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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Que mais nos irá acontecer?


Nota do Banquete: Publico exactamente como recebi... Pelo que se pode ler, estamos bem arranjados. Os irresponsáveis que nos desgovernam, podem achar que somos profetas da desgraça e que prejudicamos o turismo com estas notícias. Mas que nos valerá o turismo se a população madeirense morrer à fome e de doença provocada por um bicharoco que encontrou caminho livre entre nós para propagar-se? Fiquei chocado com este texto... Exigimos ser esclarecidos convenientemente para que as atitudes de defesa contra mais esta calamidade seja sem tréguas. Exigimos responsabilidade a quem em primeiro lugar tem o dever de defender o povo. Oxalá ainda estejamos a tempo...  

Caro Padre José Luís,
Junto email recebido do grupo de discussão AMBIO, da Universidade de Évora, para que possa avaliar dimensão que o surto de dengue está a assumir.
Saudações ecológicas,

Raimundo Quintal

 Dengue: um desastre sanitário, económico e ambiental em curso na Ilha da Madeira

Em Setembro estive na Madeira num extraordinário encontro de especialistas em flora macaronésica. Para surpresa de todos, enquanto debicávamos uns bolos secos pela tardinha, quando o cérebro está feito em água de tanta informação, fomos recebidos por enxames agressivos de mosquitos. Alguns dos encontristas puseram-se como cristos, tantas foram as picadas (e as reações às picadas) que necessitaram de tratamento médico. A estranheza geral foi satisfeita quando alguém explicou que se tratava do recém chegado Aedes aegypti, o transmissor do dengue e da febre-amarela (e de outras doenças bem explicadas pela net). Na década de 1850 a febre-amarela, pela mão do A. aegypti, visitou Portugal continental e cobrou a vida de milhares. Entretanto, não sei o porquê, para nossa sorte, extinguiu-se.
No ano passado creio que vi o Aedes albopictus (mosquito-tigre) numa estância turística a sul de Lisboa, um transmissor das mesmas doenças do A. aegypti. Não sou entomologista, posso estar enganado, mas dá para desconfiar porque, além de já ter sido detetado na vizinha Espanha, voava e picava de dia, e tinha no dorso umas curiosas manchas brancas, muito características.
Conclusão.
Está em marcha um desastre de dimensão incalculável, de unidades de PIB. Não vale a pena escamotear a catástrofe (como tantas vez faz o governo da Madeira): quando surgirem os primeiros casos de dengue hemorrágico – uma consequência direta das reinfeções de dengue – o caso rebentará sem dó nos órgãos de comunicação. Quanto antes é preciso proceder à desinfestação diária de escolas e repartições públicas: de todos os locais de trabalho. Os barcos que atracam no porto do Funchal têm que ser fumigados. Todas as águas estagnadas têm que ser eliminadas. Os críticos da luta química terão que meter a viola no saco. Viver a maior altitude na Madeira, ou costa Norte, serão a melhor solução para escapar ao A. aegypti. Entretanto, preparemo-nos, a Madeira vai mergulhar numa crise económica de horror, porque agora nem o turismo se salva, nem a banana sairá do porto do Funchal. E a principal fonte de renda da Madeira – o orçamento do Estado Português – secou. Encastelem-se ou migrem as elites porque não se salvarão da chusma (destaque do Banquete).
A culpa desta enorme tragédia alguém a terá, porque existe um instrumento fitossanitário e saúde pública chamado quarentena que, duvido, tenha sido aplicado na ilha. O afã de importar plantas exóticas, muitas delas que acumulam água nas bainhas das folhas (e.g. bromélias), facilmente pode ter causado a introdução do mosquito. Depois bastou um turista trazer no corpo o dengue do Brasil. Neste momento é impossível quebrar a cadeia. O A. albopictus está pacientemente à espera da sua vez no mediterrânico, e dentro em breve por toda a Europa temperada
Não percebo nada de saúde pública. Por isso alguém que saiba a sério destas coisas e frequente a AMBIO, bem nos podia clarificar a dimensão da ameaça à nossa qualidade de vida que são os mosquitos do género Aedes e o dengue, num mundo a aquecer.
Nem imagino o que possa acontecer quando chegar o Anopheles.
Carlos Aguiar.

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