esperança maior e mais amor.

Ó memorial da morte do Senhor!
Ó vivo pão que ao homem dás a vida!
Que a minha alma sempre de Ti viva!
Que sempre lhe seja doce o Teu sabor! 

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Desejar a vida eterna

Mesa da Palavra
Comentário à missa deste domingo
IV do Tempo Pascal
A voz de Jesus é uma voz que nos toca no mais fundo da existência e faz de cada pessoa humana, um caminho de realização do seu amor pela vida. A salvação não tem outra possibilidade senão essa do amor que Jesus nos oferece e nos manda viver em todos os momentos da nossa existência. No Evangelho de João aprendemos esta condição formidável que Deus nos deu através de Jesus. Deus é Pai e tomou-nos a todos como seus filhos, deu-nos a vida eterna, nunca havemos de morrer, nunca sairemos da mão de Deus, fomos dados a Jesus – Filho de Deus – para que com Ele nos tornássemos também filhos muito amados deste Deus que é Pai/Mãe, que Jesus nos mostra.
Outra coisa extraordinária que Jesus nos revela é que «Eu e o Pai somos um só» – diz Jesus. Esta frase revela-nos como é forte a comunhão que existe entre o Deus Pai/Mãe e o Filho. Até hoje nenhum filho foi capaz de pronunciar uma coisa tão formidável em termos de relação entre paternidade/ maternidade e filiação. Só Jesus, porque sabendo de onde vinha podia pronunciar esta riqueza de relação entre pai/mãe e filho. Como viver hoje esta intimidade com Deus? – É o próprio Jesus que nos vai ensinar. Todos os que souberem escutar a sua voz irão aprender como viver essa intimidade de amor. Mas a nossa vida, por vezes, está tão envolta em necessidades ou na falta delas que não nos predispõe para um verdadeiro encontro de intimidade que Jesus nos oferece. As tribulações da vida não permitem descobrir a verdade dessa descoberta.
Jesus é o Bom Pastor, que nos chama e nos convoca para a verdade da vida como dom do seu amor. E aceitar este dom maravilhoso de Deus Pai, é acolher a verdade plena na nossa existência e, sobretudo, prepara-nos desde logo o caminho da eternidade. Pois, reparemos no que dizem as palavras de Jesus: «Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão-de perecer». Esta certeza de salvação é pronunciada pela voz de Jesus, que se mostra mestre da vida e da libertação total de tudo o que ponha em causa o amor, a paz e a inquietação interior do pecado.
Tudo o que seja verdade radical do amor, nunca é demais para ser vivido no dia a dia, porém, não podemos dizer que essa possibilidade salvadora seja realmente fácil de ser vivida. Não, não é fácil enquadrar o nosso viver com esses valores que a mensagem de Jesus nos mostra, porque as circunstâncias do nosso quotidiano estão sempre marcadas por tantas tentações que nos desviam do caminho certo do amor e da felicidade. No entanto, nada de bom se consegue sem uma força de vontade interior muito grande. As coisas boas conquistam-se a pulso, com muita paciência e muita persistência. Os cristãos, são chamados a serem gente de esperança e nada os deverá demover do caminho de Deus e do seu projecto de salvação.
É fácil ser enganado por charlatães ou por pessoas sem escrúpulos que não se importam nada com a distinção entre o que é certo e o que é errado. Assim, será sempre muito mais importante cada um de nós escutar profundamente a voz da verdade e do amor.
Por isso, onde existe a teimosia soberba para a vivência constante do ódio e do rancor não pode haver lugar no coração para o encontro da intimidade de Deus nem pode haver predisposição para a escuta da voz do Senhor Jesus. Neste dom extraordinário que é a vida, Jesus convoca-nos para a procura do sentido último radicado na transcendência para que viver neste mundo não seja apenas estar sem horizonte, mas fixados no céu. 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Papa Francisco contra a teimosia de quem quer voltar atrás

A resignação do Papa Bento XVI, foi um acto sobejamente enaltecido por toda a gente. Veio revelar que a «Barca de Pedro» estava um pouco sem rumo, à deriva e os ventos eram tão fortes que o Papa alemão reconheceu que não tinha forças suficientes para continuar ao leme da barca. Foi-se e abandonou o comando da barca, para que outro com mais «vigor» viesse tomar os comandos da viagem.
Bom, aqui estamos com o Papa Francisco ao leme. Um papa vindo do «fim do mundo», que rebenta com os esquemas protocolares, dessacraliza o Papado, rompe com a apertada segurança, que fala da pobreza, do Espírito Santo e de mudanças na Igreja Católica. Vejamos o que disse na homilia da missa de ontem (16 de Abril de 2013): «Pensem no Papa João XXIII. Ele parecia um bom pároco e foi obediente ao Espírito Santo e fez isto. Mas 50 anos mais tarde, fizemos tudo o que o Espírito Santo nos ordenou no Concílio? Na continuidade do crescimento da Igreja que foi o Concílio? Não». Claro que não. É tempo de acabar com as festanças religiosas para marcar a agenda e fazer passar a imagem para fora de que tudo está bem. Há gente, mesmo que sejam sempre os mesmos a encher autocarros, a bater palmas, a abanar bandeirinhas, vestir camisolas e bonés muito bem ornamentados com os apetrechos religiosos para a ocasião.
A meu ver faz bem o Papa Francisco em desejar colocar o acento no Concílio Vaticano II, porque grande parte daquilo que foi discutido nesta reunião magna da Igreja nos anos 60 ainda falta ser levado à prática. Então diz o Papa «vindo do fim do mundo»: «Celebramos este aniversário [referindo-se à comemoração do 50º aniversário do Concílio Vaticano II] erguemos monumentos, mas não nos damos ao trabalho. Não queremos mudar», afirmou ainda o Papa.
De seguida, Francisco foi mesmo mais longe e criticou aqueles que procuram regressar ao período antes do Concílio: «E há mais: há vozes que procuram voltar atrás. Chama-se a isto teimosia, chama-se querer domesticar o Espírito Santo, chama-se a isto insensatez e lentidão de coração». Mais clareza é difícil de encontrar e coloca na ordem os que andam por aí a restaurar a parafernália eclesiástica há muito tempo arrumada nos armários das sacristias ou nos museus para serem isso sim tomados como peças de um tempo que há muito que passou. As respostas aos problemas de hoje com remendos do passado, é a pior das asneiras e resulta na patetice e no ridículo.
Estamos num tempo de ouro para grandes transformações na Igreja Católica, que resumo em dois aspectos. Primeiro, porque, segundo o pensamento filosófico de hoje o contexto do mundo é este que foi descrito de forma excelente por Gilles Lipovetsky no DN – Lisboa a 4/4/2010). Face à seguinte pergunta responde: «É por tudo isto que vivemos numa sociedade desorientada?»
«- Absolutamente. A cultura-mundo acelera a desorientação. Desde o século XIX, que os grandes pensadores ocidentais assinalam este fenómeno, de que a modernidade se desorienta. Nietzche fala na morte de Deus, o mesmo é dizer que se perdeu um dos pilares sólidos da Humanidade. Hoje, essa questão é mais complexa, por que não é apenas a questão de Deus que nos desorienta, mas sim tudo. Por exemplo: o que comer? Antes, era tudo muito simples. Comíamos os pratos tradicionais. Hoje, não. Podemos ir a um restaurante japonês, podemos comer fast-food, podemos comer tudo. Nas grandes cidades existem restaurantes de todo o mundo». Disse o autor de a «Era do Vazio».
O segundo aspecto prende-se com tudo o que tem assolado a Igreja Católica nos últimos tempos, principalmente, os escândalos relacionados com a pedofilia e com todas as falcatruas nas finanças do Banco do Vaticano. Se isto não levar à mudança não se sabe o que levará. Mas, parece que se vê muito bem claro que o espírito do tempo exige mudança e sente como nunca que a Igreja Católica precisa de lavar a cara.
Este é um tempo de ouro, que se não for aproveitado para a mudança não sei então onde estarão outros tempos tão propícios. A abertura para qualquer mudança internamente na Igreja Católica é quase unânime, tirando as facções conservadoras e integracionistas que se viram neutralizadas com a eleição do Papa Francisco, mas que a qualquer momento se vão manifestar contra o Papa e contra a onda que anseia com a necessidade urgente de reformas na Igreja Católica. Se quisermos referir o mundo em geral, então, aí será raro encontrar qualquer oposição às reformas.
Neste sentido, esperamos ardentemente que o Papa Francisco dê largas ao Espírito Santo que age quando quer, onde quer e em quem quer. Mais ainda desejamos que o pensamento da «Ecclesia reformata semper reformanda secundum verbum dei» (Igreja sempre reformada segunda a Palavra de Deus)cuja formulação foi feita no coração da Reforma do Século XVI e retomado depois no espírito do Concílio Vaticano II no anos 60, seja também hoje uma ideia que toma de assombra toda a Igreja Católica, para que o vendo do Espírito Santo renove tudo o que fez da Igreja Católica um albergue do vazio que provocou o distanciamento dos homens e das mulheres do seio da Igreja, especialmente, os mais jovens.

terça-feira, 16 de abril de 2013

O mundo está perigoso



As redes mafiosas não têm mãos a medir e promovem as redes de indocumentados de vindos dos países mais pobres do mundo. A exploração parece ser feroz e implacável. O submundo destas redes parece ser de uma terrível e desumana faceta sem precedentes na história do mundo.
O comércio de seres humanos está cada vez mais próspero e parece que as malhas da prostituição ganham terreno em todos os quadrantes sociais.
As máfias florescem à vista de todos e tomam conta de sectores cruciais das sociedades, cujo único objectivo é lutar sem piedade pelo lucro fácil, mesmo que seja na base do comércio de seres humanos.
Os governos que se converteram em desgovernos, porque implementam políticas contra os seus povos em nome do vil metal ao serviço de grupos financeiros e económicos sem rosto, são o maior perigo para os povos. Nada mais provoca insegurança e medo do futuro do que ter que conviver com um governo pretensamente legitimado pelos votos, que não devendo o povo e especialmente os mais vulneráveis, os mais fracos. Um mundo perigoso que sabemos para que está, mas não sabemos o que pode fazer contra nós para lá chegar. 
O Cardeal Maria Martini, proponha um caminho para este panorama assustador que nos persegue, a via do diálogo. E o facto do sepulcro estar vazio é um bom sinal. A vida venceu o medo e derrotou o abismo do sofrimento e da morte. Todos são convocados para encetar caminhos de progresso humano para todos.
O medo e a desorientação geral não podem ter a última palavra nem podem ser motivo de derrota final. Devem isso sim, ser uma possibilidade de redenção que nos junte a todos e que dessa forma se imaginem novos modelos e novas formas de vida que nos orientem para a verdade da felicidade.
A desresponsabilização pessoal que vivemos, que leva a que cada um não se sinta sujeito do que faz e do que é, parece fazer alguma confusão. Porém, não nos podemos deixar vencer. É preciso, é urgente não se demitir da sua história pessoal e cada um deve ser capaz de enveredar pelas vias da salvação.
A abundância de notícias sobre a muita insegurança que se vive; a violência quotidiana que parece conviver com todos em cada esquina da vida; a exclusão social dos emigrantes vindos de tantos lugares do mundo; A pobreza e a fome que aumenta em cada dia a terrível paisagem; a tendência generalizada para o egoísmo que desemboca em integralismos desumanos, muitas vezes, com pontos de vista muito vincados; a teimosia das máfias que parecem dominar o mundo com redes secretas do comércio ilegal, tanto de drogas e tanto de seres humanos... Não podem ser os caminhos predominantes. 

Pela boca morre o peixe


Uma frase genial, que merece uma lápide.
- Calha bem que na Madeira isto não se aplica. Repare-se, o mesmo partido há 36 anos a governar, o mesmo presidente de governo, vão atirar culpas a quem?... Etc. Mas - tem um mas - surpreende a frase vir de onde vem, de um partido político que passa a vida a atirar culpas para todo lado, ele é o governo da República, a Europa, a maçonaria, a Câmara Municipal do Funchal ultimamente, o Dr. Albuquerque, os Blandy's, o Diário de Notícias, alguns jornalistas, os ressabiados, o Dr. Raimundo Quintal, alguns padres, tudo e todos os que não batem palmas ao regime que fez e faz a «Madeira Nova» e que inventou o «povo superior»... Um delírio que nos diverte.
  
«Os políticos nunca assumem a sua quota de responsabilidade, são sempre os outros, quem os precedeu. Governar assim é fácil, se corre bem fomos nós, se corre mal é preciso ver como as coisas estavam». As afirmações são de Coito Pita que está a fazer a intervenção de abertura no debate sobre revisão constitucional, na ALM. 

- Bom é caso para dizer-se: «mijai, senhor, que a terra está seca». 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

E se as pessoas fossem o mais importante

No programa Face a Face deste Sábado, 13 de Abril de 2013 na Antena 1 Madeira, dois comentadores residentes deste programa revelaram o seguinte quando estavam a comentar a sentença sobre a queda da palmeira no Porto Santo, que provocou duas mortes.
O Dr. Ricardo Vieira, advogado de um dos arguidos, defendeu que o tribunal tinha decidido não porque a palmeira estivesse inclinada e podre nas raízes, aos olhos de toda a gente e que mais tarde ou mais cedo a palmeira cairia, mas estava doente porque apresentava umas manchas nas folhas. Só mesmo por falta de visão e com interesses se pode dizer uma coisa destas, uma árvore não cai por estar inclinada, sinal de que não tem resistência na sua base, mas porque tem manchas nas folhas... Poupem-nos desta lógica, por favor.   
A seguir o Engenheiro David Caldeira apresentou a sua versão, que consistiu em quase lamentar que tenham sido condenados o antigo presidente da Câmara e os vereadores, porque estamos na presença de um precedente grave, a partir de agora, o ónus da responsabilidade dos políticos em qualquer serviço público não pertence à instituição, mas às pessoas que estejam à sua frente.
Estas lógicas são lamentáveis e enquadram-se no pensar triste que tem sido levado a cabo pela instrumentalização democrática ao longo destes anos todos, que violando todos os princípios, nunca levou a que nenhum político até hoje tenha sido responsabilizado pelas asneiras que vai fazendo. Não é chamado a contas pelo desbaratar do bem comum, pela irresponsabilidade perante a segurança dos cidadãos e pela demissão em relação a tanta coisa que vai provocando vítimas que nunca verão a justiça ser aplicada no sofrimento que lhes foi causado pela incúria, pela demissão e pelo encolher de ombros que tanta escola tem feito na nossa tradição democrática em nome da obediência partidária ou por bajulação ao chefe todo-poderoso ou em nome de interesses das negociatas que os políticos sempre realizando quando se apanham nos lugares estratégicos.
Por estas e por outras, onde se vê que os políticos se protegem uns aos outros, livrando-se das responsabilidades negativas, empurrando-as para entidades anónimas, vão desrespeitando os cidadãos e descredibilizando a justiça, para que cheguemos a este patamar onde ninguém é culpado de nada. Os jogos continuam assim, mesmo que estejam em causa vidas humanas, o bem comum e o futuro de várias gerações. Ah, como seria tão bom que começássemos a pensar mais nas pessoas!
Quanto a este assunto da queda da palmeira do Porto Santo, digo o seguinte.
Uma coisa será a queda de uma árvore saudável, hirta e cheia de vigor e outra que venha ao chão com aquela inclinação como a que apresentava a palmeira de Porto Santo, como se pode ver na imagem, a tempo denunciado e testemunhado por meio mundo. Quando tal acontece, alguém deve ser responsabilizado, pois claro! Porém, outra coisa pode ser cair uma árvore saudável, um tecto de uma casa ou de outra coisa qualquer, sem que ninguém se tenha apercebido… 
Bom, exactamente, como em tudo, o bom senso deve ser norma que dita as regras do jogo. Mas, neste mundo as coisas são mais ao sabor do dinheiro e da lógica dos dois pesos e das duas medidas. Até quando? – Até ao momento em que a coragem seja uma realidade e ponha na ordem esta cambada que desbaratou os valores e os princípios que mancharam o melhor sistema político até agora experimentado, a democracia e as suas instituições, em nome do egoísmo e da ganância mesmo que o bem público e a segurança dos cidadãos sejam entregues à mais crua insensibilidade.
Última nota. Gostei da análise e do cuidado que manifestou Luís Filipe Malheiro, quanto à sentença da queda da palmeira. Veio substituir o Professor Virgílio Pereira, que deixou o programa Face a Face por razões pessoais. 

sábado, 13 de abril de 2013

Encantamento

Um curto ensaio de poema para o fim de semana. Que sejam felizes para todos estes dias...
É o que se sente quando desliza uma novidade
Uma paisagem nas alamedas geométricas das árvores
Nas pessoas que se apressam no rodopio da cidade.

É o que se sente no deslumbramento das casas
Ante os edifícios antigos e os novos que se destacam
Quando os admiramos por serem grandes.

É o que se sente na luz e no ruído das ruas
Com carros, comércio e tudo
Desde que o movimento exceda todos os sentidos.

É o gosto pela azáfama dos dias
Mesmo que chamem stress
Mas não chega para derrotar esta alegria.

É a abundância cultural da história
A primordial hora e todos os tempos
Que cada museu, teatro, fórum, cinema, galeria (...) pode dizer.

É mesmo que teimem na floresta de cimento
Os vários oásis que todas as cidades albergam
Jardins com árvores, flores e lagos (...) com todos os tons.

É a variedade colossal da oferta de sabores
Em comida universal de povos múltiplos vindos de longe
Que se oferecem ao prazer da degustação.

É a diversidade de cheiros ora bons ora maus
Com que o ar da cidade se contamina
Mas nessa contingência sacia a curiosidade.

É o fascínio pela cidade que enforma
A alma que aí se encontra na comunhão
Da densidade do tudo. E eu gosto disso.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Que é a Paz?

- O meu contributo para celebrarmos a passagem dos 50 anos da Encíclica do Papa João XXIII...

Papa João XXIII, no dia 11 de abril de 1963
 assina a encíclica Pacem in Terris.
O texto do «bom Papa» João XXIII, Pacem in Terris, A Paz na Terra, que passou a 11 de Abril 50 anos da sua publicação, reveste-se de uma actualidade impressionante. Não fora estarmos sob a ameaça de vários focos de guerra efectiva em vários lugares do mundo. Porém, se pensarmos na doutrina que este texto nos apresenta e se nos concentrarmos em alguns dos temas tratados concluiremos que são essências para compreendermos os nossos tempos. O desrespeito levado a cabo pela humanidade em relação ao «bem comum universal e os direitos da pessoa humana» e «Princípio de subsidiaridade  (…) entre outros assuntos de urgente actualidade conduziu-nos a esta tragédia da crise e da austeridade cega que leva à catástrofe do desemprego, à pobreza e à fome. Face a este acontecimento, vejamos o que é o valor que nós chamamos de paz…
A paz é uma realidade interior e exterior que todos os homens procuram. Alguns autores separam uma paz da outra, mas outros, numa perspectiva mais conciliadora, entendem que uma não é sem a outra. A doutrina da Igreja sobre esta matéria, também entende claramente que a paz exterior é fruto da paz interior. Ou seja, uma não é sem a outra, estão ambas as dimensões da paz ligadas entre si.
Santo Agostinho, no Livro 19 da «Cidade de Deus», deu-nos a primeira definição de Paz, que vai influenciar todas as definições posteriores: «A Paz de todas as coisas é a tranquilidade na ordem». Depois procurou exemplificar com nove casos, que vão desde «a paz da alma racional» à «paz dos cidadãos», passando pela «paz doméstica». Em tudo, há que fixar e lidar com dois elementos cruciais: a harmonia e a ordem. A primeira, é a tranquilidade desejada nesse estado de alma que todas as criaturas anseiam. E a ordem, como diz Santo Agostinho, é «a disposição que segundo as semelhanças e diferenças das coisas confere a cada uma o seu lugar».
Assim sendo, definiremos, hoje, a paz interior como a tranquilidade do espírito individual, proveniente da ordenação das coisas do mundo e da vida. Sem deixar de mencionar que os aspectos da consciência em comunhão de amizade com Deus, com os homens e com o Universo, são elementos essenciais para esse pleno encontro com a harmonia interior da pessoa. A paz exterior (social) será a boa e tranquila convivência com todas as coisa para tal ordenadas.
Porém, o entendimento sobre a paz nem sempre foi pensado desta forma. Se nos remetemos à antiguidade descobrimos em filósofos como Heraclito, «que a guerra é a mãe de todas as coisas», dá logo a ideia, entendida e defendida por muitos que a novidade só é possível com os conflitos e que a história humana não se faz sem as guerras, mesmo que a morte e a destruição sejam o preço que muitos tenham que pagar.
No entanto, não foram menos incisivas as teorias de Maquiavel (séc. XV) com a sua «arte da guerra» e por Nietzsche (séc. XIX) as «guerras» que justificam o Super-homem, até a mais sofisticada, mas não menos violenta «luta de classes» de Marx e de Mao Tse Tung (séc. XX), sem nunca deixarem de ser perseguição de estratégias para unir os opostos.
Como se percebe nem sempre a paz foi entendida do mesmo modo. A cultura Ocidental, também tem conceitos distintos para entender a paz e que muitas vezes dependem dos diversos entendimentos sobre a guerra e sobre os conflitos. Se na cultura ocidental, surgiram diversos modos de conceber a ideia sobre a paz deveu-se ao judaísmo, aos gregos, aos romanos e ao cristianismo.
Os diversos termos da paz são os seguintes: 1º «Shalom», no meio de guerras e conflitos o povo de Israel desejou esta paz como benção. Shalom, significa plenitude, que é o conjunto de todos os bens. Mas nesta forma ideal de pensamento sobre o valor da paz inventou-se a «Guerra Santa».
O termo grego para a paz é «Irene», o ideal do irenismo, seria alcançar o bem-estar entre homens e cidades. Também diante deste patamar ideal sobre a paz, criou-se um contra-ponto, o da «Guerra Justa». Os gregos entendiam-se autorizados a combater os outros povos destinados à escravatura. Havia ainda um outro ideal para os gregos «Ataraxia», que significava não sofrer com nada, quase nada sentir, exactamente, o mesmo ideal do Nirvana oriental.
O termo latino é o seguinte: «Pax». Este termo tem a mesmo raiz de «pactum». Estabelece-se um pacto, uma trégua, uma ordem que impõe «a pax romana». Esta paz durava pouco, pretendia estabelecer a paz para o imperador, mas estava de mão dada com os exércitos que dominavam e subjugavam a Roma as outras nações.
A doutrina cristã também criou um significado para a paz, que radica na palavra de Jesus Cristo: «a minha paz...não a dou como o mundo a dá...». A definição do termo paz, para o cristianismo está contida na pessoa de Jesus: «a Paz de Cristo». Estamos perante uma realidade nova, fruto da justiça e dom do Espírito Santo, que inclui todas as outras definições de paz, mas acrescenta-lhes uma característica essencial: é uma relação de amor. Também tem ajudado a justificar guerras e opressões sempre que se esqueceu que era dom gratuito de Alguém e se convertia em prepotência e autoritarismo religioso chamado «clericalismo» e intolerância religiosa.
A paz, é um dom que Deus concede a todos os corações humanos que se predispõem ao seu acolhimento. E por ser essa realidade, dom de Alguém, é sempre precária, isto é, está sujeita aos condicionalismos e interesses mundanos. Assim, não devemos esquecer, a paz é trabalho nosso e dom de Deus. É sempre tarefa e encontro. Por isso, devemos entender a paz como Missão e Graça. Ou ainda, como acolhimento e desejo de encontro com Alguém que deseja sempre e em todas as circunstâncias a salvação.
Onde estão os pacíficos, os que promovem a paz. Segundo Jesus, pacífico é aquele que é «fazedor de paz». E as Bem-Aventuranças anunciam que bem-aventurados são os que constroem a paz, «porque serão chamados Filhos de Deus». Deste modo, promover a paz é ser «Filho de Deus», isto é, «ser amado», ser fruto da relação. E no amor está a Bem-aventurança, a Plenitude, o Shalom.