Quarta feira da Semana Santa:
Primeiro: Jesus respondeu: «Aquele que meteu comigo a mão no prato é que vai entregar-Me»:
Primeiro: Jesus respondeu: «Aquele que meteu comigo a mão no prato é que vai entregar-Me»:

Segundo: «A traição, a inveja, o ciúme, as
fantasias demiúrgicas, a cobardia, o medo, o arrependimento, a catarse, a
prepotência, o abuso de poder, o conservadorismo e a ritualização vazia de
vida, o ódio aos heréticos, a punição dos delitos de opinião, o cinismo, a
boçalidade, as gargalhadas alarves, a falta de respeito pelos que sofrem, a
instrumentalização, a injustiça, a bondade, a resignação, a solidariedade, o
desejo de afectos, a dor, a mágoa, a raiva, a coragem, a determinação. Tantas
sensações, tantas memórias, tantas razões de reflexão para todos e para cada um
de nós!» (José Miguel Júdice).
Conclusão: A vingança mata
em todos os sentidos. Ora vejamos, nenhuma relação será possível dentro do
espírito da vingança, a não ser mesmo a intenção de matar e cortar a relação
com o outro. Depois da vingança ficam cerceadas todas a possibilidades de
encontro, todos os chamamentos ao encontro da festa do amor e da amizade. A
acontecer, a vingança, não permite mais qualquer possibilidade de encontro
fraterno.
António Damásio, o neurologista, que
considera que todas as nossas manifestações e reações estão centradas nas
emoções. Este estudioso ensina-nos que toda a maldade (a vingança) é
inevitável, existe em cada canto da vida e do mundo. A vingança, a inveja, a
raiva, o rancor, o ódio e o orgulho são aspetos «perfeitamente automáticos» - exatamente
o que vos referi no início do texto com outras palavras, é claro. Nenhuma
pessoa é toda maldade. O mal é o especto ou o momento circunstancial. O melhor
para a vida está no saber «viver com a tragédia e o privilégio de ter uma
regulação automática, compreender essa regulação, descobrir que há aspectos
dessa regulação que são magníficos – que nos levam ao prazer, à alegria – mas
também nos podem levar a atos completamente desvairados e à violência», diz o
mestre das emoções.
Por fim, a vingança não
tem nome na festa da alegria e da felicidade. Por isso, apesar de vermos este
espírito comandar muitos homens e mulheres, acreditamos para sempre com
Fernando Pessoa: «Tudo vale a pena se a alma não é pequena».
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