Comentário à missa do próximo domingo
Dia da Epifania
O dia da Epifania é,
tradicionalmente chamado, o Dia de Reis. A palavra significa «manifestação», neste
caso, «manifestação divina» A Epifania é o reconhecimento dos direitos
messiânicos de Jesus de Nazaré por não-judeus, é a manifestação de Jesus ao
mundo pagão. É a manifestação do Deus humanado à universalidade. O mito dos
Reis significa essa realidade do presépio.
Uma tradição mais
tardia falou de Reis Magos, aplicado a estes sábios que vieram do Oriente
adorar o Menino, e pretendeu com isso, provavelmente, reforçar a glória de
Jesus Cristo. Este menino, que nasceu não tem dono. Foi enviado por Deus ao
mundo por meio de uma mulher, para toda a humanidade. A grande mensagem que nos
fica deste Dia dos Reis resume-se a esta novidade: Deus nasce não apenas para
alguns mas para toda a humanidade.
O Deus Menino é a luz
celeste (Ouro) que se abaixa até ao mais fundo da humanidade para a elevar para
o alto (Incenso); e é o Deus santo e fonte de santidade (Mirra) que pretende
santificar não apenas um povo mas todos os povos do mundo. É surpreendente e
quase comovedora esta abertura de Deus e arrasa todas as tentativas de
apropriação de uma realidade que não pertence a ninguém, porque não é deste
mundo. Vem do lugar santo de Deus para elevar e divinizar todos.
A Epifania é um outro
nome pelo qual se redescobre o acontecer de Deus, desejamos que essa luz nos
ilumine a fé e a esperança como caminho que nos leva à relação de amor com
todos os que se cruzam na nossa vida. A mensagem da paz e do amor, sinal do
presépio, são ecos de Deus que ressoam do Seu coração para todos os recantos
deste mundo sedento de salvação. Deixemos, pois, Deus acontecer e manifestar a
sua graça a todo o mundo, que pelo nosso empenho se renova para o bem
universal.
O Natal apresenta-nos
um Deus que não é severo, de olhar vigilante sobre as nossas vidas para nos censurar e castigar. Não. Estamos perante um Deus criança. Ela não julga, só
quer receber carinho e brincar. Nada mais extraordinário do que esta visão do
presépio e do Natal de Jesus de Nazaré.
Talvez poucos tenham dito tão bem sobre o Natal, sobre
Jesus Criança, como o poeta Fernando Pessoa: «Ele é a eterna criança, o Deus
que faltava. Ele é o divino que sorri e que brinca. É a criança tão humana que
é divina». Para quê mais palavras diante desta realidade tão sublime de um
Deus que se faz pequenino, para nos fazer a todos grandes para o amor.
1 comentário:
Padre José Luís,Meu Amigo e Irmão, a epifania do Deus que "brinca" e "sorri" é tão bonita. Contrária, aquela triste imagem do deus castigador, manipulador, que tudo escuta e vigia as nossas falhas para depois da terrífica morte sermos castigados e mandados para o fogo dos infernos. Tudo isto, lá se passou. Hj as igrejas ensinam que Deus é Amor.E,realmente,o texto de S.João no-lo diz. O Amor alargado. Vigilante, sim.Pq temos ver e escutar o grito dos nossos irmãos mais pobres e carenciados. Vigiar o Mundo e o que nele habita.Desde os humanos aos animais e plantas, árvores, mares e terra etc.Um Deus com uma visão holística. Um Deus que é tb contemplação na Beleza criada e recriada pelo o Homem/Mulher. Adoro as alegorias do Génesis. Quem estragou isto tudo foi tb uma filosofia demasiado positivista e de cariz demasiato cientifico.Onde está Deus está, logo,Irmã e Irmão. Essa Bondade estendida a toda a Criação. A fome, miséria , ganância nada têm a ver com o Deus de Jesus.Ele condena os fabricadores de catástrofes humanas e ecológicas. "Os ricos não entram no Reino de Deus" Temos necessidade, no mundo actual, de Messianismo. De utopias - a tal utopia concreta de que falava o filósofo Ernst Block.Mas tb de eutopias de que nos fala, ainda, hj, Pedro Casaldáliga.Vem, Senhor Jesus, e coloca-nos sempre nos teus braços como meninos. Sempre tal como Tu: a crescer em estatura e idade. Numa verdadeira Koinonia.E não a idade Cronológica. Esta é pertença de cemitérios e de sepulturas. Aquela é a Tua, Senhor.
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