Porque vem aí o dia 2 de Novembro, dia de Todos os Fiéis Defuntos... Serve, então, para pensarmos um pouco sobre a nossa finitude. Mas não muito... É sempre melhor e mais saudável pensar na vida.

Deste modo, a morte é o horizonte mais certo que a vida contém no que diz respeito à libertação da miséria toda desta vida. Por isso, ninguém devia fazer da vida deste mundo uma preparação para a morte, porque a morte deve ser encarada como mais um momento da existência entre os infindos momentos que a vida deste mundo contém.
A morada eterna não está no cemitério, porque este lugar é o depósito dos "restos mortais" (não é assim que dizemos em relação aos defuntos?), por isso, o verdadeiro culto em relação à multidão dos santos de Deus não se deve fazer aí nos depósitos dos "restos mortais", mas antes e provavelmente na memória que cada pessoa guarda no seu interior, o verdadeiro lugar de Deus.
Num belo livro de poesia de Pedro Tamen podemos ler: «Ela não existe – nós existimos nela. / E faço este discurso envergonhado / (mas algo hei-de dizer enquanto sinto / que não é o meu fim que ali se encontra / mas o princípio) como quem senta / o rabo na borda da cadeira e escorregando / se afunda lentamente pelo chão: a viagem / é essa, esse é o rio – ou ela». Mas também José Gomes Ferreira soube definir muito bem a fórmula que nos permite olhar a morte com o seu verdadeiro sentido: «os pássaros quando morrem caem no céu». Como aprenderam facilmente os santos a pensar assim sobre a morte.
E nós, que podemos também ser santos já aqui e agora, como pensamos a nosso fim um dia neste mundo?
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