
Todo o esforço do Papa Francisco para credibilizar
a Igreja e para fazer passar a ideia de que a Igreja Católica retoma o seu
verdadeiro espírito do Evangelho, sofrem um duro rombo com este ambiente de escândalo
e pecado. Para quem tem os pés bem assentes na terra, nada disto é surpresa nem
muito menos se deixará abalar se considerar que onde há humanidade há pecado,
onde há dinheiro há corrupção e onde falta fé Deus não entra para dar lugar ao
mundanismo absoluto. Porém, esperemos que as forças de Francisco e a certeza de
que pode ser possível uma Igreja outra, onde reine a seriedade e os valores do
Evangelho, não esmoreçam com as misérias agora postas a nu. A história da Igreja Católica está cheia de miséria, mas também cheia de virtude, que apesar de tudo sempre foi capaz de superar a tragédia que parecia vir a acontecer.

Num outro livro, «Via Sacra», de
Gianluigi Nuzzi (que em 2012 divulgou os documentos roubados pelo mordomo de
Bento XVI), são revelados relatórios secretos e gravações não autorizadas do
próprio Papa durante uma reunião em que Francisco lamenta o aumento de
funcionários na estrutura vaticana e mostra-se irritado pela derrapagem nas
contas.
Lembro que na segunda-feira passada, o
Vaticano anunciou a detenção de monsenhor Lucio Angel Vallejo Balda e de
Francesca Chaouqui, respetivamente secretário e membro da Comissão relativa ao
estudo e orientação sobre a organização das estruturas
económico-administrativas da Santa Sé (COSEA), instituída pelo Papa em julho de
2013 e posteriormente dissolvida, após cumprir o seu mandato.
Sabendo da publicação dos dois livros o porta-voz
de Santa Sé, padre Federico Lombardi, afirmou em comunicado à Comunicação Social
o seguinte sobre as novidades bibliográficas: «Seria necessário ter a seriedade
de aprofundar as situações e os problemas específicos, para reconhecer o muito
que é completamente justificado, normal e bem administrado, incluindo o
pagamento dos devidos impostos», refere o padre Federico Lombardi.

Também considero que fazem falta livros e
trabalhos aturados sobre o imenso trabalho que a Igreja faz em favor dos pobres
em todo o mundo. A seriedade que a assiste em tantos dos seus membros que honestamente
canalizam para os fins a que estão destinados os donativos que lhe são
confiados. Há uma enorme preocupação nos milhares ou milhões de católicos preocupados em serem cidadãos de pleno direito, pagando os seus devidos
impostos a tempo e a cumprirem todas as leis dos países onde vivem.
A miséria
está espalhada por todo o lado. Mas à máquina administrativa da mais alta instância
da Igreja Católica, exige-se seriedade e honestidade, para que daí venha o
exemplo para toda a Igreja e para todas as estruturas do mundo inteiro onde há necessidade
de serem administrados os bens monetários ou outros.
Que Deus nos ajude e que
o Espírito Santo nos guie.
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