Não
podia ser de outra forma. Como católico e como admirador desde o primeiro
momento do Papa Francisco, fico deveras satisfeito com o que se está a passar
no Rio de Janeiro, Brasil, com o sucesso que está a ser a Jornada Mundial da Juventude.
Tudo parece decorrer com a maior da normalidade e excedendo todas as expectativas
quanto à participação das pessoas. São enormes as multidões que se concentram
na passagem do Papa.
Tudo
isto é muito bonito e reconcilia a Igreja Católica com o mundo. Muito melhor
será que o mundo encare o Papa com simpatia e corra para ver o Papa do que ande
contra a barafustar todo o género de vitupérios contra a Igreja e contra o
Papa.
A
esperança que nos fica é que estas grandes manifestações não sejam apenas para
o momento nem muito menos que sejam propaganda muito querida e alimentada pelos
meios de comunicação social dos nossos tempos. A Igreja Católica também às vezes embarca nisso.
As
grandes manifestações podem ser importantes, mas não são a melhor ocasião para
lançar sementes. Porque o ambiente é propício a festa, com os consequentes exageros.
Nisto não queremos ficar com a ideia que as Jornadas com os jovens sejam apenas
manifestação do bonito e do gozo que estes dias sempre provocam a quem tem o
sangue na guelra, mas que passado o efeito volta tudo ao normal.
A
juventude de agora, é muito instável e vive perdida. O desemprego e toda inquietação
quanto ao futuro desorientam e lança os jovens em caminhos sem rumo. É preciso
pensar que esta é geração diplomada que está em casa sem fazer nenhum a comer à
conta dos pais que fizeram os maiores sacrifícios para os formarem. São Filhos
de pais separados, filhos de mães solteiras ou de uniões de fac, realidade que a
Igreja Católica ainda não aprendeu a acolher e a encontrar formas sacramentais
para integrar esta vasta realidade e com tendência a crescer ainda mais. Esta
juventude encarna as características paranóicas que um determinado
desenvolvimento ofereceu. Estão a crescer em relações virtuais, não têm um
grupo de referência, mas sim muitos grupos... Nas redes sociais da internet (Facebook, Twitter e outros).
Estes
jovens, sentem-se sozinhos, desconfiam uns dos outros, são críticos com os outros,
mas muito sensíveis quando são criticados, basta que os pais abram a boca para
terem logo o ricochete como desmedida de troca, porque «comigo ninguém brinca», são formados e não toleram quem não está ao seu nível. Por isso passam com facilidade do amor ao ódio. Os dramas familiares às vezes são de bradar aos céus.

A
festa das Jornadas no Rio, estão a ser muito interessantes em termos de impacto
e enchem os olhos do mundo inteiro. As imagens que no chegam são
impressionantes e algumas até nos levam a grande emoção. Mas, que não fique
apenas isso, mais desejamos que a Igreja Católica venha depois encetar reflexão
com consequentes medidas para que os jovens sejam tomados a sério e parte essencial
na construção da Igreja. Para que os jovens não sejam apenas massa fácil de mobilizar porque são vivos, fazem ruído e os poderes precisam deles para mostrarem o que valem quanto à pujança do seu poder apenas. As políticas partidárias são exímias neste trabalho com a juventude. A Igreja não pode mostrar que assim é para si também.
Mais ainda que todas as questões que os afecta sejam
tratadas com coragem por toda a Igreja e que as palavras do Papa venham ajudar a quebrar
a tragédia do apego aos bens materiais explícito no
alto índice de criminalidade, o escandaloso crescimento do tráfico e consumo de
drogas, nos casos cada vez mais comu ns de gravidez na adolescência e de
abandono dos filhos, no crescente número de tráfico de pessoas, no grande
aumento da prostituição e nos casos cada vez mais absurdos de corrupção. Não, o
Papa não foi levar dinheiro ao
Brasil nem vai fazer acabar com as dívidas dos Estados e a consequente austeridade
contra os povos. O Papa Francisco veio e está para anunciar ao mundo que a
transcendência faz parte de nós, o que já é bastante.
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