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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Cerimónia ecuménica na Igreja de São Pedro

Ao fim do dia de hoje, 21 Janeiro 2013, na Igreja de São Pedro, Funchal realizou-se a celebração Ecuménica pelo maior eufemismo que acompanha as Igrejas Cristãs actualmente, a Unidade. Um desejo que se fosse verdadeiro, era concreto, provocava a unidade na diferença e nessa base procuravam mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separe. Mas, vamos à nossas impressões desta cerimónia. Todos os representantes da Igrejas parecem estar a fazer um frete.
Sim, isso disse fretes para os vários que representam as igrejas na Madeira. Rostos pesados, sorumbáticos, agarrados ao livrinho-guia da celebração como tábua de salvação, cada um vai lendo umas coisitas sem nexo nenhum, vinda de uma tradução abrasileirada mal feita, onde chocam palavras como "engajado", sem que se tivesse o cuidado de alterar para uma palavra mais simpática para o nosso português, por exemplo, "empenhados" (mas, isto sem ofensa para os nossos irmãos brasileiros, é só porque a aqui entre nós esta palavra soa um pouco mal e faz lembrar um desqualificativo que usamos na linguagem do calhau). 
Bom, lá estávamos todos rezando, rezando e rezando, porque isto da unidade de cristãos ficamos por isso mesmo, reza... A assembleia vai ficando cada vez mais reduzida cada ano que passa, porque se ninguém acredita nisto a começar pelos principais representantes das igrejas, é normal que os adeptos se vão dispersando, preferindo o quentinho do sofá a ver as telenovelas. Este ano faltaram, os representantes máximos da Igreja Anglicana e da Igreja Católica. Revelador da importância que dão a esta oração sobre a unidade.
Vá lá que a Palavra de Deus fez presença, elemento comum a todos, pensamos, juntamente com uma recolha de ofertas monetárias para ajudar na compra de uma cadeira de rodas para um jovem que bem precisa dela. Salve-se estes elementos, os únicos importantes neste não-encontro para a maioria dos cristãos, que há muito se deram conta do desinteresse dos representantes máximos das igrejas cristãs e por isso puseram-se fora do redil...
Uma questão, porque não se envolvem grupos de todos quadrantes para este encontro? Mobilizam gente de toda a Madeira para coisas menos importantes... Incompreensível tão pouca participação.
Vamos às pregações:
- Ilse Berardo, representante da Igreja Luterana, fez uma pregação sem nada de concreto. Falou do distante. Nada disse, também nada tenho para dizer.
- Pastor Jorge Gameiro, representante da Igreja Presbiteriana, falou da situação social do país. E reclamou, porque as igrejas não podem ficar em silêncio perante a injustiça, a pobreza e a exploração que o Estado faz contra os cidadãos acusando-os de vadios e de terem vivido acima das suas possibilidades. Não basta a caridadizinha, a solidariedade... Mas "reclamemos do Estado, a equidade, a dignidade e as condições condignas para todos", isso compete ao Estado realizar a favor dos cidadãos. Para que a dimensão profética das igrejas esteja bem presente nos tempos que correm.
- Pároco de São Pedro, Cón. José Fiel de Sousa, Vigário Geral da Diocese do Funchal, suponho, que representante da Dioceses. Vamos ver o que disse...
Citou Miquéias (6, 8) no seguinte: «(...) Foi-te dado a conhecer, ó homem, o que é bom, o que o Senhor exige de ti: nada mais que respeitar o direito, amar a fidelidade e aplicar-te a caminhar com teu Deus». A a seguir considerou, não sabemos se reconhecendo se apontando para os outros... «Não será que estamos mais empenhados a defender mais a nossa imagem do que os Direitos Humanos? - Todos unidos a defender os Direitos Humanos. Fica bem no discurso, mas a prática quanto a este aspecto fica muito a desejar a história das igrejas.
Logo depois não percebei bem, «amar a fidelidade é a amar a Aliança, a vida...», não explanou. Muito embrulhado ficamos então com a seguinte conclusão, pouco perceptível... Mas, deficiência nossa, não do insigne pregador.
Resumindo e concluindo, uma mensagem banal, que acrescenta pouco... Chega.
Por fim, se os passos da unidade se resumem a isto, não digo mais nada e que a força do alto nos faça crer neste engano que brada aos céus. Não se estrague o que pensam estar bem... Continuemos a rezar e para o ano se Deus nos emprestar a vida neste mundo, faremos novamente o esforço para voltar a este não-encontro de oração sobre a maior falácia que acompanha as igrejas hoje, um eufemismo chamado UNIDADE.

2 comentários:

Pramos disse...

Bom dia!
Sr. Pe. José Luis
Não sei o que me menos me agrada se a constatação do que relatou, ou a forma como o Sr Pe. a relatou aqui neste post.
Concordo que foi uma cerimónia pouco abonatória em favor de qualquer dos diversos representantes presentes, e menos ainda a favor de Jesus Cristo centro da fé Cristã, mas provavelmente fizeram o melhor que sabiam.
Desculpe esta minha intervenção.
Por favor reserve-se o direito de não publicar este comentário.

José Luís Rodrigues disse...

Bom dia PRamos...

Claro que publico amiga, porque carga de água devo achar que todos devem concordar comigo? - Longe de mim esse pensamento.

Ainda assim também concordo consigo. Tudo de bom para si.