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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Porque estamos no Ano da Fé (13)

O que a fé não é
A fé não é uma forma de exercer o poder
A ambição do poder, é um pecado que acompanha todos de alguma forma frequentemente. Muitas das grandes e das pequenas guerras têm por detrás esta ambição. A ambição do poder gerou nos discípulos a cegueira do entendimento, também muitas vezes a ganância de querer dominar e de ter a supremacia sobre os outros gera a cegueira do entendimento e a razoabilidade torna-se uma miragem perigosa.
Face à incompreensão dos discípulos sobre o que dizia respeito ao poder, Jesus recorre a uma explicação dramática sobre o seu futuro. O Filho do Homem vai ser entregue e vai ser morto, mas três dias depois de morto vai ressuscitar. O carácter dramático da explicação pretende ensinar que a lógica do Reino de Jesus é outra completamente distinta da lógica deste mundo. O maior no Reino de Deus deve ser o último. Isto é, aquele que tem mais autoridade ou poder deve considerar-se o menor, porque deve dar muito mais no que diz respeito ao serviço e disponibilidade.
A imagem da criança que Jesus coloca no meio deles (dos discípulos) é bem sintomática da Sua pretensão. Antes mais percebemos que a criança representa tudo o que há de pureza, de simplicidade e de humildade, por isso, todos devem procurar viver os valores que a criança representa. Ao acolher desinteressadamente, cada um contribui para que o Reino de Deus seja de verdade uma fraternidade que se vive no amor e na justiça.
Os males sociais que nos acompanham têm por base principal a ambição do poder. Muitas das brigas familiares são uma luta de poder, as empresas, os grupos sociais e políticos lutam entre si não porque desejam servir mais e melhor, mas antes para dominar tudo e todos com a força do poder. Daí que o slogan «servir o povo» se tenha tornado numa pura falácia ideológica e numa cruel demagogia política. Não convencem ninguém, as palavras associadas à ideia de serviço que muitos grupos políticos, económicos e sociais tentam fazer chegar até nós pelos meios de comunicação social. As palavras ligadas à ideia do serviço gastaram-se por causa dos contra testemunhos constantes.
A ideia do serviço devia enformar o coração de todos para que muitas das guerras e divisões que o nosso meio apresenta desaparecessem por completo. Por isso, chegou a hora de perceber que o poder cega a compreensão e não permite viver a misericórdia face às limitações da vida. As confusões desordeiras que muitas vezes levam às divisões terríveis entre as famílias, requerem uma lucidez constante para se aceitar as coisas com disponibilidade e com espírito de serviço com base no amor.

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