Reflexão para quem dedica um bocadinho do fim de semana para participar na missa dominical. Este será o domingo XXXIV. Domingo de Cristo Rei...
Jesus, por fim, assume que é Rei, como
diz Pilatos. Não um rei dos jogos do poder, da corrupção e do domínio sobre os
demais. É o Rei da verdade, da beleza e da bondade só isso diz tudo. Quem segue
estes valores, pertence ao Seu reinado.
De que se trata esta realeza? - Trata-se
de uma realeza ao contrário. É um reinado do avesso. Nada tem a ver com a
realeza dos reis deste mundo. Não se trata de um Jesus Rei, rodeado de gente
importante, exércitos ávidos de combate e de poder. O Reino de Jesus é antes
dos famintos, dos que têm sede e fome de justiça, dos peregrinos, dos sem
roupa, dos desempregados que são tantos entre nós e que é a pior das tragédias
que se abateu sobre as nossas famílias, dos doentes e dos prisioneiros, das
vítimas do terrorismo e de todos os que neste mundo mergulharam no oceano
imenso do medo...
Jesus é rei da possibilidade da justiça
e do amor que deve ser dado gratuitamente a quem a vida devotou à desgraça, ao
sofrimento. Porque são estes de quem ninguém quer saber. Os habitantes da
margem são as multidões abandonados pelos poderes deste mundo que se plantam em
poltronas douradas para dominar, servir-se e servir os seus familiares e
amigos.

A aparente derrota de Jesus é a lógica
do poder posta do avesso. Jesus é um Rei que não se coaduna com as injustiças
sociais, pessoais e institucionais. A sua morte na Cruz é o resultado da sua
acção contra tudo o que não promove a dignidade da vida e do amor. É o preço a
pagar pela sua radical preferência pelos desafortunados deste mundo. Na escola
de Jesus, só se ensina uma única matéria: o Reino! Este Reino que se aprende da
vida e do exemplo do Mestre. O exemplo de Jesus e a Sua vida radicam na
partilha que resulta na fraternidade, na amizade e no amor ao próximo. É este
Reino que sonhamos para o mundo, o nosso mundo. Urge acabar com a lógica do
domínio do forte sobre o mais fraco, é preciso acabar com a ganância geradora
de pobreza. Urge semear a vida para todos. Urge considerar cada um como um ser
único e digno de ser amado, como fazia Jesus.
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