Para ler saboreando... Deus compensa sempre as falhas da natureza e as contrariedades que a vida deste mundo oferecem.
Nada tem mais impacto e mensagem do que
um facto real e vivo. A vida oferece-nos momentos de angústia, de dúvida, de
dor e de desespero. Algumas vezes sentimo-nos sós, desanimados, pensando ter
perdido “o endereço da esperança”.

A sua infância e adolescência cresceram
num ambiente de carência afectiva. Sua mãe morreu muito jovem e seu pai morreu
de alcoolismo.
Beethoven começou muito cedo a sentir
uma surdez progressiva, que o deixava abatido e irritado. Usava umas cornetas
acústicas aplicadas nos ouvidos para conseguir ouvir. Trazia consigo um caderno
de anotações em que as pessoas escreviam o que desejavam comunicar-lhe.
Mas, notando que as pessoas não o acolhiam
nem o ajudavam, o compositor passou a isolar-se completamente. Caiu em profunda
depressão, quer pela doença que avançava, quer pela morte de um príncipe seu
benfeitor, que lhe pagara os estudos. Chegou mesmo a redigir um testamento,
dizendo que iria suicidar-se.
A ajuda que mais o encorajou veio-lhe de
uma moça cega que morava na mesma pensão modesta para onde Beethoven se
transferira. Mas ela o comovia quando lhe gritava repetidamente: “eu daria tudo
para ver uma noite de luar”. Beethoven emocionava-se e reflectia : “afinal eu
posso ver. Posso escrever as minhas pautas musicais “. A vontade de viver
renasceu e, para dar alegria àquela moça amiga, criou uma das suas mais belas
composições: “Sonata ao luar!” Já completamente surdo compôs o “Hino à
alegria”, exprimindo a sua gratidão a Deus por não ter caído na tentação do
suicídio e pela graça de encontrar aquela jovem invisual. Quantas vezes a
infelicidade de outros poderá ser alavanca da nossa alegria, da nossa
realização, da nossa felicidade! Mário Salgueirinho
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