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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Um ponto importante é um ponto a ter em conta

Escrever nas estrelas
1. Julgar é fácil. Ajudar a reconstruir, é mais difícil. Mas é este o desafio mais bonito e premente que deve assistir as pessoas de bem, particularmente, se são cristãos. Porque seguem o Mestre Jesus Cristo, que perante as situações de condenação fatal, levanta do chão, perdoa e envia em paz. 

2. Quanto à questão, «Padre Giselo do Monte assume a paternidade de uma menina», está tudo mais que dito, mas o que importa mesmo é que saberá o Padre Giselo o que fazer com responsabilidade, não lhe faltarão mãos amigas e corações generosos para o ajudarem no que for necessário. Foi pena logo no início não se ter tido clarividência para matar à cabeça o assunto, com transparência e coragem, esvaziando-se dessa forma o efeito surpresa que as notícias em catadupa provocaram.

3. Porém, é preciso relevar um dado que tem sido esquecido pela miséria ou até devia dizer «porcaria», que se tem dito e redito por todo lado. Lembro as crianças que estão no meio desta história, que estão a ser e irão ser as principais vítimas. O restante do elenco, trata-se de adultos.

4. Toda a gente enche a boca, especialmente, os agentes da comunicação social, que não se deve entrar pela vida privada de ninguém, tenho visto nos últimos dias a vida privada de várias pessoas despejada no olho da rua à vista de toda a gente. Todos pensam, todos sabem, todos têm opinião… Não sobre a beleza da vida, a dignidade das pessoas, mas sobre o moralismo farisaico que deve sobrecarregar a vida das pessoas, «Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com seu dedo querem movê-los» (Mt 23, 4). Muitos pensam que esta frase se destina só aos padres, mas por sinal foi dirigida aos fariseus, que existem em todo o lado e em todos os tempos em todos os quadrantes sociais.

5. No primeiro ponto disse que era a última vez que falava neste assunto e juro que farei todo o esforço para que assim seja. Porque, logo que o assunto caiu no pelourinho da comunicação social e depois de subir ao cadafalso das redes sociais, onde se tem despejado toda a porcaria que vai na alma das pessoas, tenho pensado principalmente, na bebé, na jovem mãe, no padre-pai e nas outras duas crianças. Outras pessoas deviam ser trazidas à liça, porque o caso implica muita gente. Mas deixo isso para outros pensarem e dizerem o que entenderem sobre cada uma das situações. E dentro do elenco que nomeei, centro-me ainda mais, penso com tristeza imensa nas três crianças, na sua situação hoje e no seu futuro.

6. Como se sentirão no futuro, quando crescerem e venham a ver tudo o que foi escrito nestes dias sobre as pessoas que as procriaram, as protegem, vestem e dão de comer nesta fase do seu crescimento? Como irão lidar com aquilo que foi dito do seu pai, da sua mãe e de todas as pessoas que fizeram parte do seu passado? Como serão tratadas na escola, na catequese e quando brincarem com as outras crianças, dado que todos sabemos que as crianças são cruéis entre si? Como se sentirão, se lhes apontarem o dedo, porque têm uma irmã ou meia irmã, que o pai é um padre? Como serão olhadas pelos adultos, quando vivemos numa terra que olha atravessado para tudo o que é diferente? Como serão encaradas no contexto social onde habitam? Como se integrarão na escola, na catequese, nas brincadeiras e nos lugares onde andam as crianças hoje (grupos desportivos, clubes e outros)?

7. Nestes tempos em que nos inquietamos com o problema do bullying nas escolas, com o sofrimento horrível que isso acarreta para as crianças e que as marca indelevelmente para o futuro, acho que devíamos estar a opinar com mais seriedade e com mais qualidade sobre um assunto tão delicado, porque estão crianças envolvidas. Os acusadores da «porcaria» de hoje, facilmente se converterão em carpideiras face ao sofrimento que seguramente irão passar estas crianças amanhã.

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