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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A ressurreição dá sentido da vida

Reflexão para o domingo XXXII Tempo Comum. Pode servir a quem vai à missa habitualmente no fim de semana, mas não só...
Nos textos da missa deste domingo descobrimos outra vez que o nosso Deus é um Deus de vivos e não de mortos. Esta fé que dá forma e conteúdo a cada um de nós e a toda a comunidade reunida, é o centro da vida cristã. Somos chamados a proclamar que Deus é o Senhor da vida, que em Jesus fez com que a morte fosse vencida e apontou o caminho para a certeza da ressurreição, não apenas para Cristo, mas também para todos os que acreditarem Nele.
Este é o Deus dos vivos, porque detesta tudo o que seja causa de morte. Por isso, chama-nos à vida ressuscitada constantemente. Apenas requer de cada um a fé segura nessa certeza revelada pela sua palavra. Digamos assim como dizia um escritor famoso (Dostoievski): «Comecei a amá-lo e me alegrei com o seu amor. Será possível que Ele me apague e a minha alegria se transforme em nada? Se Deus existe, também eu sou imortal». Ora bem, esta fé em Deus, como dimensão de vida para todos os momentos, dá-nos o sentido da nossa existência. E com isso divinizamo-nos, somos a glória viva de Deus. É sempre necessário acender a luz da fé nessa possibilidade de plenitude.
Porquê ressurreição e não reencarnação como tantas vezes falam muitas pessoas, desabafando que estão tentadas a acreditar na reencarnação e menos na ressurreição? – Vou centrar esta curta reflexão na ressurreição e depois cada um que faça a sua síntese.
Há quem pense que falar e apelar para ressurreição faz parte do «ópio do povo», que se destina a adormecer as pessoas para que não lutem por um mundo onde fale mais alto a justiça, pode ser uma evasão aos problemas e dificuldades da vida, e pode ser ainda mais uma ilusão que engana meio mundo projetando as pessoas para um futuro ideal tornando-as inconscientes face ao presente…
A ressurreição não é, portanto, o reviver do corpo morto, mas antes é uma esperança que dá sentido à vida segundo o ensinamento cristão. Cristo ressuscitou e quem se identificou cristãmente falando, ressuscitará com Ele para a vida nova e definitiva, na imensidão do mistério que o após fronteira da morte esconde.
Sem sabermos ao certo como será esse futuro, a esperança na ressurreição, permite viver o presente tranquilamente, confiante, alegre e feliz, mesmo que não possa livrar-se do sofrimento e das contingências próprias do viver histórico, mas esperamos por essa nova realidade com coragem e sem medo. Estes sentimentos ajudam imenso a vencer o desespero e a encontrar o sentido da vida.
Nada disto deve ser considerado alienação, mas antes a certeza que é possível envolver-se na construção do mundo na base da justiça, esse horizonte deve influenciar as nossas opções, os valores, as atitudes… Esta certeza deve fazer-nos lutadores contra todas as formas de morte que dominam o mundo em que vivemos, para que uma nova realidade de vida em abundância para todos comece a desejar-se com o nosso contributo desde já.
No entanto, não podemos cair no ridículo. A vida de hoje permite tantas respostas e assegura tantas certezas que não podemos apresentar a ressurreição como se fosse dois e dois dá sempre quatro, devemos confessar a nossa incapacidade para explicar o que nos espera, façamos como alguém que se prepara para uma viagem a um país que nunca visitou, obviamente, que a internet e outras formas de comunicação podem antecipar muita coisa do que lá existe, mas nunca como estar presente na realidade concreta. Não tenhamos medo do viver que termina na morte. Pois, está assegurada uma vida nova. Que isso nos anime na esperança em todos os momentos da vida.

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