Escrever nas estrelas
1. A Jornada Diocesana dos Leigos, que decorreu neste último sábado dia 25
de novembro de 2017, no Colégio de Santa Teresinha, contou com a presença do Padre
Nuno Tovar Lemos, sj, que apresentou uma palestra subordinada ao seguinte tema:
«o jovem rico do Evangelho e os nossos Jovens».
2. Após a leitura do episódio bíblico do Jovem rico (Mt 19, 16-23), deixou também
esta passagem do filósofo Sócrates que nos 470-399 A.C., já se lamentava da seguinte
forma:
OS JOVENS DE HOJE segundo Sócrates
Os jovens de hoje gostam do
luxo.
São mal comportados,
desprezam a autoridade.
Não têm respeito pelos mais velhos
e passam o tempo a falar em vez de trabalhar.
Não se levantam quando um adulto chega.
Contradizem os pais,
apresentam-se em sociedade com enfeitos estranhos.
Apressam-se a ir para a mesa e comem os acepipes,
cruzam as pernas
e tiranizam os seus mestres.
São mal comportados,
desprezam a autoridade.
Não têm respeito pelos mais velhos
e passam o tempo a falar em vez de trabalhar.
Não se levantam quando um adulto chega.
Contradizem os pais,
apresentam-se em sociedade com enfeitos estranhos.
Apressam-se a ir para a mesa e comem os acepipes,
cruzam as pernas
e tiranizam os seus mestres.
SÓCRATES (470-399 A.C.)
3. Para que a pastoral para os jovens não se reduza a uma pastoral de
jovens, mas feita com os velhos, começou por fazer uma leitura da realidade dos
nos dias. O Jovem de hoje:, tem telemóvel de última geração, iphones, nenhum está
fora de uma rede social, especialmente, no facebook.
Diálogo de Jesus um jovem de hoje, com linguagem dos nossos tempos, poderia
ser destro deste género:
- Ó Jesus, ouvi dizer que és bué da
fixe, olha, o que devo fazer para andar contigo, meu?- Ah… Também ouvi dizer
que falas na «vida eterna», como faço, meu, para ter essa cena!
Jesus retorquiu: - Já conheces os mandamentos?
O jovem, intrigado diz: - manda, quê? Em mim ninguém manda!
4. Mais ou menos assim poderíamos presenciar um diálogo entre Jesus e um
jovem de hoje, porque cada época tem as suas características, devemos viver
nesta época e não noutra.
É sempre difícil compreender os jovens de cada época, mas sempre foi
comprovado que é possível compreender os jovens, porque eles são importantes e
interessantes.
5. Hoje o mundo vive numa incerteza... Trabalho incerto... Vida incerta...
Experiências multifacetadas... Opções reversíveis contra as definitivas do
passado... Nada é seguro… Tudo é volátil… Tudo munda a uma velocidade
desenfreada… Mundo plural... Valores diferentes... Homossexualidade... Mundo
digital... O fim dos livros... Param no facebook quase todo o tempo... Estes alguns
dados entre tantos outros que é preciso considerar quando se fala dos e com os
jovens.
Como desafios à Igreja apresentou as seguintes
características dos jovens, que é preciso ter em conta na pastoral juvenil.

Os jovens são profundamente pragmáticos. "O que é que eu ganho com
isso?" - Pergunta que está na cabeça de qualquer jovem quando se lhe
propõe algo. Somos especialistas da autoridade, mas eles não. A autoridade hoje
é o seu pensar e o seu querer.
Perguntas a considerar:
A) O que leva para casa uma pessoa quando vem à igreja? O que encontram na
Igreja? - A territorialidade hoje não existe, teima nesta é ideia é tempo
perdido e não dará frutos...
B) O que temos para dar aos jovens, acabou o tempo "não podes é
pecado", "se fizeres vais para o inferno".... Não adianta nada.
É preciso mostrar o que é que se «ganha com isso». Tudo o que temos é para a salvação.
Dar razões da nossa fé e da nossa esperança, dos nossos valores. Com o
testemunho concreto mostrar como se vive e como se ganha muito mais com estes
valores e muito menos sem eles.
2. Os jovens hoje não vão falar com Deus ao templo, não recorrem à instituição.
Hoje os jovens têm uma grande desconfiança nas instituições (política, igrejas,
etc...). Procuram cursos de meditação, livros de auto ajuda, algum líder
carismático, buscam a espiritualidade mas fora das instituições. Têm grande alergia
à igreja, às instituições... A Igreja precisa de sobre valorizar o seu lado
comunitário, ao contrário das regras, dogmas, ritos, postos de poder. Por nada
disso diz absolutamente nada aos jovens de hoje. A Igreja precisa de se
reinventar.

4. Os jovens desejam novidade. Em geral estão fartos. Querem novidade. Boa
notícia para nós, porque o Evangelho é novidade, não suscita coisas novas. Os
jovens vêm na Igreja uma incapacidade para a novidade e para a mudança. O «sempre
se fez assim», não funciona mais com os jovens. Hoje precisamos de nos alegrarmos
com o que é novo. Fidelidade à tradição, mas com criatividade... Grande sentido
do essencial, tudo não é essencial, esta mania não deve existir. É preciso ser
fiel, mas com imaginação, criatividade... E com uma abertura ao que é puramente
essencial.
5. Para os jovens é muito importante a sinceridade. Significa
autenticidade, naturalidade (segundo a linguagem dos jovens). Fazer as coisas
como somos, ser autênticos. Sinceridade e autenticidade sincera sempre quando
se lida com os jovens.

a) Comunidade
b) Mística
c) Compaixão
7. Caso não se considere
com coragem as mudanças que os tempos requerem, nuca passaremos de um pastoral
para jovens, feita com velhos. Ora isso é o drama que temos vivido há muito
tempo. Esperemos que estas iniciativas sejam um toque de alerta e nos façam
despertar para a novidade com toda a alegria e contra todo todas as formas de
derrotismo que têm marcado toda a pastoral da Igreja em todas as suas vertentes.
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