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terça-feira, 28 de novembro de 2017

Deus e eu

«Deus e eu», esta quarta feira com a Sílvia Vasconcelos, deputada na Assembleia Legislativa Regional pela CDU. Muito obrigado Sílvia.
Mesmo tendo tido uma educação católica tradicional, em que Deus se centrava na determinação de todas as formas de vida, e quase numa predestinação condicional à nossa vivência, hoje concebo-O de forma distinta e no entanto tão paralela ao Deus cristão. Foi desta entidade invisível e criada pelos homens (adianto-me em desculpas aos crentes no “Deus divino”, mas creiam, eu também sou crente, mesmo que aos vossos olhos dissemelhante) que brotou todo o legado ético e humanitário onde ainda hoje encontro amparo.
Já não idealizo um Deus “Omnipresente e Omnipotente; o mais poderoso criador e venerado por todas as coisas”, mas é certo que ainda idealizo uma essência capaz de promover a igualdade entre os homens e de alavancar a justiça social. Ainda presumo o significado de se ser livre, num mundo onde ninguém é subjugado ou explorado. Onde os direitos humanos são sagrados. Onde nenhuma forma de violência tem expressão. Onde a infância é protegida. Onde a condição de género não é discriminatória. Onde a sexualidade assenta na vontade, consentimento e definição privada de cada um. Onde não há marginalização social pela cor de pele ou hábitos culturais. Onde a liberdade de se expressar é ponto assente. Onde o acesso à educação é universal. Onde a saúde não distingue classes. Onde a pobreza não é uma fatalidade incontornável. Onde a habitação é um direito. Onde a natureza e todas as formas de vida são estimadas. Onde a arte e a cultura são de fruição abrangente e global. Onde a ciência e a tecnologia estão ao serviço do Homem. Onde cada um escolhe a sua própria forma de ser feliz. E onde a própria espiritualidade se pode manifestar espontaneamente de tantas formas, remexendo na natureza, na poesia, na arte, na filosofia como alcance da sublimidade.
O “meu Deus” não é assim tão distinto do Deus religioso (em analogia a religiões cristãs, que são as que conheço melhor), e a minha “fé”, não sendo religiosa, traduz-se por uma amplitude que tento preservar: a capacidade de Acreditar. E eu acredito, ainda, na Humanidade, esta entidade complexa e ainda assim grandiosa, embora não divina. É imperfeita, sim, mas é também admirável pelas suas inúmeras criações ao serviço do Homem e pela capacidade de evolução na concepção de direitos humanos, mesmo que morosa, mesmo que marcada por retrocessos e barbaridades.
O meu Deus é assim, este entendimento colectivo do Homem, em que os valores e direitos de cada um e de todos se sobrepõem a qualquer ordem ou doutrina. E é esta esperança na Humanidade. E esta arrebatadora herança cristã. 

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