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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Deus e eu

Deus e eu
“Deus e eu”, esta semana em exclusivo no Banquete com um amigo de longa data, o Donato Macedo. Obrigado pela partilha...
Deus, sempre me foi revelado pela família desde muito cedo. Quando comecei a ter consciência dalguma “entidade divina”, foi logo nas idas à missa, naquele ritual em que eu, filho único e sem grandes convívios com outras crianças, me deleitava. Nomeadamente naquelas missas dominicais cantadas, com conjunto musical (guitarra, bateria, baixo e órgão), na capela da então denominada Escola Salesiana de Artes e Ofícios na Rochinha. Estávamos na década de 70, tempo de memórias difusas, ofuscadas pela névoa do tempo. Passei sempre por colégios de inspiração católica. Primeiro na Apresentação de Maria, cuja lembrança está mais apagada. Depois, nove anos nos “Salesianos” onde conheci grandes “Mestres”. Seguidamente mais três anos na APEL, onde conheci o José Luís Rodrigues – dinamizador deste blogue – nas aulas de latim, do saudoso Pe. Ângelo Caminati. Uma grande “escola” da minha Fé foi-me concedida pelas actividades da “pastoral juvenil” desenvolvida na década de 80, na Paróquia de Fátima, onde após o meu percurso catequético, integrei o grupo de jovens em que, para além das amizades daí desenvolvidas, tomei consciência dalguns dos valores práticos, onde as nossas acções poderão se repercutir nos nossos semelhantes. À medida que crescia, atentei mais no conceito ético, do que a narrativa evangélica revelada pelo Criador. A exegese sempre se me afigurou tendenciosa, parcial. A minha ideia de “Deus”, nem é necessariamente antropomórfica, mas sim uma ideia de “BEM”, duma entidade imaterial que nos proporciona ferramentas, opções, para que possamos ascender a um desígnio de “FELICIDADE”. Muito raramente vou à Missa, mas quando vou, converso com “Ele”, à minha maneira, tal como O questiono em qualquer sítio, se me der nas ganas. Há imensos desafios na Vida em que se cobra de “Deus” o sofrimento, a dor e os percalços. Praguejei “Deus” quando ele me tirou de repente, há tão pouco tempo, o meu Pai. Raramente Lhe agradeço o que de BOM também me acontece, como o simples acordar ao amanhecer, e ter o essencial disponível e assegurado, o que não acontece a tantos milhões de seres humanos neste Mundo cada vez mais assimétrico e desigual. “Deus e Eu” estamos assim, talvez um pouco desquitados, mas tal como acontece nas verdadeiras amizades, não é preciso falar todos os dias, nem todas as semanas, ou meses, para sabermos que habitamos no coração um do outro.
Donato Macedo

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