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terça-feira, 22 de novembro de 2016

A inclusão dos condenados pelo aborto

O Ano da Misericórdia fechou as portas das igrejas jubilares com algum estrondo, falta agora abrir as portas do coração para os muitos desafios que o mundo e a vida dos tempos de hoje oferecem à Igreja toda.
O epicentro deste estrondo chama-se Papa Francisco, que provoca um abalo sísmico com alguma magnitude ao decretar na cara apostólica Misericordia et Misera o fim dos condenados perpetuamente por causa da prática do aborto. Ele diz que gostaria de «reafirmar o mais firmemente possível que o aborto é um pecado grave, uma vez que põe fim a uma vida inocente», mas «não há pecado nenhum que a misericórdia de Deus não possa alcançar e limpar quando encontra um coração arrependido, que procura ser reconciliado com (Deus)».
O papa Já tinha concedido a faculdade da absolvição do pecado de aborto temporariamente a todos os sacerdotes para todo o Ano Santo da Misericórdia, que decorreu de 8 de dezembro de 2015 até o último domingo. Porém, precisamente, com a celebração do encerramento deste ano santo, veio a determinação seguinte: «Para que nenhum obstáculo se interponha entre o pedido de reconciliação e o perdão de Deus, concedo a todos os padres, a partir de agora, a faculdade de absolver o pecado do aborto». A doutrina católica considera o aborto, um pecado tão grave que todos aqueles que incorrem nessa praticam, ficam automaticamente excomungados, não podendo comungar na celebração da missa nem receber ou participar nos sacramentos.
Já completei 20 anos de vida sacerdotal e em todas as ocasiões em que me vi confrontado com a confissão deste pecado, nunca deixe de expressar a absolvição, as devidas palavras de libertação e conforto. Também é importante salientar que em nenhuma vez alguém manifestou regozijo pelo que fez, ao contrário, encontrei sempre pessoas destroçadas e vergadas ao peso de um fardo terrível que lhes comprime o coração e a alma.
Neste sentido, a declaração papal ganha novidade só por estar escrita e assumida pela autoridade máxima da Igreja, porque estou em crer que a maioria dos sacerdotes em todo o mundo já há muitos anos que absolvem as pessoas deste pecado, desde que arrependidas o confessavam. Por isso, a profusão das notícias manifesta algum engano, porque apresentam esta declaração como totalmente nova e como se a maioria não vivesse já há a prática desta compaixão.
No entanto, sempre ouvimos dizer de casos de pessoas que foram algumas vezes insultadas e escorraçadas como criminosos condenados perpetuamente de alguns confessionários da Igreja Católica. Felizmente, agora não haverá mais nenhum bordão, onde alguns se seguravam para oprimir e massacrar. O Papa com uma simples frase autorizou uma prática que encontra agora legitimidade pública e que deve ser cada vez mais acentuada. Os frutos do ano da Misericórdia aí estão e todos nós devemos seguir nos passos dos trilhos que o Papa Francisco vai desbravando.

1 comentário:

Machim disse...

Caro Padre José Luis, já vou encontrando o DEUS em que acredito. Bondoso, todo amor e perdão. Pois o DEUS da condenação eterna era para mim muito esquisito. Para si um grande abraço e os meus parabéns pelo seu artigo. Ao Papa Francisco tb desejo imensa saúde e coragem.