Calvão da Silva ainda quentinho como
ministro a prazo, arregaçou as mangas e vai por aí abaixo enfiado nas galochas
até Albufeira, Quarteira e Boliqueime pisar a lama para dizer ao país o
seguinte sobre a abundância de chuva que os céus derramaram sobre estas terras
do Sul do país: é a «fúria demoníaca da Natureza»; é que «Deus nem sempre é
amigo».
Ministro Calvão da Silva, ficamos
esclarecidos quanto ao catolicismo que o assiste. Mais ainda ficamos seguros que
veio «do fundo do tacho», como denunciou Constança Cunha e Sá na TVI24, aliás,
com a melhor classificação que ouvi nos últimos tempos. Passos Coelho rapou-o
no fundo do tacho, para ter um tacho, que lhe dá importância e manifestar o
quanto revela o que ele cresceu a partir da pobreza, «é alguém», é um exemplo a
seguir, porque foi pobre e agora é rico, explicou meio gago a um comerciante
aflito que não tinha seguro que cobrisse a tragédia do seu negócio.
Porque será que todos os governos nos
últimos tempos têm que ter alguém que é uma anedota? – Deve ser para suavizar a
crise e a austeridade… Porque é sempre melhor ser apertado a rir do que a
chorar.
Vamos ao que interessa. Para ficar bem
na foto da sua solidariedade com os desgraçados, enterrou-se na lama e
descobriu o bode expiatório das cheias, o verdadeiro culpado. Há nisto «A fúria
da natureza que não foi nossa amiga. Deus nem sempre é amigo, também acha que
de vez em quando nos dá uns períodos de provação». Ridículo e anedótico. Como é
fácil invocar o além para atribuir as culpas da ganância do aquém.
Calvão da Silva com esta manifestação
exacerbada de fé podia antes de ser tão ridículo, recorrido à reflexão do Papa
Francisco que afirma o seguinte na Encíclica «Laudato Si» (Louvado Sejas): «Esta
irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do
abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus
proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no
coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que
notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos» (nº 2). Bingo.
Não critico nada que Calvão da Silva
tenha assumido ser crente em Deus, que seja um fervoroso católico e que traga
para a sua vida política as suas convicções de fé. Devia ser um princípio
elementar, ninguém ter que esconder as suas convicções de fé. Às vezes encontramos
umas hesitações ridículas e até uma certa vergonha anedótica daquilo que se é
em termos de crença e de defesa de valores religiosos.
Porém, ninguém deve ser ridículo. A fé
defende-se com inteligência. Deve-se ser cauteloso nas afirmações que se faz, para
ser ridículo e anedótico, como foi este ministro.

Este foi mais um exemplo entre tantos
outros que se vai contando por todo o lado, onde a fúria da natureza se volta
contra a humanidade, porque a inteligência deu lugar à ganância e à loucura que
se pode tudo mesmo até roubar os espaços que pertencem às forças da natureza.
Há regras que são invioláveis e as que pertence à natureza deviam ser
absolutamente sagradas.
Sem comentários:
Enviar um comentário